Em abril, o Banco Mundial publicou um estudo relacionado aos efeitos dos ciclos econômicos nos indicadores sociais da América Latina. O estudo aborda o aumento da pobreza na região no período entre 2014 e 2017 e o compara à queda que o mesmo indicador social apresentou após a denominada Década de Ouro, entre 2003-2013, em que os preços das matérias primas cresceram significativamente e permitiram a redução da pobreza latino-americana.

Assim, o tema do estudo complementa a ideia de que os sonhos ruíram à medida que a realidade se apresentou mais severa e difícil para os países latino-americanos. O Brasil, nesse estudo, é apontado como um país com população equivalente a 1/3 da AL e que experimentou um aumento na pobreza monetária de aproximadamente 3% no período analisado.

Isso significa que a pobreza atingiu 21% da população brasileira, ou seja, em torno de 43,5 milhões de pessoas vivem com renda de até US$ 5,50 por dia. Apresenta indicadores que interferiram, de forma direta ou indireta, nos resultados pífios da AL:

Oscilação dos preços das matérias primas, com queda até 2016 e reversão da queda com aumento a partir de 2017.

Queda do PIB real da China, que é grande consumidor de matérias primas.

Oscilação no PIB real dos EUA, com queda no período 2015-2016.

Taxa de juros reais nos EUA em queda no período 2015-2017 (janeiro).

Tais indicadores poderiam significar um incremento nos investimentos estrangeiros em países da AL com ampliação da atividade produtiva e melhorando os indicadores de emprego, porém, os reflexos seriam verificados em períodos mais à frente.

Como o Brasil é componente importante desse estudo, com registro negativo sobre o aumento da pobreza, cabe investigação posterior sobre possíveis causas que possam ter contribuído para essa desconfortável constatação, que é o aumento da pobreza. No entanto, é sabido que o nível de desemprego no Brasil está elevado, próximo a 12%, e isso, sem dúvida, tem forte influência na riqueza do país e impacta diretamente o nível de pobreza da população.

Importante salientar que as medidas propostas pela nova equipe econômica do governo brasileiro, visam reduzir o déficit fiscal e estimular o ambiente de negócios, o que poderá significar um crescimento da renda e redução do nível de pobreza da população brasileira e latino-americana. O Brasil e a América Latina merecem situação melhor!

Francisco Américo Cassano é Doutor em Ciências Sociais, e especialista em Relações Internacionais da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Está disponível para entrevistas. Caso precise de foto do especialista, por favor, entre em contato.

Sobre o Mackenzie

A Universidade Presbiteriana Mackenzie está entre as 100 melhores instituições de ensino da América Latina, segunda a pesquisa QS Quacquarelli Symonds University Rankings, uma organização internacional de pesquisa educacional, que avalia o desempenho de instituições de ensino médio, superior e pós-graduação.


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