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Por: Fernando Soares Rodrigues
Jornalista especializado em economia e finanças
 

O Brasil entra no segundo semestre de 2014 com a mesma preocupação de 20 anos atrás, quando foi lançado o Plano Real. Todos se perguntam: é possível derrubar a inflação que ameaça se estabilizar no teto da meta de 6,5% ao ano? Essa questão é fundamental para quem aplica o dinheiro no mercado financeiro com a finalidade pelo menos de se resguardar da corrosão inflacionária.
 
Os especialistas que formam opinião no mercado financeiro estão divididos. Alguns consideram que o combate vigoroso à inflação só se dará após a eleição. Outros consideram que não há tempo a perder. Admitem que se a presidente Dilma Rousseff quiser reconquistar os pontos perdidos nas pesquisas eleitorais, basta sinalizar para o mercado que está disposta a colocar o combate à alta generalizada dos preços no centro das preocupações da política econômica.
 
Analistas políticos com acesso ao Palácio do Planalto informam que essa decisão já está tomada por sugestão do ex-presidente Lula, sempre disposto a “virar o jogo” a qualquer momento para não perder a eleição. Lula assimilou a velha máxima de Tancredo Neves de que em eleições o que se não pode é perder.
 
Nesse particular, o ex-presidente é mestre. Ao iniciar seu primeiro governo, rasgou a carta de princípios do PT, deu continuidade ao programa econômico do seu antecessor tucano e, para completar, chamou o banqueiro internacional, Henrique Meireles, para presidir o Banco Central (BC).
 
Luiz Carlos Mendonça de Barros, ex-ministro do governo Fernando Henrique Cardoso, acha que a vitória do senador Aécio Neves traria um choque positivo para que o investimento privado volte a fluir.
 
Mas, ele não descarta que a presidente Dilma em um segundo governo possa também restabelecer a confiança dos empresários e fazer as pazes com o chamado mercado.
 
BC no limite O diretor da Tendências Consultoria e ex-presidente do BC, Gustavo Loyola afirma que Banco Central, ao elevar a taxa Selic desde o ano passado, evitou que a inflação estourasse o teto da meta. Mas, esse esforço se mostrou insuficiente para trazer a inflação para o centro da meta – 4,5% ao ano. A ação da autoridade monetária foi prejudicada pela manutenção do expansionismo fiscal e do crédito direcionado nos bancos públicos para o consumo, acrescenta Loyola.
 
O boletim Focus do último dia 9 de junho manteve a projeção da taxa Selic em 11% ao ano para o final de 2014 e em 12% ao ano para o término de 2015. Como focalizamos no início do ano em Mercado- Comum, o BC não tem condições de elevar ainda mais os juros básicos da economia diante do fraco crescimento econômico associado às previsões de déficit ou pequeno superávit na balança comercial e do déficit em transações correntes (todo o movimento com o exterior) superior a US$ 80 bilhões previsto para este ano.
 
Com a redução da oferta de empregos e a previsão do Produto Interno Bruto (PIB) aproximando- se do fraco crescimento anual de 1% – o boletim Focus de nove de junho passado reduziu a prévia do crescimento econômico anual para 1,44% – fica mais fácil para a presidente Dilma admitir que ainda dá tempo no atual governo para rever seus conceitos, principalmente quanto ao gerenciamento das contas públicas.
 
O Ministério da Fazenda, no primeiro semestre, tomou novas medidas para destravar o ingresso de créditos externos, o que ajuda a manter o dólar oscilando na faixa de R$ 2,20 a R$ 2,30. Dólar em patamar moderado favorece a entrada dos artigos importados mais baratos o que combate a inflação.
 
A queda da produção industrial eleva ainda mais a “choradeira” dos empresários do setor que consideram elevada a participação de cerca de 23% dos importados no total do consumo brasileiro.
 
Desafio de sempre Com a previsão de a taxa Selic encerrar dezembro próximo no patamar de 11% ao ano, os fundos DI (os que acompanham a alta dos juros) e os fundos de renda fixa que lideraram em rentabilidade os demais ativos financeiros no acumulado do ano até maio – 4,19% e 4,72% brutos, respectivamente – devem perder esse atrativo.
 
Os Certificados de Depósitos Bancários (CDBs) oferecem a taxa cheia dos Certificados de Depósito Interfinanceiros (CDIs) só nas aplicações maiores de recursos. Até maio passado, a rentabilidade bruta dos CDBs no acumulado do ano foi de 4,03%. Essas aplicações conseguiram oferecer bem mais que as tradicionais cadernetas de poupança que pagaram 2,83% líquidos no mesmo período.
 
Nos fundos de investimentos financeiros é preciso cuidado ao se calcular a rentabilidade líquida, levando em consideração o prazo da aplicação, a taxa de administração dos bancos e a retenção semestral do Imposto de Renda, através do sistema de “come cotas”. Nos CDBs, as aplicações tornam-se mais atrativas a partir do segundo ano das aplicações com a alíquota do IR na faixa de 15%.
 
Nos títulos públicos do Tesouro Direto – a aplicação preferida de muitos analistas financeiros –, a rentabilidade atraente diante da inflação do período corre risco se o investidor é obrigado a sacar antes do prazo do vencimento do título ou do período que ele pretendia ficar com o dinheiro aplicado inicialmente.
 
A marcação dos títulos a valor de mercado que ocorre quando ocorrem saques maciços principalmente por grandes investidores derruba as taxas de remuneração.
 
A perspectiva de valorização do real perante o dólar não estimula as aplicações em ouro negociado como ativo financeiro na BM&F/ Bovespa. Foi de 1,58% a desvalorização do grama do ouro negociado na BM&F/Bovespa no acumulado do ano até maio passado.
 
Sempre oscilante As ações da Vale e da Petrobras em baixa diante das condições do mercado internacional do minério de ferro e da administração discutível da estatal continuam afetando o índice das ações mais negociadas na BM&F/Bolsa de Valores de São Paulo. Essas duas ações continuavam a liderar em negociações o Ibovespa até o final de maio, apesar de o peso delas ter diminuído na formação daquele índice em detrimento das ações dos principais bancos que passaram a ter maior peso.
 
Itaú PN, Bradesco PN, AmBev ON, Banco do Brasil ON, Petrobras ON, Oi PN e Kroton ON integravam no período a lista das mais negociadas após Vale e Petrobras.
 
Aplicar em ações requer ainda maior cuidado diante da proximidade das eleições. O mercado utiliza inclusive as pesquisas eleitorais para forçar a baixa ou alta das ações. No curto prazo, algumas ações de companhias que oferecem boa rentabilidade e perspectivas de rentabilidade como as da Kroton ficam mais atrativas. No acumulado do ano até maio passado, algumas ações registraram altas recordes: B2W Digital ON, 87,3%; Estácio Part ON, 39,7%; CESP PNB, 32% e GOL PN, 25,7%. As ações da Usiminas foram listadas entre as maiores baixas no período: as PNA, menos 44%; e as ON, menos 42%. OI PN recuou 46% e OI ON, 43% no mesmo período.
 
E continua válido o velho conselho.
 
Deve-se aplicar em ações somente entre 10% e 20% do total disponível para investimentos e sempre com ajuda de analista ou corretor de confiança. Acompanhar o desempenho da economia e das principais companhias é outro fator da maior importância para se tentar obter rentabilidade com ações através das oscilações dos seus preços diários de negociação em bolsa ou através do recebimento dos dividendos (parcelas do lucro). 

 

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