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Pela primeira vez desde a década de 1970, o setor do agronegócio superou a indústria na abertura de novas empresas

 

Apesar do crescimento do Microempreendedor Individual (MEI), o Brasil experimentou, em 2012, uma forte retração na geração de novas empresas, considerando-se apenas as grandes, médias, pequenas e microempresas brasileiras, responsáveis por 98% dos empregos formais no País. Foram abertos 662.395 novos empreendimentos, menos do que em 2011, quando foram registrados 758.608 novos negócios. Os dados estão no estudo “Perfil das Empresas e Entidades Brasileiras 2012”, de autoria do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT), entidade que reúne o maior banco de dados privado do empreendedorismo brasileiro, com base em informações de órgãos oficias.

De acordo com o presidente do Conselho Superior e coordenador de estudos do IBPT, Gilberto Luiz do Amaral, o estudo reúne informações de janeiro a dezembro de 2012 e indica uma queda abrupta de 12, 68% na geração de negócios no País, em relação ao ano anterior. “Este indicador remete o Brasil ao cenário de 2006, quando foram abertos 661.590 empreendimentos”, afirma Amaral, ressaltando que, entre os anos de 2008 e 2011, o País vinha registrando crescimento na geração de novos empreendimentos. “No ano passado, a redução dos novos negócios ocorreu em todos os estados brasileiros, revelando o ceticismo dos empreendendores, mesmo com todas as medidas de estímulo que o governo tem apresentado”, avalia Amaral. “A queda acentuada denovas empresas em 2012 é preocupante, pois comprova que a economia pisou no freio.”

Desindustrialização sem desenvolvimento

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O estudo do IBPT também concluiu que, pela primeira vez desde 1970, o Agronegócio superou a Indústria na criação de novos negócios: o setor fechou o ano de 2012 com 36.337 empreendimentos recém-criados, enquanto na indústria registrou-se pouco menos, 36.013 novas empresas. “A diminuição de novos empreendimentos no setor industrial nos últimos anos é sinal claro de que o processo de desindustrialização do Brasil está acontecendo”, constata o presidente-executivo do IBPT, João Eloi Olenike.

Olenike observa que, diferentemente dos países desenvolvidos que também passam por processo de desindustrialização, mas após atingirem níveis de qualidade em educação, saúde, infraestrutura e segurança, o Brasil entra neste processo com notória deficiência na prestação de serviços públicos básicos à população. “Este fenômeno característico do pós-desenvolvimento ocorre no Brasil sem que se tenha atingido, de fato, o desenvolvimento”, alerta o especialista.

Sobre o Empresômetro

Mais completo banco de dados sobre o tema no País, o Censo das Empresas e Entidades Públicas e Privadas Brasileiras – Empresômetro traz inúmeras possibilidades de consulta àsinformações sobre empresas públicas e privadas no Brasil: por tipo jurídico, estados, regiões, atividade econômica, setor, produtos e serviços, pelo número de empresas e filial, por entidades sindicais e associações e muitas outras combinações, permitindo elaborar um completo cenário empresarial e econômico. No site www.empresometro.com.br é possível verificar, em tempo real, a criação de empreendimentos no País, de 1º de janeiro de 2013 até o momento. “É uma ferramenta de grande contribuição na tomada de decisões”, avalia Gilberto Luiz do Amaral.

O Empresômetro tem como base de dados as informações divulgadas pelas próprias empresas e entidades, pela Receita Federal do Brasil, Secretarias Estaduais da Fazenda, Secretarias Municipais de Finanças, Agências Reguladoras, Cartórios de Registro de Títulos e Documentos, Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Ministério do Trabalho, Caixa Econômica Federal, Juntas Comerciais, Portais da Transparência e Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

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