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Por: Fernando Rodrigues

Mesmo com a vitória apertada no segundo turno das eleições, a presidente Dilma Roussef tem o apoio expressivo da maioria dos brasileiros para realizar as mudanças urgentes e necessárias que podem recolocar a economia no rumo certo. Esse reposicionamento é vital para se manter as conquistas dos últimos 20 anos, com a relativa estabilização da moeda desde o Plano Real e os programas sociais iniciados no governo de Fernando Henrique Cardoso e continuados e ampliados em larga escala nas gestões Lula e Dilma.
A escolha da nova equipe econômica demonstrou que a correção ocorre mais rápida do que se poderia esperar e foi bem recebida pelo chamado “mercado” e todos que acompanha a economia. A reconquista da credibilidade na política econômica deve atenuar as vozes dissonantes que porventura insistam em continuar se manifestando em todos os partidos políticos, inclusive PT e os que integram a base aliada do governo federal. Os debates acadêmicos acalorados entre os defensores das diversas tendências perdem o sentido diante da gravidade do quadro econômico vigente nesta virada de 2014 para 2015 e da necessidade de se buscar soluções práticas.
Felizmente, a presidente resolveu fazer o que tem ser feito e seus posicionamentos passados pertencem à história. O que se espera é que a autoridade eleita Dilma Roussef atue mais exclusivamente como Presidente da República e menos como bacharel em economia. A autoridade relativa conferida aos novos comandantes da política econômica deve perdurar para que eles possam fazer a chamada coisa certa e no devido tempo. Num primeiro momento, todo ajuste econômico torna-se recessivo, mas sem ele não se consegue promover o crescimento, manter o nível de emprego elevado e evitar que a inflação corroa os salários.
Reação favorável Os diversos ativos negociados no mercado financeiro tendem a continuar reagindo favoravelmente à reviravolta na política econômica desde a indicação dos novos ministros da Fazenda e Planejamento, Joaquim Levy e Nelson Barbosa, respectivamente, e da continuidade na presidência do Banco Central (BC), de Alexandre Tombini, mas repaginado e comprometido com as novas metas das políticas fiscal, financeira e monetária da nova gestão no governo. O que mais se espera é a recomposição dos preços das ações principalmente após a Presidente conseguir colocar novamente estatais importantes como a Petrobras e Eletrobras no caminho certo.
Não era possível ao País continuar com a política fiscal descontrolada ao lado das previsões catastróficas para 2015 apuradas pelo boletim Focus do dia 24 de novembro passado, antes da indicação da nova equipe econômica. Aquela pesquisa realizada pelo BC junto aos principais players do mercado financeiro apontava crescimento econômico (PIB) de apenas 0,8% para 2015, ao lado de inflação de 6,45% quase no teto da meta fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), além de modesto superávit comercial (exportações menos importações) de U$ 6,5 bilhões e dólar na faixa de R$ 2,65.
E para completar esse cenário pouco alvissareiro, a taxa Selic (juros básicos da economia) próxima dos 12% ao ano em 2015.
O mesmo boletim Focus previa, antes do anúncio da nova equipe econômica, inflação para 2014 de 6,43%, taxa Selic de 11,50% ao ano, dólar a R$ 2,55, crescimento econômico praticamente zerado, de 0,2%, e superávit comercial também praticamente zerado. O provável reajuste mais acentuado da taxa Selic nos próximos meses deve favorecer os aplicadores de recursos nas principais modalidades como fundos DI, os que acompanham a alta dos juros, Certificados de Depósitos Bancários –CDBs, títulos públicos, principalmente se este tradicional instrumento da política monetária, ao lado das outras medidas a serem tomadas, obtenham sucesso no combate à inflação.
O investidor terá que ficar atento para a virada. Ou seja, sair da hora certa das aplicações financeiras que acompanham a alta dos juros para os papéis prefixados quando houver a reversão da inflação. A Selic voltará a cair quando a política econômica alcançar sucesso nos próximos meses.
Os mais pessimistas acreditam que 2015 e 2016 serão anos de ajustes e que a economia só voltará ao crescimento acima dos 3% em 2017. Mas sempre é possível o ajuste mais rápido e a correspondente volta do crescimento neste mesmo ritmo.
Só começou O grande desafio só começou como admitiu representante da Moody’s no Brasil: “o futuro do rating do País ainda depende da demonstração de que as reformas econômicas necessárias serão feitas”, afirma a Moody’s. Para aquela agência de classificação de riscos de crédito, o que realmente determinará o futuro do rating do País é a capacidade da nova administração de reverter a tendência de deterioração nos indicadores fiscais, no crescimento e na confiança.
A Moody’s tende então a dar um prazo para a implementação das medidas antes de tratar do temido rebaixamento da nota de crédito do Brasil, o que implicaria na maior dificuldade para o País obter crédito externo e a taxas maiores e no recebimento dos investimentos estrangeiros necessários ao fechamento do déficit no balanço das contas correntes (todo o movimento com exterior) da ordem de US$ 83 bilhões em 2014.
Ao analisar as primeiras declarações da nova equipe econômica, a corretora Solidus, de Porto Alegre, afirmou que em uma guinada da política econômica, a presidente Dilma Roussef começará seu segundo mandato com metas fiscais definidas até 2017 e passará a utilizar a dívida bruta que inclui as transferências do Tesouro Nacional para os bancos, como principal indicador dos resultados das contas públicas.
O objetivo anunciado pela nova equipe econômica do governo é estabilização e declínio da relação dívida bruta do governo federal como percentual do PIB e fazer com que a inflação volte ao centro da meta que é de 4,5% ao ano, em 2016. O novo ministro da Fazenda se comprometeu com um superávit primário (reserva para pagar os juros anuais da dívida mobiliária interna) de 1,2% do PIB para o setor público consolidado no próximo ano.
As novas metas pressupõem que não haverá aumento no estoque de recursos que o Tesouro Nacional já injetou nos bancos públicos e que totalizam R$ 507 bilhões. O crédito ficará, portanto, mais escasso nos bancos públicos, especialmente na espécie de “Bolsa BNDES”, os recursos que grandes empresas tomaram no banco estatal a juros de 5% ao ano com prazos de carência e com os aportes vultosos que o governo realizava mediante recursos captados a custos bem elevados, a taxa Selic, no mercado. Esse incentivo de crédito revelou-se inócuo diante do comportamento quase negativo do PIB: próximo de zero e diante de inflação anual da ordem de 6,5% em 2014.
Alexandre Tombini, presidente do BC, também deu sua guinada, ao afirmar que não será complacente com a alta generalizada dos preços e que pretende garantir um cenário de convergência da inflação para o centro da meta de 4,5% ao ano, no horizonte para política monetária, que é 2016. Em 2013 e durante 2014, o BC foi muito criticado por se manter complacente com a inflação e até reduzir a taxa Selic quando deveria realizar movimento contrário.
Câmbio e Petrobras A nova equipe econômica dificilmente terá condições de deixar o câmbio flutuar livremente já que a valorização expressiva do real frente ao dólar pressionaria a inflação. As pessoas que vão para o exterior e os que se endividam na moeda estrangeira devem ficar atentas a alguns fatores. Mesmo com a recente alta e na faixa de R$ 2,60 no câmbio comercial, o dólar não está tão alto. De acordo com estudos do Insper, na atual faixa dólar está próximo do patamar de 1994, lançamento do Plano Real quando US$ 1,00 valia R$ 1,00.
Pelos cálculos do Insper, mediante atualização pelo IPCA, o dólar deveria valer atualmente R$ 4,11. Deduzida, no entanto, a inflação dos EUA, no período, R$ 4,11 equivaleria atualmente a US$ 1,61. Ou US$ 1,00 da época do Plano equivaleria hoje a R$ 2,55, valor 1,69% menor do que há 20 anos.
Levantamento da consultoria Economática mostra que a Petrobras liderou as companhias brasileiras entre as maiores quedas de valor de mercado (soma de todas as suas ações). Desde o final de 2010, o valor de mercado de Petrobras vdecresceu de R$ 380 bilhões para R$ 179 bilhões no dia 24 novembro passado. A variação negativa foi de 200%.
A segunda maior queda em valor de mercado foi da mineradora Vale. A perda foi de 159% no mesmo período. Seu valor de mercado decresceu de R$ 275 bilhões do final de 2010 para R$ 115 bilhões no dia 24 de novembro. Devido ao ainda grande peso da Petrobras e Vale na formação do índice das ações mais negociadas na Bovespa/BM&F, é fácil entender o fraco comportamento da bolsa brasileira nos últimos anos. 

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