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O Brasil, sétima maior economia mundial (segunda no grupo dos emergentes) é o arquétipo do país emergente: resistiu brilhantemente à crise de 2009, demonstrando a força de seus fundamentos econômicos e a maturidade de suas instituições políticas, mas, nos últimos dois anos, tem apresentado fraco crescimento econômico e perda de competitividade industrial.

 

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O panorama desenvolvido a seguir mostra os grandes desafios e uma análise sociopolítica e setorial da economia brasileira. O fraco crescimento econômico e as demandas sociais têm como origem problemas estruturais, relacionados à falta de reformas nas áreas de infraestrutura e educação. Por um lado, o mercado tem se beneficiado de uma demanda doméstica relevante; por outro, a taxa de juros somada à fraca demanda externa afeta o seu desempenho.

A análise dos principais setores da economia (químico, aço siderúrgico, automobilístico, varejo, agroalimentar) mostrou que o “Custo Brasil” constitui uma desvantagem decisiva para a competitividade das empresas brasileiras. Por exemplo, o custo da energia e a pressão ascendente dos salários têm reduzido a competitividade da indústria química e os pequenos produtores agroalimentares sofrem com o limitado acesso às novas tecnologias.

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Já o empresariado brasileiro tem se beneficiado com o crescente protecionismo do governo. Segundo Fernando Figueiredo, presidente da Abiquim – Associação Brasileira da Indústria do Química, o conselho de competitividade criado para essa indústria poderá ser “o último empurrão na direção da recuperação econômica”. Também contribui o aumento da renda da classe média, que por um lado eleva a inflação e, por outro, sustenta a atividade dos setores de varejo e automóveis. Os novos integrantes da classe média demandam bens de consumo de forma acentuada, o que atrai investidores estrangeiros, como as montadoras chinesas e coreanas, interessados no mercado brasileiro.

Em suma, o Brasil possui todas as cartas necessárias para permitir que seu imenso mercado decole novamente.

 

Desafios da economia brasileira

O crescimento econômico fraco continua sendo um fator de preocupação: em 2012, o Brasil registrou o pior desempenho entre os BRIC, com 0,9%, contra a média de 4,9% dos países emergentes. O mesmo ocorreu no primeiro trimestre de 2013, quando o crescimento anualizado foi de apenas 1,9%.

O cenário macroeconômico ainda sofre o impacto da inflação: o índice de preços ao consumidor (IPCA) acumulado em 12 meses ficou em 6,57% em junho de 2013, próximo de uma estagflação, que cria um dilema sobre a política monetária a ser adotada. O governo terá de optar entre incentivar o dinamismo econômico, com baixas taxas de juros, ou aumentá-las para conter a inflação, freando o crescimento econômico, uma questão particularmente sensível no Brasil, dado o histórico de hiperinflação de décadas passadas.

A estagflação também é fruto de deficiências estruturais: o “Custo Brasil” está por trás de vários problemas da economia brasileira, tais como a erosão da competitividade e a falta de infraestrutura, entre outros.

 

Crescimento econômico

Apesar de ser um país emergente, o Brasil é caracterizado por um crescimento econômico potencial limitado: a média de alta do PIB entre 2000 e 2011 foi de 3,6%, contra 10,2% da China e 5,3% da Rússia. Esse desempenho tímido pode ser explicado por fatores estruturais próprios de países da América Latina: fraca taxa de investimento (18% do PIB no Brasil contra 45% na China). Mais: o crescimento brasileiro é volátil, devido à dinâmica da demanda interna, que contribui para o aumento do déficit da conta de transações correntes e, depois, se reajusta, alternando sucessivas altas e desacelerações, como pode ser observado no gráfico 1, abaixo, que ilustra esse movimento desde os anos oitenta. Pode-se observar que, após um boom econômico em 2010, com expansão de 7,5%, 2011 e 2012 registraram crescimentos econômicos muito fracos.

 

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Também é preciso observar que, apesar do corte expressivo na taxa de juros (Selic) promovido pelo Banco Central, a retomada da economia não ocorreu. Entre agosto de 2011 e outubro de 2012, a taxa foi cortada de 12% para 7,25% ao ano, sem que se produzissem os resultados esperados, porque a um consumo doméstico vigoroso se contrapõe a falta de investimento privado, gerando um gargalo evidenciado no gráfico 2, que compara a venda do comércio e a produção. As vendas no varejo registraram um ligeiro aumento entre 2011 e 2012, mas a oferta declinou _ sintoma de estagflação. Dados do PIB do primeiro trimestre de 2013 mostram uma possibilidade de reversão nessa dinâmica (consumo fraco e investimento crescendo), mas é cedo demais para afirmar que esse comportamento perdurará.

 

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Indicadores monetários

É importante salientar que parte do fraco desempenho econômico brasileiro costuma ser creditada aos indicadores monetários: taxa de juros alta e apreciação do real, que impactam negativamente nas exportações brasileiras. Em 2013, a Selic foi elevada novamente, a inflação está acima da meta de 4,5%, chegando a 6,7% em junho.

O volume de empréstimos bancários, por sua vez, cresceu consideravelmente desde 2009, de 15% para 20% ao ano.

No entanto, o volume de empréstimos bancários anda relativamente baixo: 54,7% do PIB do Brasil (na China é 150%). A intermediação financeira aumentou intensamente nos últimos anos. Os bancos públicos são os que têm maior apetite para oferecer crédito (41% em abril 2013, contra 7% nos bancos privados). Atualmente, os bancos públicos são responsáveis por 47% dos empréstimos totais e o BNDES, sozinho, responde por 20%.

No que diz respeito ao câmbio, de 21 de novembro de 2009 ao fim de junho de 2011, a moeda brasileira registrou 60% de apreciação em relação ao dólar. Mas, desde julho de 2011, o real perdeu 30% de seu valor em relação ao dólar.

A taxa de juros é um assunto muito sensível no Brasil: a indústria representa 23% do PIB e 40% das exportações. O risco de desindustrialização constitui uma ameaça para o emprego e para um crescimento sustentável. A balança comercial brasileira vem decaindo, e pode ficar negativa em 2014. A conta de transações correntes é deficitária desde 2007 – seu saldo deve fechar este ano em -3% do PIB.

Embora o Brasil tenha perdido competitividade, isso não se deve apenas à valorização do real, mas, também, a outros fatores: desde 2010 o custo da unidade de trabalho cresceu significativamente (+10% de abril de 2012 a abril de 2013), enquanto a produtividade industrial declinou (-0,5% no mesmo período). A forte apreciação da moeda somente acentuou a perda de competitividade industrial. E a recente depreciação pode gerar a intensificação da pressão inflacionária.

 

O Mercado de trabalho e o Custo Brasil

A taxa de desemprego no Brasil registra forte redução: caiu de 12,4%, em 2003, para 5,5%, em 2012 e, atualmente, vem se estabilizando por volta dos 5,8% (gráfico 3). Essa situação de quase pleno emprego foi um dos motores do aumento do consumo (gráfico 2). No entanto, também contribuiu para o aumento dos salários, o que favoreceu um aumento da inflação e reduziu o lucro das empresas. A dinâmica de aumento de salários, por sua vez, ganhou um novo impulso com o reajuste de 9% do salário mínimo, em janeiro de 2013.

 

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Por fim, a taxa de desemprego continua abaixo da taxa de desemprego natural – a compatível com uma inflação baixa -, estimada em 6%. Apesar da desaceleração da economia, continuam as demandas no mercado de trabalho. E a produtividade brasileira sofre, principalmente, com a escassez de mão de obra qualificada.

O aumento dos salários teve um impacto importante nos custos no Brasil, que tendem a um aumento constante, afetando o desempenho da indústria: a produção industrial de 2012 contraiu 0,8% em relação à de 2011 e continua fraca (queda de 0,3% no primeiro trimestre de 2013 em relação quarto trimestre de 2012).

 

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Concomitantemente, o setor de serviços cresceu 1,7%, já que os serviços não transacionáveis se adaptam melhor ao aumento de salários. De fato, eles podem aumentar seus preços em caso de elevação de custos com maior facilidade. A história do Brasil provou várias vezes que, em períodos de crescimento econômico, o setor industrial apresenta maior dinamismo. Em 2012, medidas fiscais e monetárias foram adotadas para atenuar a perda de competitividade do setor industrial. Porém, com um aumento de 83% do preço unitário da mão de obra entre 2003 e 2012, o Brasil continua sofrendo com a baixa competitividade em relação a seus vizinhos e aos grandes países emergentes. A diferença do custo da hora de trabalho entre o Brasil e seus concorrentes é impressionante: US$ 2,20 para o México; US$ 3,17 para a China; US$ 4,70 para o Chile, e US$ 11,10 para o Brasil, o que é bastante desfavorável para o país e comprime a produtividade, que também sofre com infraestrutura deficiente.

 

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O custo da mão de obra, porém, não é o único obstáculo ao crescimento econômico brasileiro. Segundo as últimas estatísticas relativas à infraestrutura (gráfico 5), o Brasil tem reportado dificuldade para melhorá-las, apesar dos vários projetos desenvolvidos por conta da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016. Isso é resultado de deficiências na qualidade das estradas, portos, aeroportos e ferrovias. As autoridades estão comprometidas em aumentar os investimentos em infraestrutura. Em 2012, a presidente Dilma Rousseff apresentou um plano de investimento maciço, que tem como base parcerias público-privadas para a construção de estradas, aeroportos e ferrovias. Apesar disso, os investidores continuam hesitantes em virtude dos processos internos, burocracia e pelo fato de muitos projetos estarem atrasados em relação a seus cronogramas: só 30% do orçamento previsto para o Programa de Aceleração de Crescimento II (PAC II) foi desembolsado até agora.

 

Conclusão

O “Custo Brasil” se tornou um problema para o país e o modelo de crescimento brasileiro, que tinha como base o consumo interno, deixou de funcionar. O crescente custo de vida e os gargalos de infraestrutura pesam, enquanto a cura para estagflação brasileira depende de reformas profundas, em especial na educação, o que permitiria aumentar o volume de mão de obra qualificada.

 

Reflexos sociais

Nos últimos vinte anos, a pobreza e as desigualdades foram reduzidas no Brasil, mas ainda há demanda por avanços, uma vez que existem desigualdades econômicas marcantes.

O aumento do PIB per capita tem sido impressionante (de US$ 7221 em 2007 para US$ 11.490 em 2012), acima do crescimento do PIB. Isso se deve, principalmente, ao aumento dos salários reais (entre 2007 e 2011, o crescimento médio anual foi de 11%), à elevação ainda maior do salário mínimo (+66%), ao crescimento do emprego formal e à estabilidade macroeconômica. O papel do crédito deve também ser salientado. A melhoria foi maior nas regiões e para os grupos mais desprivilegiados: Nordeste, camponeses, famílias numerosas e população negra. A redução da desigualdade foi significativa: o coeficiente de Gini (que avalia a desigualdade entre salários) melhorou fortemente (de 0,57 em 2000 para 0,51 em 2012). Um largo segmento da população passou a ter acesso ao consumo.

A redução da pobreza teve inicio doze anos atrás, em 2001, graças a medidas e reformas implementadas durante o governo Fernando Henrique Cardoso. O programa Bolsa Família, criado em 2003, pelo presidente Lula, permitiu às familiais mais pobres receber um valor médio de R$ 120 por mês (entre R$ 32 e R$ 306 reais, dependendo da renda da família e de sua composição), sob a condição de que as crianças estejam matriculadas na escola e vacinadas. Em 2011 a presidente Dilma Rousseff aumentou a quantia de dinheiro alocada no Brasil sem Miséria e, uma outra vez, em 2012, no Brasil Carinhoso. Atualmente 36 milhões de pessoas são beneficiadas, ou seja, 1/5 da população. Outro programa social importante é o Beneficio de Prestação Contínua, que é destinado aos idosos em situação precária e aos inválidos.

 

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A pobreza extrema (pessoas vivendo com menos de R$ 70 por mês) baixou então consideravelmente. Segundo o IPEA, em 2002, 14% dos brasileiros viviam abaixo do limite de pobreza extrema. Em 2009, esse percentual caiu para 9%. Com a extensão dos programas de ajuda social, o governo estima que todas as pessoas registradas no Cadastro Único (outro programa) foram retiradas da situação de pobreza extrema. Todavia, existem ainda 700 mil famílias de baixa renda que ainda não figuram nesse cadastro. O governo avalia que 2/3 delas são jovens e moram no Nordeste.

A última década viu emergir uma classe média de peso. Entre 2003 e 2012, cerca de 35 milhões de brasileiros saíram das classes D e E para integrar a classe C. A classe média baixa representa hoje 55% da população, contra 34% em 2005. O salário mínimo é hoje de R$ 678,00. A redução do desemprego foi o fator decisivo: a taxa de desempregados é atualmente de 5,8%. Além disso, o programa Minha Casa, Minha Vida, introduzido em 2009, e destinado às famílias de renda inferior a R$ 5 mil, atenuou a falta de moradia. No fim de 2012, 1 milhão de pessoas se tornaram proprietárias graças à essa ajuda de custo.

As demandas sociais, porém, continuam, por avanços no que se refere ao crescimento econômico, redução do endividamento das famílias, queda da inflação e melhoria da educação, saúde e habitação.

Apesar da redução das desigualdades, o coeficiente de Gini brasileiro segue sendo um dos mais altos entre os países emergentes. Os 10% mais ricos recebem 45% da renda total, enquanto os 10% mais pobres ficam com 1%.

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