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Atentados contra a culinária são todas as iniciativas feitas para tornar um prato “diferente”. A disputa pela preferência ou pela necessidade de arrancar elogios pode levar gente que cozinha a cometer verdadeiras obscenidades com os ingredientes. A história dos pratos tradicionais e típicos não devia ser tão violentada como tem sido. Ora por falta de conhecimento (cultura), ora por excesso de vaidade.

Os elogios depois de uma comida bem feita são, sem dúvidas, a consagração de um bom cozinheiro. Na minha concepção, o maior prazer é de quem cozinha, não de quem come. Mas isso pode levar a atitudes extremas, como imaginar que um prato criado por alguém pode ser “melhorado”. O molho à bolonhesa, por exemplo, só será um molho à bolonhesa (Ragù alla Bolognese) se for cozido da maneira como foi concebido. O autor foi o cientista Guglielmo Marconi – o mesmo que inventou o Rádio! –, no inicio do século passado, para acompanhar o Tagliatelle (nunca com Espaguete), que ele tanto adorava e que comia só com molho de tomate (ao Sugo). 

Há uma certeza na Itália, especialmente em Bologna, de que os brasileiros foram os que mais violentaram a receita que eles guardam com o maior carinho. No mundo todo, enfim,o molho à bolonhesa é cruelmente deturpado. Tanto que a Câmara do Comércio de Bologna registrou, em 1982, a receita original criada por Marconi com o objetivo de preservar seu nome e originalidade.

Entre as loucuras feitas, no Brasil, para “melhorar” o Ragù alla Bolognese estão: acrescentar requeijão cremoso, maisena, azeitonas, calabresa e até anchova picada na massa de tomate. Os americanos acompanham os brasileiros acrescentando ingredien-tes improváveis, como catchup, mostarda, peperone, Jack Daniels e trocando o tagliatelle por fusili e rigatoni. 

Os ingredientes da receita registrada em Bologna são carne de boi magra moída (carne de porco, jamais), cebola, aipo (salsão), cenoura vermelha, molho de tomate, vinho branco, caldo de carne, leite integral, azeite, manteiga, pimenta do reino e sal. Se alguém adicionar alho a receita não será mais original.

Outra receita adulterada no Brasil inteiro é o Estrogonofe – Stroganov, nome de um general russo homenageado pelo cozinheiro do Czar Pedro, que criou o prato. Já enfiaram de tudo na panela do Estogonofe – milho verde, manteiga, ervilha, palmito e já engrossaram com mandioca. Conseguiram fazer Estrogonofe até de chocolate!!! 

Ao vivo e a cores eu vi na tv uma aberração foi cometida pela Rita Lobo, que sempre cometeu grandes loucuras em seus programas: ela deu uma receita de Ambrosia com Leite em Pó…os outros ingredientes e medidas, nem precisa falar.  Não dá pra acreditar!

Essas loucuras não são raras nos programas de culinária brasileiros. Os apresentadores, com for-tes indícios de pouca intimidade com as panelas (são celebridades, não cozinheiros), passam receitas sem saber o que fazem. Para chamar a atenção do público, treinam horas e horas o que vão preparar de “novidade” para ganhar audiência – como por exemplo, virar uma picanha pelo avesso – de dentro pra fora (acreditem, é verdade: eles colocaram a gordura para dentro da carne!) e ainda assam na panela de pressão com o fundo forrado de carvão.

À imensa lista de loucuras que andei pesquisando na internet adicionei uma pérola: brigadeiro de mandioca! Essa mistura é tão doida que não dá para imaginar que gosto deve ter. Mas que o autor da invenção vai conseguir muita gente para provar, com certeza vai.

E para esta receita não ficar sozinha no alto do pódio, achei também o passo a passo de como fazer um risotto de feijão – se existe uma beleza dessas, algum “chef” já deve ter “criado” uma feijoada de arroz. Quem come isso, come também: pizza de feijão tropeiro, hambúrguer de sashimi (o arroz com a alga substituindo o pão), x-burguer de macarrão, esfirrade chedar, catupiry e peperoni, cassoulet com feijão fradinho, chouriço e galinha caipira.

Paralelamente aos abusos da culinária, está se tornando comum pessoas ensinando a comer apenas produtos saudáveis. Isto é, dão listas e mais listas de ingredientes que matam e outros que fazem viver com saúde total. Surgem médicos fazendo palestras cheias de charme na comunicação do palestrante com o pú-blico e argumentos que, se forem verdadeiros, vão reduzir significativamenteos produtos nas prateleiras e gôndolas dos mercados.

Há suspeitas de que por trás dessas listas há muito interesse comercial. Quem paga sai da lista. Quem não paga, entra. Difícil de acreditar… Os sites de “comidas saudáveis e prejudiciais à saúde” aumentam na internet. Para citar um deles, aqui vai a lista do “cientista” Tiago Rocha, de São Paulo:

Alimentos saudáveis – Banana, Ovo, Cöco, Vinagre de Maçã, Pepino e Cebola;

Alimentos que matam – Pipoca de Microondas, Leite de Caixinha, Margarina, Batata Frita, Gordura Hidrogenada e Sal refinado (cloeto de sódio).

É apenas um exemplo de uma lista que passa dos 50 produtos. Será que todo mundo está seguindo essas dicas e por isso a idade média das pessoas em todo o mundo tem aumentado?

 

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