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Por: Marcelo Veneroso

 

Tive o grato privilégio de conhecer dezenas de países em todos os continentes e conviver com as peculiaridades de cada lugar. Tenho ficado incomodado e intrigado com o que vejo fora e dentro do Brasil ao longo dos últimos 20 anos. Recordo-me que antigamente eu chegava nas reuniões e as pessoas dos outros países se interessavam por saber detalhes dos nossos costumes, pontos turísticos e imediatamente anunciavam que incluiriam o Brasil como próximo destino de viagem. Ainda relatavam histórias próprias e de amigos que tiveram inesquecíveis experiências em suas viagens por aqui. Entre os diversos relatos, posso facilmente descrever as qualificações que mais apareciam: povo acolhedor, maravilhoso, educado e amigável, além de relatos de compras e restaurantes com comida de alta qualidade e baixo custo, vida noturna intensa e sem problemas com segurança e diversos outros elogios que nos faziam orgulhosos de ser parte daquele cenário paradisíaco.

Ultimamente nas minhas viagens o que ouço sobre o nosso país são reclamações de falta segurança, aeroportos ruins, trânsito, serviços de hotelaria fracos, carestia em todos os setores, sendo que nossos restaurantes disparam para a qualificação de caros e muitas vezes não entregam o valor agregado que anunciam. Tenho ficado envergonhado de oferecer a hospitalidade para os estrangeiros, pois, se aceitam, não têm o mínimo pudor de externar a insatisfação.

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Recentemente comprei alguns bilhetes para os jogos da Copa do Mundo de 2014 para presentear clientes e parceiros no exterior e tive a tremenda decepção de não achar nenhum interessado. O engraçado é que se a chacota tivesse ocorrido com somente em um dos grupos de estrangeiros no qual ofereci, poderia facilmente deduzir que houvera uma influência negativa de alguém e que aquilo era um ponto fora da curva, mas não, a situação se repetiu por algumas vezes e em grupos diferentes.

Posso confessar que no primeiro momento tive um sentimento de revolta com aqueles que supostamente são meus companheiros de negócios e na tentativa de autodefesa comecei a pensar comigo mesmo: “Quem são estes caras que falam mal do Brasil?” E o que o país deles oferece? Pois bem, minha grande decepção foi quando comecei a fazer esta profunda analogia e descobri que eles têm razão. A maioria vive em países que convivem com crises econômicas e problemas diversos, entre eles tragédias naturais que, felizmente, temos com pouca ocorrência.

Observei também que a maioria deles pode se orgulhar com o nível de educação, segurança, aplicação dos recursos em infraestrutura e saúde. Logicamente eles têm problemas sérios em algum setor, mas tenho notado que a evolução continua em seus indicadores.

Podemos citar rapidamente os países da América do Sul, como Colômbia, Uruguai e Chile, que tinham situações muito piores que o Brasil há 20 anos e que agora, mesmo não tendo uma economia pujante como a brasileira, apresentam alta evolução de serviços a seu povo. Na Europa e Estados Unidos eles conseguem manter um alto padrão mesmo em momentos de crise. Na Ásia, mesmo a Índia, que tem indicadores terríveis, mostra evolução. Se formos à China, Tailândia, Japão ou aos Emirados Árabes veremos que estamos muito distantes da palavra evolução e que na grotesca comparação de uma corrida de animais poderíamos nos qualificar como uma tartaruga correndo contra uma lebre.

Penso que chegamos a este dramático cenário por causa da falta de planejamento e estratégia de longo prazo. O que observamos incessantemente são voos de galinha. Nossos governantes apenas trabalham para o período que vão ficar no poder e não promovem as reformas políticas e fiscais que precisamos para romper a barreira de país do futuro para realmente viver o futuro. É necessário o trânsito de projetos e o desentrave burocrático para caminharmos sem jogo de interesses. As empresas e os contribuintes estão cansados de um sistema de arrecadação ineficiente que transfere todo ônus para o setor produtivo. E as reformas na educação e na saúde são mais do que urgentes.

Somos dirigidos por economistas que se baseiam em indicadores estatísticos sem se conectar à visão do setor produtivo. Desta forma, estamos destinados a nos compararmos com um motorista que dirige o carro pelo retrovisor. Grosseiramente, ele somente enxergara um buraco depois que passar por ele.

Nosso problema é sério, mas não o julgo difícil. Precisamos de um líder que tenha um conceito de futuro vanguardista e vontade política para vencer os entraves que o sistema impõe. Encerro este pequeno desabafo com uma questão aberta: será que teremos algum candidato à Presidência com pensamento nessa direção de futuro?

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