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Tanto a imprensa nacional quanto a internacional divulgaram, há poucos meses, com grande alarde, a notícia de que o Brasil, a partir de 2011, passara a ocupar a condição de sexta maior economia mundial, superando a do Reino Unido.

O destaque deriva de uma matéria publicada pela revista inglesa “The Economist”, baseada em estimativas do PIBProduto Interno Bruto de vários países.

De acordo com aquela publicação, à nossa frente encontramse apenas os Estados Unidos (1º), China (2º), Japão (3º), Alemanha (4º) e França (5º). Separam-nos da França apenas 11,37% de crescimento adicional, o que pode ser alcançado até mesmo antes do ano 2020, de acordo com algumas projeções econômicas, o que nos possibilitaria também a conquista do 5º lugar mundial até lá.

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À primeira vista, o tema pode parecer muito auspicioso, principalmente pelo fato de a economia brasileira, em termos de tamanho, ter superado a inglesa e ainda mais se levarmos em consideração tratar-se do Reino Unido, um país desenvolvido, maduro e que até alguns cento e poucos anos atrás detinha o título de maior potência econômica mundial.

Numa retrospectiva mais de curto prazo, cabe destacar que há dez anos o PIB brasileiro ocupava o 12º lugar no ranking mundial e, portanto, assumindo a posição atual, a conquista , sem qualquer dúvida, bastante relevante. 

 

No entanto, uma pergunta crucial passa a permear esta nova classificação econômica do Brasil: será que efetivamente houve, de fato, um crescimento econômico vigoroso na produção de bens e serviços que justificasse todo esse formidável ganho de posições no ranking mundial?

Pib – Produto Interno Bruto 
Ranking das maiores economias – 2011

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O PIB – Produto Interno Bruto é a soma de todos os bens e serviços produzidos por um país em um determinado período de tempo, geralmente, num ano. Ele é expresso na moeda corrente do país de origem que depois é convertida para outra moeda, usualmente o dólar norte-americano.

Assim, a simples comparação de um período a outro já pode surgir e trazer distorções, porque os países estão sujeitos a processos inflacionários e as suas moedas podem sofrer valorização ou desvalorização, em relação às demais.

De acordo com o Banco Central, o PIB brasileiro somava US$ 553,603 bilhões ao final de 2003 – primeiro ano do governo Lula. Ao final de 2011, primeiro ano de governo Dilma, totalizava US$ 2.475,066 bilhões – significando um aumento de 347,08% no mesmo período.

Se analisarmos o mesmo período, utilizando-se também de estatísticas do próprio Banco Central, veremos que, ao final de 2003, em valores constantes de 2011 (ou seja, descontandose a inflação verificada) o PIB brasileiro somava R$ 2,975 trilhões, tendo alcançado R$ 4,143 trilhões ao final de 2011 – correspondendo, assim, a uma variação de apenas 39,26%.

Esse crescimento, cabe ressaltar, é quase exatamente o mesmo verificado no acumulado quando consideradas as taxas de variação anual do PIB divulgadas pelo IBGE-Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística e, coincidentemente, também similar à média do crescimento mundial encontrada para o mesmo período, divulgadas pelo FMI.

Em síntese, constata-se um verdadeiro descompasso entre as duas medidas de valor, em real e dólar americano.

Vamos a outros exemplos. De acordo com o Banco Central, em relação ao PIB brasileiro per capita (para mim este é um dos melhores indicadores para se medir a verdadeira riqueza das nações), em 2002, último ano do governo FHC, em valores constantes ele era de R$ 16.680,75. Em 2011 atingiu R$ 21.252,00. Portanto, a variação real verificada durante o período foi de apenas 27,40%. Claro, pois ele leva em consideração os efeitos do aumento populacional.

A distorção fica absolutamente nítida quando também se analisa o PIB per capita em dólar norte-americano. Neste caso, ocorre um salto de US$ 2.860,74 em 2003, para US$ 12.696,10 – o que corresponderia a uma variação de 343,80% no período.

Boa parte das distorções apuradas é explicada pela valorização da moeda brasileira em relação às demais e, principalmente, quanto ao dólar norte-americano. Através de tabela que apresentamos mais à frente, do Banco Central do Brasil, constata-se que o real sofreu uma valorização de cerca de 50% em relação ao dólar norte-americano, durante 2003 a 2011 (final de período), levando-se em consideração o desconto das respectivas inflações (IPCA no caso brasileiro e IPC, no americano).

 

EVOLUÇÃO E PROJEÇÃO DO PIB – Produto Interno Bruto – 2003/2013

Variação Anual – Em %

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Documento intitulado “World Economic Outlook – Growth Resuming, Dangers Remain”, divulgado pelo FMI – Fundo Monetário Internacional em 17 de abril último apresenta os principais indicadores da economia mundial, com as suas estatísticas e projeções para este e o próximo ano.

Em relação ao crescimento econômico do Brasil, as conclusões mais imediatas que se podem tirar do mesmo é que voltamos a crescer como rabo de cavalo (para trás e para baixo), apesar da ilusão de ótica que a valorização cambial manifesta de um PIB robusto.

De acordo com o FMI, durante 2011 – primeiro ano de governo Dilma Rousseff, o PIB brasileiro cresceu 2,7% e, portanto, inferior à média mundial de 3,5%. Foi também inferior à média dos países da América Latina (4,5%) e muito menor do que a média de 6,2% contabilizada pelos países emergentes e em desenvolvimento, dos quais fazemos parte.

Em relação aos países considerados BRIC não dá para comparar, pois ficamos em último lugar: Rússia 4,3%; Índia 7,2% e China, 9,2%.

Para este segundo ano de governo Dilma, as projeções do FMI também são pouco otimistas em relação ao Brasil, que deve apresentar desempenho econômico similar ao do ano anterior e apontam um crescimento do PIB de apenas 3,0% em 2012 (mesmo nível da média dos países da América Latina e Caribe) e, ainda, inferior à média mundial esperada de 3,5%. As economias emergentes e em desenvolvimento devem registrar crescimento médio de 5,7% muito superior ao nosso, enquanto nos países BRIC as perspectivas são de um crescimento de 4,0% da Rússia, de 6,9% da Índia e de 8,2% da China.

EVOLUÇÃO E PROJEÇÃO DO

PIB – Produto Interno Bruto – 2003/2012

Variação Acumulada no Período – Em %

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As projeções do FMI para 2013 indicam uma melhora da situação brasileira, com perspectivas da nossa economia alcançar um crescimento de 4,1%, nivelando-se à média mundial e à dos países da América Latina e Caribe. No entanto, em relação aos países emergentes e em desenvolvimento, o desempenho do PIB brasileiro continuará ainda bastante inferior, eis que aqueles atingirão uma média de 6,0% de crescimento. Quanto aos países BRIC, as projeções indicam um crescimento de 3,9% da Rússia, 7,3% da Índia e 8,8% da China.

Verificando os atuais números do documento apresentado e divulgado pelo FMI – e confirmando-se as projeções para 2012, podemos chegar à conclusão que durante os últimos dez anos de governos PT (oito de Lula e dois de Dilma) o itmo da economia brasileira vem sendo quase exatamente o mesmo apresentado pela média da economia mundial, ou seja, registraremos um crescimento acumulado de 45,13% contra 45,70% da média mundial, durante o mesmo período.

No entanto, no período exclusivo de Dilma Rousseff, a situação piora, seja no primeiro, no segundo ano de mandato ou no terceiro já projetado, o que se exigirá um enorme esforço no seu último ano (2014) para que voltemos a emparelhar ou a empatar o nosso crescimento no mesmo nível da média mundial.

 

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2012, podemos chegar à conclusão que durante os últimos dez anos de governos PT (oito de Lula e dois de Dilma) o ritmo da economia brasileira vem sendo quase exatamente o mesmo apresentado pela média da economia mundial, ou seja, registraremos um crescimento acumulado de 45,13% contra 45,70% da média mundial, durante o mesmo período.

No entanto, no período exclusivo de Dilma Rousseff, a situação piora, seja no primeiro, no segundo ano de mandato ou no terceiro já projetado, o que se exigirá um enorme esforço no seu último ano (2014) para que voltemos a emparelhar ou a empatar o nosso crescimento no mesmo nível da média mundial.

 

 

ÍNDICES DE TAXAS REAIS DE CÂMBIO

EM RELAÇÃO À MOEDA BRASILEIRA –

Final de Período*

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O FANTASMA DO DESEMPREGO

CONTINUA SOLTO

TAXA DE DESEMPREGO – 2012*

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Na minha opinião, esse resultado não nos é confortável, por vários motivos, em que pese a melhoria substancial na distribuição de renda nacional ocorrida no estágio anterior.

Não podemos ignorar que grande parte do nosso crescimento econômico advém já, há alguns anos, dos ventos favoráveis da economia mundial, com a melhoria substancial dos preços das principais commodities, das quais somos grandes exportadores. Essa situação não vai ser permanente, podendo se inverter, alertam vários especialistas.

De outro lado, devemos registrar, de forma positiva, a redução da taxa real de juros e a expansão do crédito bancário que, combinadas com os aumentos reais do salário-mínimo e a instituição do Programa Bolsa Família permitiram um novo patamar de consumo às famílias e, por consequência, de produção nacional de bens e serviços. Esse desempenho não vai mais continuar sendo no mesmo ritmo experimentado anteriormente, até porque as bases de comparação já deverão ser outras e as limitações, maiores.

O mais grave de todos eles, porém, é a inexistência de um plano ou um sistema nacional de metas de crescimento econômico vigoroso consistente, sustentado e sustentável, de médio e longo prazos. Até agora, o que se verifica são alguns crescimentos robustos do PIB – esporádicos, efêmeros, fortuitos ou simplesmente uma casualidade, como o que ocorreu em 2010, quando o país cresceu 7,5%.

Se o Brasil cresce no mesmo patamar do que a média mundial, isto significa que estamos correndo como numa esteira e ficando no mesmo lugar, ou seja, não avançamos. Esta que é a grande questão.

Não se trata de se receitar a volta ao passado de crescimentos econômicos da ordem de 10% ao ano. Em primeiro lugar, porque há uma barreira, em torno de uns 4,5% a 5,0%, que é o nosso PIB potencial e, para revertê-la, seriam necessárias inúmeras revoluções entre as quais a infraestrutural, a urbana e a educacional, além de outras reformas institucionais, como a tributária e trabalhistas, entre várias, as quais o governo não sinaliza com qualquer disposição de realizá-las. De outro, na época anterior, o aumento populacional era de cerca de 3,5% ao ano, equivalendo portanto, a uma variação do PIB per capita de 6,5% – o que equivaleria ao mesmo nível dos 7,5% alcançados em 2010.

Entendo que uma das preocupações maiores deva ser com a qualidade do crescimento. É importante acrescentar visceralmente a qualidade do crescimento no âmago de todas as questões de natureza econômica. Isto significa uma ênfase maior: à desburocratização e simplificação, principalmente a tributária; ao combate ao desperdício; à valorização da inovação tecnológica e da educação profissionalizante, além de vários outros relevantes, que serão temas de nossas próximas discussões.

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