Se não ocorrer “acidente grave” de percurso, 2019 pode ser um ano mais tranquilo e favorável para a economia e o mercado financeiro.  As pessoas físicas e empresários nacionais e internacionais estão mais otimistas em relação ao Brasil após as eleições.
 
Se entrarem mais investimentos estrangeiros diretos do que os previstos para o novo ano – US$ 80,9 bilhões – segundo o boletim Focus e mais recursos locais expressivos, facilmente a economia cresce mais dos que os 2,5% estimados por aquela pesquisa do Banco Central (BC) junto às principais instituições financeiras. E o Produto Interno Bruto (PIB) tem condições de alcançar a expansão de 3% como admite a equipe econômica do Bradesco.
 
Ações & fundos
 
Crescimentos econômico expressivo com inflação sob controle e juros básicos moderados – Selic prevista para 7,50% ano ao final de 2019 – combina com estímulo às aplicações em bolsa de valores diretamente ou através dos fundos de ações e multimercado e menor procura por fundos de renda fixa, a exemplo do que ocorreu em 2018.
 
As oscilações do dólar e o comportamento do preço do metal no exterior voltarão a ditar o comportamento do ouro negociado como ativo financeiro na BM&F/Bovespa ou B3, a exótica nova denominação da bolsa brasileira.
A rentabilidade líquida (isenta de impostos) na caderneta de poupança continua estimulando a aplicação de quantias menores nesta mais tradicional opção de investimentos.
 
Os títulos públicos do Tesouro Direto com rentabilidade atrelada à inflação ou à taxa Selic são boas opões de longo prazo. No curto prazo, o pequeno e médio investidor precisa acompanhar a evolução da rentabilidade dos títulos públicos para não resgatá-los quando eles apresentarem queda temporária nas taxas.
 
Os fundos de previdência privada são também boa opção para se guardar o dinheiro principalmente para quem tem condições de aplicar por no mínimo dez anos, quando a alíquota do Imposto de Renda na tabela regressiva incidente sobre eles cai para 10%.
 
Salvos & vigilantes
 
Com a eleição de Jair Bolsonaro ficamos livres por bom tempo, e espero que para sempre, de virarmos uma Venezuela ou Cuba, países onde os ditadores e partidários vivem muito bem e o povo na miséria crescente e sem esperança.
 
No caso da Venezuela ocorre a fuga em massa. Cerca de três milhões de pessoas já deixaram o país e outros 2 milhões deverão sair nos próximos anos, segundo estimativa da ONU. E um ex-ministro do governo Dilma Roussef afirmou em entrevista na GloboNews que o problema na Venezuela é a oposição ferroz ao governo Maduro. Já o candidato derrotado nas últimas eleições disse ao vivo na TV desconhecer a situação de extrema miséria na Venezuela.
 
Os 44 milhões de votos dados ao candidato da “esquerda” tropical nas últimas eleições brasileiras requerem a eterna vigilância que é o preço da liberdade, conforme o velho ditado maldosamente atribuído à UDN (antigo partido político) mais ligado à direita e ao capitalismo.
 
Essa votação expressiva da chamada “esquerda” é um indicativo do atraso econômico e social do País, já ela foi concentrada nos chamados “bolsões de pobreza” do Nordeste ou por pessoas que não acompanharam os desacertos da União Soviética, China e outros países sob o controle da estatização da economia.
 
Desfazer erros
 
Basta à nova equipe econômica continuar se desfazendo da insensatez das gestões anteriores ao governo Temer que a situação só tende a melhorar. Sob o comando do ex-ministro Henrique Meireles, da Fazenda, o País começou a entrar no rumo econômico certo e só não cresceu os 3% prometidos em 2018 devido à greve dos caminhoneiros e às dificuldades do governo Temer em aprovar as reformas, já que foi abalado pelas denúncias de corrupção. E passou grande parte do tempo preocupado principalmente em se defender.
 
Agora, o cenário mais favorável ao controle dos gastos públicos no governo federal em estados como Minas Gerais estimula a continuidade do crescimento econômico, o controle da inflação, queda dos juros e a relativa estabilidade do real em relação ao dólar.
 
Menos garantias
 
 O desemprego pode continuar caindo, mas dificilmente o mercado de trabalho voltará ao que era.  Crescem as atividades informais com trabalhadores sem carteira assinada. Mas é melhor esse quadro do que a falta total de empregos. Não adianta excesso de garantias só para quem tem emprego.
 
A reforma da previdência não deve ficar centrada na questão da idade mínima para aposentadoria. Deve focar também no estímulo às filiações de segurados, precisa cortar as isenções e privilégios de grandes empresas e receber os débitos vultosos de grande companhias e até bancos. Grandes especialistas omitem que o déficit elevado não é só da previdência, mas do Tesouro já que o INSS e o governo liberaram número vultoso de benefícios mínimos para pessoas que nunca contribuíram para com a previdência.
 
Combate a cartéis
 
O governo Bolsonaro que pretende destravar a economia, necessita também reduzir pelo menos os cartéis em diversos setores importantes e estimular a livre concorrência inclusive no setor bancário. Cinco bancos são responsáveis por mais de 80% do crédito no País, dos quais dois, a Caixa e o Banco do Brasil são estatais.
 
Não é apresentável aos investidores estrangeiros e ao mundo que um banco estatal divulgue que cobra juros de 400% ao ano no cheque especial e que cartões de crédito pratiquem taxas superiores a 300% ao ano no parcelamentos rotativos.
 
Enquanto a Selic (juros básicos da economia) caiu para 6,5% ao ano e entra 2019 neste patamar, os bancos são lentos no corte dos juros dos empréstimos e chegam a elevar as taxas dos empréstimos após os cortes ou manutenção da Selic pelo Copom.
 
Com a Selic menor, os bancos ainda lucram mais, pois as taxas de remuneração dos papéis privados estão atrelados à taxa básica.
 
* Fernando Soares Rodrigues 
Jornalista especializado em economia e finanças
 

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