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Raimundo Couto

Reviver o que significou o Fusca pelo menos na memória é a intenção da VW ao lançar a terceira geração do modelo que encantou o mundo

 

Ele não foi o modelo que popularizou a linha de mon­tagem, esta primazia cabe ao Ford T, mas é certo que foi um dos automóveis mais comentados e vendidos do mundo. Falamos do Fusca, matéria de Autos Negócios nesta edição final de Mercado Comum, em 2012. Con­tudo, seria uma inverdade dizer que o Fusca está de volta. O modelo apresentado pela Volkswagen, recen­temente, em muito pouca coisa remete àquele que sim, de verdade, foi um ícone de muitas gerações. Mas nem por isto sua aparição não deixa de causar uma pitada de emoção, sobretudo para quem viveu e conviveu com o famoso “Besouro” em alguma época da vida. Saben­do disto a VW reeditou, em 1998, uma versão moderna e contemporânea e a ela deu o nome de New Beatle. É este mesmo carro que agora chega à sua segunda geração. Mas bem modificado. E segue, assim como o pioneiro, o de quatro anos atrás e o atual, a mexer com o imaginário das pessoas. Ainda mais pelo fato de que, desta feita, ele chega ao Brasil, país que por tantos anos o fabricou, trazendo revivendo algo de original, o nome Fusca, que para muitos soa como música aos ouvidos. Mas para ter um Fusca na garagem o cheque a ser assinado terá de grifar um alto valor. Ele parte de R$ 76.600, na versão com câmbio manual, e R$ 80.990, com transmissão DSG de du­pla embreagem, tecnologia lançada pelos carros da Audi AG, empresa do grupo VW. A ideia foi conceber o design de um dos automóveis mais reconhecidos da história, mas trazendo para o presente. Aqui não é uma questão de “vale quanto pesa”, quem pode desfrutar de reviver um sonho em quatro rodas desembolsará toda esta quantia, mas poderá dispor do que de mais moderno a indústria automobilística dispõe hoje em tecnologia. O motor que empurra o Fusca da era atual conta com 200 cavalos TSI. E de lembrar que o primeiro propulsor que foi lançado com o carro no Brasil, refrigerado a ar, com 1.2 litros de capacidade cúbica de cilindrada e po­tência com cerca de 30 cv.

Um carro único

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O legítimo Fusca carrega emblema em toda sua vitoriosa tra­jetória no mercado mundial. E no Brasil não poderia ser dife­rente. A produção nacional foi de 3,1 milhões de unidades de Fuscas e muitas delas ainda rodam inteiras e valentes pelos mais distantes pontos do país. De mecânica simples e confi­ável, a reparação de problemas em seu motor era uma tarefa que podia ser exercida até pelos que eram pouco versados em “rebimbocas e parafusetas”. As muitas histórias em que o modelo da VW é o protagonista fazem parte da memória de tantos que experimentaram o doce gosto da primeira vez ao volante de um automóvel. Criado por Ferdinand Porsche, o Fusca surgiu na Alemanha, em 1938, para se tornar o “carro do povo”, como já estava previsto na escolha de seu nome. No Brasil, chegou importado, em 1950, e nove anos depois, com a instalação da fábrica de Anchieta (SP), ganhou linha de montagem própria. Até hoje, depois de 53 anos da primeira unidade inteiramente nacional – o que ocorreu em 3 de janei­ro de 1959 – um modelo bem conservado, daqueles “brilhan­do” e todo original – chama mais atenção que muito esportivo caro e raro. Por esta e por tantas outras que a Volkswagen não poderia deixar de perpetuar a imagem de seu maior su­cesso de público e crítica. Como dissemos, em 1998, surgiu o New Beetle, que nasceu como um estudo de design, que recebeu o nome-código Concept 1, sob as formas do antigo Fusca, mirando uma reedição do popular Volkswagen que agradou a tantas gerações. O projeto do novo carro ficou a cargo dos estúdios californianos da Volkswagen. A primeira edição foi montada sobre a plataforma do Volkswagen Golf europeu de quem herdou o conjunto mecânico e suspensão. O antigo motor traseiro refrigerado a ar, de cilindros contra­postos (boxer) e em posição longitudinal do Fusca foi deixa­do de lado em favor de um propulsor dianteiro refrigerado a água, de configuração em linha e em posição transversal. As formas claramente remetiam ao antigo modelo, mas ao contrário de quem lhe deu origem foi o apelo popular sua alavanca de vendas. Ainda que o carisma tenha se mantido intacto, o preço alto limitou vendas expressivas como seu antecessor.

Te conheço de algum lugar

Mais comprido e largo o Novo Fusca manteve a identidade e o conhecido visual retrô, mas recebeu modificações. O teto está mais baixo e menos inclinado na traseira, o que ajuda a aumentar espaço para a cabeça dos ocupantes. Seu com­primento cresceu 15,2 centímetros, enquanto que a largura ficou 8,4 cm maior. Mas o estilo não confunde nem mesmo o mais desatento apreciador de automóveis. E como se tra­ta de um fenômeno o tratamento não poderia ter sido outro ao que recebe um verdadeiro “popstar”. Maior exemplo da afirmação esta na escolha do nome. Nessa nova era do Fus­ca, a Volkswagen deixou livre a escolha, de acordo com o nome (ou apelido) que o modelo recebeu em cada mercado ao longo da sua história. Na França, o Beetle é chamado de “Coccinelle”, nome já utilizado no passado naquele país. Na Itália, o modelo também resgatou o nome Maggiolino. No Brasil não poderia ser diferente. O Fusca é um dos carros mais lembrados, reconhecidos e carismáticos do mercado brasileiro. Conforto e segurança garantidos pelos bancos revestidos em couro, direção hidráulica, câmbio automáti­co DSG, ar-condicionado, air-bags, ABS e todos os outros equipamentos que dispõe o mercado de veículos desta ca­tegoria. Sem falar dos reforços estruturais que absorvem e distribui a energia de um impacto em caso de acidentes, o que diferenciam da proposta original e o aproxima do que de mais moderno o mercado oferece. Uma comparação com o New Beetle 1998 mostra que nada ficou igual: “O Fusca se caracteriza agora por uma esportividade limpa, autoconfiante e dominadora. O carro não apenas tem um perfil mais baixo – também é substancialmente mais largo, o capô dianteiro é mais longo e o para-brisa foi mais para trás. Tudo isso cria um novo dinamismo”, explica Klaus Bischoff, chefe de De­sign da marca Volkswagen. Enquanto o New Beetle de 1998 era definido por três semicírculos – dianteiro, traseiro e um teto arredondado sobre o centro – o novo modelo libertou-se desta geometria. Onde o Fusca original tinha o motor, agora fica a tampa do porta-malas, que se ergue juntamente com o vidro traseiro quando aberta, dando acesso para bagagem (310 a 905 litros). À direita e à esquerda da tampa traseira ficam as lanternas. Como o Fusca do tempo da refrigeração a ar, o novo Fusca tem um porta-luvas adicional integrado ao painel frontal cuja tampa abre para cima, enquanto o porta­-luvas normal abre para baixo. Se não guarda o conceito de popular que o fez um ícone do passado, traz, para poucos felizes e abonados, a possibilidade de um “deja vu”…

 

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