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por Cesar Vanucci 
 
Para imenso pesar de sua legião de amigos, Jadir Barroso transpôs recentemente a curva da estrada. Passou a não mais ser visto, como na lírica descrição de Fernando Pessoa sobre o fim comum a todos os mortais. Tai trajetória jornalística cintilante. Jadir granjeou em vida admiração de um mundão de gente por haver se revelado infatigável combatente das boas causas. Um semeador da palavra social.
 
Sabia fixar magistralmente o sentido das palavras em lúcidos comentários acerca da conjuntura política, social e econômica. Fruto de profícuo labor profissional, estendido por mais de meio século, deixou contribuição valiosa em informações sobre acontecimentos marcantes da vida mineira e brasileira. 
 
O livro “Meandros do Poder – corrupção, traições, incompetências, descréditos, quimeras”, trazido a lume após sua partida graças ao fraternal desvelo de Carlos Alberto Teixeira de Oliveira, companheiro de fecundas empreitadas no campo efervescente das ideias que geram ações, é amostra palpitante da vigorosa capacidade intelectual de Barroso. Brotou, segundo o autor, de uma indignação e de uma esperança. Indignação pelos rumos trilhados pelo País. Esperança pela crença em dias melhores.
 
Poderá, sim, acontecer de o leitor, levado por saudável discordância democrática, se defrontar num que outro momento dos escritos alinhados com conceitos e definições polêmicos, não amoldáveis à sua própria interpretação das coisas. Mesmo assim, ao término da leitura, não restará a ele, leitor, alternativa senão a de deixar-se subjugar pelo irresistível fascínio da fala persuasiva e desassombrada do jornalista. A admiração pela figura humana só faz crescer à medida que as páginas folheadas colocam-nos em contato com as arraigadas convicções pessoais e a pureza de propósitos que embalaram os sonhos humanísticos do escritor, voltados para um mundo e um País melhores.
 
Definindo “Meandros do Poder” como empolgante memorial da vida política, Carlos Alberto Teixeira de Oliveira, nome festejado nas hostes econômicas comprometidas com o sentimento nacional, lembra que Jadir sobressaiu-se pela crítica contundente e observação perspicaz, sabendo analisar como a influência econômica, aliada à ganância, corrói as instituições. 
 
Dividido em dez capítulos, prosa fluente, repleta de revelações instigantes e até perturbadoras, tiradas de bom humor, o livro comenta com espírito crítico a atuação de personagens do mundo político com os quais o autor conviveu, sublinhando que “além da corrupção, traições, maldades e mentiras dominam o processo.” Às tantas, Jadir promove interessante exercício comparativo entre a obra governamental de Juscelino Kubitschek de Oliveira e as dos ocupantes da Presidência que vieram a suceder o grande estadista. Reporta-se também às arbitrariedades presenciadas e enfrentadas nos “tempos de chumbo” no regime militar. Conta histórias de sua passagem pela assessoria do BDMG, dedicando registro especial à “ameaça frustrada de fechamento do Banco”.
 
No fecho da apresentação da obra, Jadir lança apelo no sentido de um empenho coletivo em favor da construção de “um País imune à corrupção, mais justo, mais humano e mais democrático.” Passa-nos, digamos assim, síntese impecável do verdadeiro sentimento das ruas.
 

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