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Um grande evento está sendo programado pela revista MercadoComum, para ser realizado na sua sede, em Belo Horizonte, no dia 12 de dezembro próximo. O motivo é a comemoração das bodas de prata – 25 anos de existência – do BDMG Cultural, criado em dezembro do ano de 1988 pelo então presidente do BDMG e presidente/Editor Geral de MercadoComum, Carlos Alberto Teixeira de Oliveira.

No mesmo evento, ocorrerá o lançamento do movimento “Cultura é Desenvolvimento”, destinado a incrementar e incentivar atividades relacionadas com a cultura no Estado. Será estudada uma grande programação com vários desdobramentos já a partir do ano que vem, aproveitando-se das várias e ricas experiências, entre elas, a do próprio BDMG Cultural.

Na oportunidade, a revista MercadoComum homenageará as pessoas que participaram da iniciativa de criação do BDMG Cultural e as que se destacaram no incentivo à cultura em Minas. O evento deverá contar com a presença e participação de mais de 200 convidados especiais, inclusive, alguns da mídia mineira

Serão convidados funcionários e ex-funcionários do BDMG e outras pessoas que encamparam a ideia e colaboraram com o presidente da instituição na implantação da entidade, que veio preencher uma lacuna no cenário cultural de Minas e que foi pioneira no setor e inspirou outras empresas e bancos a também criarem o seu setor cultural.

Criado com o objetivo de promover a cultura de Minas Gerais, o BDMG Cultural foi responsável por uma verdadeira revolução no cenário da cultura no Estado, com a implantação da galeria de arte do BDMG, pelo lançamento de novos talentos mineiros e pela abertura de espaço para artistas mineiros tanto na música como nas artes plásticas.

A maior realização do BDMG Cultural, em todos os tempos, foi, sem dúvida a restauração do Santuário do Caraça, onde foram investidos mais de um milhão de dólares na recuperação das ruínas da sua principal edificação, destruída por um incêndio devastador. Esta obra garantiu a preservação de um dos maiores acervos culturais do estado, por onde passaram e estudaram vários governadores e presidentes da república.

Outra iniciativa do presidente do BDMG, Carlos Alberto Teixeira de Oliveira, destinada a complementar as atividades do BDMG Cultural, foi a criação, em abril de 1989, do Coral BDMG, formado, inicialmente, por funcionários e familiares de funcionários e que se consolidou ao longo dos anos, já tendo vários DVS e CDs gravados. O Coral do BDMG tem feito apresentações em todo o Brasil e no exterior, destacando-se as realizadas na Argentina, no Paraguai, em Portugal e muitos outros países. O Coral conseguiu formar um repertório baseado na música brasileira, que inclui desde a música clássica até a popular.

No início de suas atividades, o BDMG Cultural partiu para prestigiar artistas mineiros, tendo lançado séries e promoções que marcaram época, como a série “Viola e Violões”, com apresentações memoráveis, como as de Renato Andrade, Paulinho Pedra Azul, Juarez Moreira, Edson Aquino. Nivaldo Ornelas, Robertinho Brant, Mauricio Tizumba, o grupo Uakti, além de muitos outros profissionais mineiros.

A galeria de arte foi responsável pelo lançamento de novos talentos e ainda abrigou artistas consagrados, como Franz Weismann, Fernando Luchesi, Mônica Sartori e Vicente Abreu.

Muitos eventos foram realizados pelo BDMG Cultural, a partir de sua criação, envolvendo lançamento de livros, exposições, shows de música popular, recitais, apresentações do Coral do BFMG.

 

O início do BDMG Cultural

“Cultura é Desenvolvimento”. Com esse slogan, a gestão de Carlos Alberto Teixeira de Oliveira na presidência do BDMG – Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais S.A. promoveu uma verdadeira revolução nos meios culturais de Minas, ao criar e lançar, em 14 de dezembro de 1988, de forma pioneira no país, o “Instituto BDMG Cultural”, visando à promoção e o incentivo às ações e manifestações culturais do Estado.

Não se pode dissociar cultura de desenvolvimento e, entre as mais de duzentas atividades culturais desenvolvidas pela instituição no período, destacaram-se ainda a criação do Coral BDMG; a criação dos Prêmios Minas de Jornalismo; de Economia; de Literatura; de Tecnologia; de Corais; a restauração completa do Colégio Caraça e a sua abertura à sociedade; o lançamento das Séries Compositores Mineiros; Violas e Violões; o lançamento da Série Governadores de Minas; a implantação da Galeria de Artes BDMG Cultural e o apoio ao Programa Sempre um Papo.

Criado em conjunto com a Associação dos Funcionários da instituição, todo o trabalho prestado ao BDMG Cultural era voluntário, sem qualquer tipo de remuneração, inclusive, por parte de seus dirigentes. Conforme os estatutos e durante a sua gestão o cargo de presidente era ocupado pela presidência da instituição e o de diretor-executivo por Silviano Cançado Azevedo, funcionário de carreira do banco, tendo antes também exercido a sua presidência. Tal critério deixou de existir nos anos subsequentes.

Cabe destacar que Carlos Alberto Teixeira de Oliveira, ao deixar o BDMG em 1990, pôde contabilizar, registrados como patrimônio do Instituto BDMG Cultural: uma casa e terreno entre as ruas Espírito Santo e Bernardo Guimarães destinados à futura construção do Museu do Desenvolvimento de Minas Gerais (avaliados atualmente em mais de R$ 5 milhões) e um saldo em caixa equivalente, em dólares norte-americanos da época, de US$ 1,7 milhão. Tudo isso ocorreu, não obstante inúmeros outros investimentos culturais realizados, ressaltando que somente a restauração do Caraça importou em um custo superior a US$ 1,5 milhão – em valores de dólares norte-americanos à época. Vale mencionar, ademais, que também se planejava a criação do Vale Cultura, tendo sido obtida aprovação de projeto neste sentido sob o amparo da Lei Sarney, que concedia incentivos fiscais às atividades de natureza cultural. Tal iniciativa não prosperou, devido ao confisco de recursos promovidos no início do Governo Collor.

 

A criação do BDMG Cultural – Cultura é Desenvolvimento

(Relato de Silviano Cançado sobre a implantação do Instituto Cultural BDMG – BDMG-Cultural)

“Durante 16 anos, de março de 1971 a março de 1987, estive afastado do dia a dia do BDMG ocupando cargos em outros setores do governo, sempre cedido pelo Banco. Mas, foi a partir de junho de 1988 que pude prestar novo e expressivo serviço à minha Casa, com o início da gestão do presidente Carlos Alberto Teixeira de Oliveira. Na primeira semana, Roberto Pereira da Silva me acompanhou em uma visita ao novo presidente: nossos cargos eram de assessoria da presidência. Levei uma ideia: registrar sistematicamente a memória do desenvolvimento mineiro, considerando-o de forma ampla: econômica, social, política, artística e memória do próprio BDMG. Inteligente e rápido em suas criteriosas decisões, Carlos Alberto aceitou de pronto nossa sugestão e nos sugeriu pensar em algo mais ousado e com dimensão maior e, porque não, na criação de um instituto, já que considerava não poder dissociar cultura de desenvolvimento.

Em 12 de julho de 1988, Carlos Alberto designou a Comissão para preparar o projeto Pró-Memória do BDMG, sob a minha coordenação. Apresentado o projeto ao presidente decidiu-se criar órgão mais abrangente: evolução do Pró-Memória para constituir o Instituto Cultural BDMG, aproveitar os recursos de incentivos fiscais a Cultura – a chamada Lei Sarney –, ocupar os magníficos espaços disponíveis no Banco e fazê-lo ser muito mais conhecido.

Em 30 de agosto de 1988, encaminhamos ao presidente Carlos Alberto a “Proposta para a criação do BDMG Cultural”, assinada por Silviano Cançado Azevedo (coordenador), Aristóteles de Faria Filho, Jadir Barroso dos Santos, José Luiz de Araújo Rezende, Maria de Lourdes Bicalho Hygino, Maria Lúcia Praxedes Leite – a Malluh Praxedes –, Mauro Rodrigues Andrade, Odilon Martins Guimarães, Pedro Augusto Junqueira Ferraz e Sílvia Furquim Werneck Parish.

No dia 19 de setembro de 1988, o presidente do BDMG criou a Comissão Normativa Permanente do BDMG Cultural, com as finalidades de: I. “Definir diretrizes, eventos e quaisquer outras atividades relativas ao BDMG Cultural; II. Manter e preservar o acervo de valor histórico referente à atuação do BDMG no processo de desenvolvimento do Estado; III. Registrar a participação do BDMG nas atividades de fomento do Estado; IV. Formalizar convênios que permitam a sua efetiva participação no processo de desenvolvimento do Estado; V. Promover atividades culturais e incentivar os iniciantes nas artes plásticas, música, literatura etc.; VI. Praticar outros atos necessários ao funcionamento do BDMG Cultural. Art. 3º Designar os funcionários abaixo discriminados para participarem da referida Comissão: Silviano Cançado Azevedo, Aristóteles de Faria Filho, Gilson José Athayde Menezes, Jadir Barroso dos Santos, José Luiz de Araújo Rezende, Maria de Lourdes Bicalho Hygino, Maria Lúcia Praxedes Leite, Mauro Rodrigues de Andrade, Odilon Martins Guimarães, Pedro Augusto Junqueira Ferraz, Silvia Furquim Werneck Parish.”

A Diretoria Executiva aprovou por unanimidade e com elogios a criação do BDMG Cultural em 12 de outubro de 1988. Ela era composta pelo presidente Carlos Alberto Teixeira de Oliveira, vice-presidente Murilo Paulino Badaró e diretores Paulo Brant, Manoel Raimundo, Paulo Donnard e Manoel Laviola.

O Conselho de Administração, constituído por Carlos Alberto Teixeira de Oliveira, que se encontrava no exercício da presidência, Alípio Pires Castelo Branco, Glycon Terra Pinto, Hilton Cobério dos Santos Amaral, Jorge Ferraz, Maria Cristina Araújo Campos, Nansen Araújo e Raymundo Cândido, também aprovou sua criação com enorme satisfação.

O Instituto Cultural foi registrado no Cartório Gero Oliva em 2 de dezembro de 1988 e no Ministério da Cultura – Ministro José Aparecido de Oliveira – em 7 de dezembro de 1988. O BDMG Cultural foi liberado para atuar nas áreas de Arqueologia, Artesanato, Biblioteca, Conservação, Folclore, Fotografia, Literatura, Ópera, Arquivo, Artes Plásticas, Dança, Edição, Imprensa, Museu, Música, Pesquisa, Restauração e Teatro.

Assumiu a Presidência do Conselho Deliberativo do Instituto Cultural Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais – BDMG Cultural – o presidente do BDMG, Carlos Alberto, tendo como vice o presidente da AFBDMG, Marco Antônio Rodrigues da Cunha; uma secretaria executiva com três membros, sendo todos funcionários do Banco, ativos ou aposentados, era o órgão gestor. Havia, também, a Comissão Normativa Permanente e um Conselho Fiscal, igualmente pertencente ao quadro funcional do Banco. Desta forma, o BDMG Cultural operava de fato conforme o interesse do Banco e sem ‘ônus’, já que nenhum dirigente ou conselheiro recebia qualquer vantagem pecuniária por participar da sua administração.

A Secretaria Executiva foi formada pelo Secretário-Executivo Silviano Cançado Azevedo, subsecretário de Desenvolvimento Mauro Rodrigues de Andrade, subsecretário Administrativo e Financeiro Roberto Pereira da Silva.

Faziam parte da equipe executiva do Instituto, ainda, o chefe de Gabinete Eduardo Lopes de Vasconcelos, a coordenadora de Eventos Malluh Praxedes, a coordenadora operacional Elizabeth José dos Santos, o assessor Marcos Antônio Loureiro e as secretárias Maria Aparecida da Silva e Lêda Petrina.

O Conselho Fiscal era composto pelos servidores Paulo Eduardo Rocha Brant, Mônica Glauce da Fonseca S. Teixeira, Maria Lúcia Azeredo M. Fonseca, como efetivos, e os suplentes Júlio Antônio Lima, Fernando Palhares e Carlo Duílio Pinto Taranto.

Durante o tempo que fui cedido pelo Banco ao Ministério de Desenvolvimento e Reforma Agrária, atendendo a solicitação formal do Ministro Leopoldo Bessone, fui frequentemente ao Ministério da Cultura e entendia-me com o chefe de Gabinete Ângelo Oswaldo e com o ministro José Aparecido. Gostava de conversar com eles. Ao mesmo tempo cuidava do andamento do nosso processo.

No dia 14 de dezembro de 1988, o BDMG Cultural foi inaugurado com exposição de obras de Guignard e espetáculos musicais com as presenças do ministro da Cultura, do governador do Estado, do presidente da Academia Mineira de Letras, outras autoridades e o mundo artístico mineiro. Estávamos sendo pioneiros.

A primorosa equipe do BDMG Cultural teve responsáveis por 14 Núcleos de Apoio Técnico: Artes Plásticas (Malluh Praxedes e Edmur Fonseca); Artesanato (Dhéia Fontes Mattos); Conservação (Maria de Lourdes Bicalho Hygino e Pedro Augusto Junqueira Ferraz); Dança (Eliane Teixeira Hardy Rocha); Edição de Livros (Jadir Barroso dos Santos, José Luiz Araújo Resende e Edmur José Fonseca); Folclore (Dhéia Fontes Matos e Marília Salgado Gontijo); Fotografia (Jadir Barroso dos Santos); Imprensa Periódica (Jadir Barroso dos Santos e Malluh Praxedes); Museu (Sílvia Furquim Werneck Parish); Música (Malluh Praxedes); Pesquisa (Pedro Augusto Junqueira Ferraz); Restauração (Maria de Lourdes Bicalho Hygino, Pedro Augusto Junqueira Ferraz e Wagner Túlio de Faria Pereira); Teatro (Wagner Túlio de Faria Pereira); Eventos Internacionais (Sandra Elizabeth Rodarte Azeredo).

“Nos primeiros cinco anos de existência foram realizados 402 eventos, cobrindo os setores de música, restauração, artes plásticas, teatro, história, pesquisa, literatura, conferências e palestras.

Dos eventos mais significativos, destacam-se a restauração do edifício sinistrado em 1968, integrante do conjunto arquitetônico do Colégio Caraça, entregue à população em 18 de abril de 1990, com as participações na linha de frente de Pedro Junqueira, Maria de Lourdes Hygino e Marcos Loureiro; a doação da estátua de Juscelino Kubitschek, para a Praça JK, na Av. Bandeirantes em Belo Horizonte, entregue à população em 20 de novembro de 1992; o patrocínio em conjunto com outras empresas da instalação do Museu de Paleontologia no Museu de História Natural da UFMG, inaugurado em 15 de outubro de 1993.

Cerca de 150 músicos se apresentaram no Auditório Paulo Camillo Penna, do BDMG, nos projetos produzidos pelo BDMG Cultural: “Violas & Violões” (1989), “Salve o compositor popular!” – Série Compositores Mineiros (1989/1990), “Projeto Instrumental” – Série Compositores Mineiros (1990), “O compositor e a cantora” – Série Compositores Mineiros (1991), “Convite Instrumental” – Série Compositores Mineiros (1992), “Minha voz, meu instrumento” – Série Compositores Mineiros (1993), que contaram com amplo apoio de empresas patrocinadoras como Coca-Cola, Kaiser, Jornal de Casa, Jornal Estado de Minas, Rádio Alvorada, Restaurantes Chico Mineiro, Buona Távola, Frederico Steak House, Hotéis Real Palace, Othon Palace e Évora Palace e Vasp.

Na área literária, o BDMG-Cultural instituiu o “Prêmio BDMG Cultural de Literatura” editando três livros premiados por ano, sempre em parceria com a Academia Mineira de Letras – Presidente Vivaldi Moreira – nas categorias Romance, Contos, Crônicas, Dramaturgia, Ensaios, Poesias.

Criamos, também, o Coral BDMG sob a responsabilidade da nossa colega Marília Salgado e o “Prêmio Minas de Economia” em parceria com o Corecon (1988). Divulgamos os depoimentos de ex-presidentes do BDMG e Conselheiros na série ‘”BDMG, Memória e Desenvolvimento”, assim como biografias de políticos mineiros.

Ainda na gestão de Carlos Alberto Teixeira de Oliveira adquirimos o terreno da esquina das ruas Bernardo Guimarães com Espírito Santo, prolongamento do anexo do BDMG, e deixamos elaborados e aprovados pela Prefeitura de Belo Horizonte e com autorização do governador Newton Cardoso os projetos arquitetônicos – arquiteto Humberto Serpa – e de engenharia com recursos financeiros necessários – conseguidos pelo Presidente Carlos Alberto junto a Diminas – Distribuidora de Títulos e Valores de Minas Gerais, para implantar o Museu do Desenvolvimento e a Praça da Cultura – Memorial do Desenvolvimento –, ápice do BDMG Cultural. Na ocasião, o artista plástico Amilcar de Castro ofereceu a criação de uma escultura para o que denominamos “Portal do Desenvolvimento”, que seria feita com material doado pela Usiminas.

Sentindo a impossibilidade de concretizar o “Memorial”, apesar de possuirmos recursos financeiros compatíveis para sua execução, optei por afastar-me da direção do BDMG Cultural em 7 de julho de 1993 com o coração partido. Seu Estatuto foi modificado e…”

 

BDMG Cultural – A marca do pioneirismo

Jadir Barroso

No início de sua gestão na presidência do BDMG, o economista Carlos Alberto Teixeira de Oliveira manifestou a ideia de criar um órgão específico destinado promover e incentivar a cultura em Minas Gerais. Para tanto, designou um grupo de trabalho, do qual eu fazia parte, juntamente com a Malluh Praxedes, o Silviano Cançado Azevedo e outros funcionários do banco.

Por orientação do presidente Carlos Alberto, o novo órgão não traria custo nenhum para o BDMG. Todos os seus colaboradores seriam funcionários do banco e, portanto, não receberiam qualquer salário ou remuneração. Os seus diretores seriam remunerados ou não? De jeito nenhum. Seriam também funcionários do BDMG. E assim foi feito, com os serviços prestados por diretores e colaboradores, a custo zero.

E os custos de sua implantação e os recursos para alavancá-lo? A decisão do presidente era no sentido de que o novo órgão não poderia trazer custo nenhum para o Banco. E assim foi feito. Quanto custou para o BDMG a implantação do BDMG Cultural e os primeiros anos de seu funcionamento? Nada! Custo zero.

Desde então, participei ativamente de todas as providências visando a criação deste relevante órgão de cultura do BDMG e de Minas. Incumbido de sugerir qual seria o nome mais apropriado, desde o início das reuniões, defendi a tese de que o novo órgão deveria ter a marca BDMG no nome. Como não havia nenhum parâmetro em que nos baseássemos, sugeri o nome BDMG Cultural, que acabou sendo adotado.

E os estatutos, como seriam redigidos? Parti, então para elaborar um esboço de estatuto que fosse o mais abrangente possível, que pudesse contemplar todas e quaisquer atividades de cultura em Minas Gerais. Naquela época, nenhuma empresa, banco ou órgão público ou privado tinha um órgão destinado a incentivar a cultura em Minas Gerais. Daí a marca do pioneirismo do Instituto BDMG Cultural.

Definido o nome e aprovados pela comissão os estatutos, submetemos ao presidente do BDMG a conclusão dos trabalhos da equipe tendo sido aprovada. O BDMG Cultural iniciou suas atividades a todo vapor, porque veio preencher uma lacuna que ocorria na área de cultura de Minas Gerais e passou a ser uma realidade sem despesas para o BDMG.

De início, foi implantada uma galeria de arte, sendo feita uma grande programação incentivando artistas mineiros. Abriu se espaço para o surgimento de novos talentos, criou-se o Coral do BDMG e iniciou-se uma vasta programação de atividades, sempre a custo zero para o BDMG. A maior realização do BDMG Cultural foi, sem dúvida, a restauração do santuário do Caraça.

Hoje, seguindo o exemplo do BDMG, muitas empresas têm seus órgãos culturais, o que significa que a semente plantada pelo presidente Carlos Alberto continua dando muitos frutos não apenas em Minas, mas em todo o Brasil.

Pode ser que algum desavisado chame de saudosismo. Ou de outra maneira qualquer. O importante é a emoção da lembrança: 25 anos atrás. Fazer parte de uma data não é vergonha não, é orgulho. Há 25 anos atrás, exatamente no dia 14 de dezembro de 1988, inauguramos o BDMG Cultural. Inauguramos, sim, diversos funcionários do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais, por determinação do então presidente Carlos Alberto Teixeira de Oliveira, depois que um ex-presidente da Instituição sugeriu que se criasse um instituto pró-memória.

Desafio apresentado e outro desafio à vista: o novo presidente do Banco sugeriu que empenhássemos em utilizar os espaços ociosos em sala de teatro, galeria de arte e jardim cultural. Foi uma delícia aumentar todas as nossas expectativas para transformar um sonho pequeno em uma grande realidade. A partir dali estava surgindo um novo instante no Brasil. Até aquela data não se falava em espaço destinado à cultura. Desde então, todos os centros de arte são denominados ‘… Cultural’. Repare e remonte seus conhecimentos.

Para a inauguração, sugeri dois projetos: apresentação dos meus adorados “Uakti” – grupo de música instrumental formado por Paulo Santos, Décio Ramos e Artur Andrés, comandados pelos instrumentos criados pelo genial Marco Antonio Guimarães. Naquela mesma noite – já era horário de verão, Elza Costa, então produtora do grupo suou muito para conseguir trazer todos os instrumentos do Uakti que estavam presos em algum lugar depois de chegarem talvez da América. Mas chegaram todos e o Uakti pode impressionar uma plateia linda – inclusive meus queridos pais – com a Bacchiana nº 5 de Villa-Lobos, interpretada em bacias d’água.

No corredor cultural eu autografei meu primeiro livro de contos “Setilha”, considerado o primeiro trabalho aprovado pela CNP – Comissão Normativa Permanente.

E por lá permaneci por 20 anos, criando projetos que me dão muito orgulho. Em 2001, coloquei no mercado meu orgulho maior: Prêmio BDMG Instrumental somente para compositores mineiros, que, além de concorrer com duas músicas autorais teriam que apresentar uma música arranjada especialmente para o concurso.

Foram 10 anos cuidado para que o prêmio não saísse de circulação. Em 2003 o prêmio passou a fazer parceria com o Sesc Pompeia e depois dali todos os vencedores mostravam seu trabalho no Sesc Instrumental e em outro projeto do Sesc São Paulo.

Uma comissão julgadora de alto nível fez com que o prêmio ganhasse fama nacional. Fiz palestra no Rio de Janeiro para falar sobre a criação do BDMG Instrumental. Fiz parceria com o Tudo é Jazz e dois vencedores se apresentaram em Ouro Preto, quando o festival estava em plena forma. Teatro lotado.

Com a Usicultura – da Usiminas – levamos os vencedores a Ipatinga, por três anos consecutivos. Com a Prefeitura de Nova Lima fizemos parceria também para que os vencedores se apresentassem no Teatro Municipal. Todos os cachês eram bancados pelas instituições parceiras.

Em 2002, criei o Jovem Instrumentista BDMG, a fim de dar oportunidade a jovens com idade máxima de 25 anos de estudarem com grandes nomes da música mineira. Ali surgiram nomes que hoje ocupam o mercado da música instrumental como Felipe Fantoni, Warley Henrique, Frederico Heliodoro, Thiago Delegado, Matheus Barbosa, Arthur Rezende, apenas para citar alguns.

Esses jovens, depois de estudarem com nomes como Juarez Moreira, Celso Moreira, Geraldinho Alvarenga, Enéias Xavier… iam fazer parte do projeto “Cantores Daqui” dirigidos por Ivan Corrêa e posteriormente por Túlio Mourão e Cléber Alves. A cada show eles aprendiam a tocar 15 músicas, como acompanhantes. E essas músicas nunca se repetiam, e sempre se homenageava um compositor falecido. Assim eles aprenderam a tocar Luiz Gonzaga, Dolores Duran, Tom Jobim, Cartola… e acompanharam cantores como Marina Machado, Selmma Carvalho, Regina Souza, Aline Calixto, Juliana Perdigão, Pedro Morais, Kadu Viana…

Em 2010 recebi das mãos do diretor presidente Jota Dangelo uma placa de reconhecimento pela criação e coordenação do Prêmio BDMG Instrumental. Não dá para esquecer. Para sempre olharei com orgulho um projeto que nasceu pequeno e que graças ao Carlos Alberto Teixeira de Oliveira e ao Silviano Cançado Azevedo pude dar asas à imaginação. E devo confessar que foi além, muito além do que imaginei um dia.

 

Cultura e desenvolvimento

A criação do BDMG Cultural há 25 anos teve origem na percepção de Carlos Alberto Teixeira de Oliveira e Silviano Cançado de que na esfera de atuação do Banco havia uma lacuna que precisava ser preenchida e que lhe assegurasse condições para cumprir o seu papel com maior efetividade e abrangência. A compreensão e determinação desses dois ilustres ex-presidentes do BDMG sobre a relevância de se abrir uma porta com caráter específico e exclusivo para o segmento cultural, enriquece a história de uma instituição pública marcada pelo vanguardismo de suas iniciativas.

A leitura de texto de autoria do ex-Ministro da Educação e Cultura Eduardo Portela (Revista Estudos Avançados da USP/ nº 69, 2010) permite que se reflita sobre o significado da palavra “desenvolvimento”, quando se refere a um país, estado, cidade e povo, e fortalece a convicção de que, nesse sentido, prescinde de adjetivo. Quando, por exemplo, em 1982, o antigo BNDE incorporou o “S” de Social, melhor seria se tivesse excluído o “E” de “Econômico”.

“No início da década de 1960, predominava na cena pública brasileira uma descontrolada turbulência, que nos empurrava para opções maniqueístas. Escolhas limitadas, antes ideológicas do que verdadeiramente políticas. Degladiavam-se o que preferi chamar de etiquetas esvaziadas. De um lado, a direita obtusa e anacrônica, e de outro, a esquerda predatória e fundamentalista. Foi quando imaginei a necessidade de criar uma tribuna, emancipada, receptiva, imune às pressões ideológicas tanto do capitalismo selvagem quanto da vulgata marxista”.

Coincidentemente, a concretização da iniciativa acima relatada se dá em 1962, ano da criação do BDMG e, em torno dela, congregou nomes expressivos do meio cultural brasileiro, nconscientes de que a sua participação e engajamento eram imprescindíveis para o desenvolvimento do país. O texto que registra a motivação para a criação da Revista explicita claramente esse propósito:

A Revista “’Tempo Brasileiro’ é um esforço coletivo de trazer uma reflexão objetiva, isenta, consequente, sobre e para o desenvolvimento brasileiro. Não se trata de mais uma revista. Trata-se de um órgão de militância, intransigentemente comprometido com a condição humana e a causa do Brasil”. “O intelectual brasileiro tem importante tarefa a cumprir na solução dos problemas nacionais. É preciso que ele saiba repudiar a pilatização. É imprescindível que ele não vacile em sujar as mãos na luta do desenvolvimento”. “O subdesenvolvimento enclausura o homem na pauta da simples e trágica subsistência”.

O BDMG nasceu com o nome adequado, mas somente a partir da segunda metade dos anos 1980 os seus quadros se dão conta das lacunas que ainda estavam presentes no escopo de sua atuação. Na realidade, ações de caráter eminentemente social partiram de iniciativas de seus servidores, através de sua Associação de Funcionários. Por exemplo, o engajamento na Campanha de Combate à Fome, de iniciativa do sociólogo mineiro Herbert José de Souza (Betinho), no início dos anos 1990.

Em 1988, com a criação do BDMG Cultural, o “D” de Desenvolvimento se completa e se justifica em plenitude. Foi uma iniciativa pioneira e ousada, que serviu de estímulo e modelo para outras iniciativas semelhantes no âmbito de outras empresas e organizações públicas e privadas.

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