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Claudio Rocha Oliveira | claudiorochaprod@terra.com.br

A cultura é sempre a primeira e mais frágil vítima dos momentos de anormalidade e crise – como ocorre atualmente em nosso país –, o que torna ainda mais necessário o exercício da reflexão, de forma a se trazer à luz perspectivas de um futuro possível. Esse é o motivo pelo qual, a partir de agora, esta coluna cederá parte de seu espaço ao franco debate sobre o tema, sempre a partir de uma contribuição oportuna dada por quem, reconhecidamente, representa a atitude de pensar cultura no Brasil. Começamos, nesta edição, reproduzindo texto escrito por Ana Bock – professora de psicologia social e diretora da Faculdade de Psicologia da PUC-SP.

Na verdade, hoje, cultura, com exceção de alguns pequenos grupos, tem sido sempre resultado de encontros de vários grupos sociais e, portanto, de várias culturas. A cultura brasileira é, na verdade, uma grande "mistura" de várias culturas. E devemos nos orgulhar disso. A mundialização do capital e as novas tecnologias não inauguraram essa cultura, apenas possibilitaram um aumento significativo dos encontros entre grupos sociais e da "mistura cultural".

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Penso que nossa atenção e nossas preocupações não precisam se centrar na globalização, enquanto possibilidade de encontros entre culturas, mas sim, na forma antidemocrática que tem caracterizado esse encontro. Misturar é muito bom. O problema está em não misturar e impor uma determinada cultura como se fosse a melhor. O problema está em fazer das diferenças culturais fontes de desigualdade social. O problema está em fazer das referências culturais de cada grupo elemento de sofrimento psicológico.

Não há culturas melhores ou piores, pois todas elas respondem a formas de vida e a necessidades de grupos. Não há culturas naturais. São todas históricas. Compreendê-las nesta perspectiva é fundamental para nos posicionarmos contrários a qualquer forma de imposição cultural, seja por potentes organizações de comunicação, seja por processos de globalização comandados por pequenos grupos representantes do capital internacional, ou seja por visões científicas discriminatórias.

As pessoas precisam de elementos culturais para desenvolverem suas identidades. Esses elementos devem ser coerentes com a vida que levam no dia a dia. Imposição cultural pode assim ser fonte de problemas psicológicos e de sofrimento. Valorizar a cultura do cotidiano, das pessoas comuns e dos grupos que integram o nosso conjunto social é uma tarefa urgente, quando se trabalha para a promoção de saúde.”

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