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Peço vênia aos compositores Laert Santos e Arcilino Tavares, para parodiar a extraordinária canção de sua autoria, intitulada “Tudo foi Ilusão” e imortalizada há mais de 40 anos na voz inconfundível de Anísio Silva. Como naquela velha canção, podemos dizer, sem medo de errar, que o sol “que outrora brilhou” na província de Minas Gerais, de tradições gloriosas, berço da liberdade e palco das grandes decisões nacionais, hoje estrela cadente no firmamento político e econômico nacional, “apagou- -se, perdeu a luz, não brilha mais”.

Minas, nos últimos anos, passou a viver “uma noite sem lua e sem estrelas”. Culpa mais dos mineiros do que daqueles que alijaram o Estado do pódio nacional. Culpa do atual governo?

Não. Culpa de muitos governos, de muitos mineiros. Mas, chegou a hora de Minas reagir. E com veemência. E ainda usar da força das armas. Sim, força das armas. Por que não?

MARGINALIZACÃO

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A marginalização de Minas das grandes decisões nacionais tem várias fases, acentuando-se quando Itamar deixou a presidência da República e Aécio Neves a presidência da Câmara dos Deputados. Nas últimas décadas, o que se viu foi Minas experimentar um longo período de marginalização das altas decisões nacionais que coincide com a sua decadência política e econômica. Por isso mesmo, os mineiros esperam, em data não muito distante, seja com quem for, mesmo pegando em armas, buscar e ver “um novo sol brilhar”.

PERDA DE ESPAÇO

Minas sempre esteve bem representada nos ministérios e nos altos escalões nacionais, inclusive nos governos militares. Esta representação foi minguando nos governos FHC, Lula e Dilma. E, agora, no atual governo, por incrível que pareça, Minas não detém nenhum posto de comando no Legislativo Federal. No Executivo tem apenas um ministro, Fernando Pimentel. No Judiciário tem o presidente do STF,

Joaquim Barbosa, a ministra também do STF, Carmen Lúcia, e o presidente do TST, Carlos Alberto Reis de Paula.

Nas entidades empresariais, detém o comando da CNI, importante posto conquistado por Robson Andrade, e da CNT, comandada pelo senador Clésio Andrade. E só. Faltam até apaniguados, como aqueles de outrora, mais interessados em cabides do que em postos.

Esta perda de espaço, acentuada com a composição do ministério de Dilma Rousseff, onde figura apenas um mineiro de sua cota pessoal, tornou-se mais visível ainda recentemente com as eleições das mesas da Câmara e do Senado, onde não figura nenhum mineiro.

Esta perda de espaço coincidiu, também, com o declínio econômico do Estado, que vem ocorrendo nos últimas décadas, desde quando Itamar Franco deixou a presidência da República.

Na realidade, o declínio tornou-se mais visível, na segunda etapa da implantação do Plano Real, já com FHC na presidência.

PERDA DE PRESTÍGIO

A perda de prestígio de Minas acentuou-se com a ascensão do notório Fernando Henrique (Vaidade) Cardoso à presidência da República, uma desastrosa indicação do ex-presidente Itamar Franco, que bancou a sua candidatura e lhe garantiu a vitória. Após assentar-se sobre a Curul presidencial, FHC traiu Itamar Franco e deu uma sonora “banana” para o seu padrinho e protetor.

Itamar Franco, que tinha FHC na condição de amigo inseparável e em quem confiava cegamente, viu esta traição materializar-se drasticamente quando o mesmo barrou a sua tentativa de tornar-se candidato do PMDB à presidência. Itamar não esperava traição de FHC e foi obrigado a suportar o rude golpe do seu principal protegido e ungido por uma decisão monocrática e pessoal. Se arrependimento matasse, Itamar Franco teria morrido muito antes da data em que passou para o outro mundo. Ao entregar de mão beijada a presidência da República a FHC, não se lembrou daquela máxima de Getúlio Vargas: “Em política, você nunca deve dar aquilo que não poderá tirar”.

DECLÍNIO ECONÕMICO

A queda do prestígio político de Minas coincidiu, também, com o declínio econômico, que vem ocorrendo nos últimos anos, desde quando Itamar Franco deixou a presidência da República.

Este esvaziamento econômico vem num crescendo, há décadas, em que podemos acentuar o fechamento de seus bancos, a transferência para outros estados, principalmente para São Paulo, da sede das grandes empresas mineiras e, ainda, a mudança do controle acionário para grupos sediados no exterior ou em outros Estados, a queda do PIB etc.

PERDA DE COMPETITIVIDADE

Minas vem perdendo também competitividade para atrair novas empresas, devido à sua alta “descarga tributária”. Aqui em Minas, as alíquotas de ICMS são campeãs em nível nacional, muito maiores do que as dos outros estados em muitos setores. Estão no topo e no máximo, como, por exemplo, em relação à energia elétrica, automóveis, derivados de leite e tudo mais etc. E ainda por cima, o BDMG, responsável no passado pela implantação de grandes projetos, sem capital e sem os recursos de que dispunha antigamente, passou a ser um banco, limitado exclusivamente a micro e pequenas empresas. Apequenou-se, literamente, porque não quer correr riscos e só cuida das micro e pequenas empresas, sem fôlego para enxegar a dimensão e o tamanho que sempre ficaram reservadas a Minas, outrora 2ª maior economia nacional.

AUSÊNCIA DE QUADROS

Nesta tentativa de recuperar o espaço perdido, Minas enfrenta outro problema crucial: padece de quadros qualificados e homens viris, intrépidos e destemidos como antigamente. Felício dos Santos, Tiradentes, Bernardo Pereira de Vasconcelos, Teófilo Otoni, Juscelino Kubitschek. Magalhães Pinto, Antônio Carlos, Bernardes Filho, Afonso Pena, Tancredo Neves, Itamar Franco e muitos outros pertencem à história. Hoje corrupção, interesses individuais e subserviência política e econômica falam mais alto. Para nossa tristeza, o quadro político continua precário. Precaríssimo. Mas, em meio a esta precariedade, Minas consegue ter um candidato à presidência, o senador Aécio Neves, único mineiro em condições de pleitear o comando supremo do país e virar o jogo. Único? Isto mesmo. Único. Não restam mais quadros políticos a Minas, outrora o grande celeiro político nacional!

APELO ÀS ARMAS

A esperança, sempre a esperança, é a última que morre e muitos mineiros esperam reconquistar o poder em breve, seja com quem for e até pelas armas de que dispõem. Minas não usou as armas em 1964, para entregar o comando do país a um nordestino sem pescoço?

A marginalização por si só justificaria uma atitude dramática e heróica dos mineiros: pegar em armas para defender os interesses de Minas. Digo e repito: pegar em armas, em defesa da democracia, da leadade aos interesses da nacionalidade e de ordenamento a futuro que tem de ser o melhor para as próximas gerações.

Mas, nem tudo está perdido. Os mineiros têm mesmo que pegar em armas para defender os interesses de Minas acima de qualquer coloração partidária ou tendência.

Minas sempre ditou os rumos da história do nosso País, Minas sempre esteve à frente dos grandes movimentos e das grandes decisões nacionais. Nos tempos atuais, porém, vem sendo relegada a segundo plano. E isto é inadmissível, intolerável. Por isso, conclamo todos os mineiros a se unirem, sejam das áreas política, empresarial, trabalhadores, ruralistas, profissionais liberais, comerciantes, industriais a pegarem em armas pra valer.

Pra valer mesmo. E, até mesmo e porque não, nos declararmos independentes deste estado de coisas que não faz parte do nosso DNA libertário.

OS SONHOS

Os sonhos libertários de Minas há muito tempo passaram a ser “sonhos, somente sonhos e nada mais”. Na era pós-Juscelino, Minas oscilou entre prestígio e poder, e só recuperou mesmo a presidência com Itamar Franco. Este sim, também um grande herói nacional, a quem Minas precisa render muitas homenagens!

A MÃE REJEITADA

Apesar de ter uma presidenta que acidentalmente nasceu em Minas, mas que daqui se mandou na sua juventude, tornou-se guerrilheira contra a ditadura e fixou raízes em outras plagas, Minas é tratada como mãe desnaturada pela sua ilustre filha guerrilheira-presidenta, como pode imaginar-se querer se rotular.

Certamente, para ela Minas não passaria hoje, agora parodiando Carlos Drummond de Andrade, de um mero retrato na parede, se é que ela tenha algum retrato de Minas na parede de sua sala.

Nada fez nem se propugnou realizar por Minas, em que pese a importância desse Estado como segundo maior colégio eleitoral, o que poderá lhe gerar grande desconforto e, porque não, uma derrota às suas pretensões de reeleição. Nem um gabinete ousou instalar aqui, relutou até vir com mais frequência. Esta fatura lhe será cobrada, com toda a certeza, nas eleições que já se anteciparam.

O PRECURSOR

A participação de Minas nas grandes decisões nacionais teve seu embrião na revolta de Felipe dos Santos, nos idos de 1720.

Naquela época, a Coroa Portuguesa decidiu cobrar 20 por cento de todo o ouro extraído em Minas.

A cobrança era feita nas casas de fundição e o ouro não podia ser vendido em pó ou em pepitas. Quem transgredisse esta norma era preso e degredado para a África, ou enforcado.

Felipe dos Santos, fazendeiro, tropeiro e comerciante de ouro, revoltou-se contra isto, com o apoio da população, dos mineradores e comerciantes. Mas, foi preso, junto com os outros revoltosos, por ordem do Conde de Assumar, enforcado e seus bens confiscados pela Coroa Portuguesa. Tornou-se, assim, antes de Tiradentes, o primeiro mártir da independência do Brasil.

CASTIGO DO GOVERNO

Minas é um estado mediterrâneo, por onde passam as grandes rodovias e ferrovias e onde são necessárias obras de infraestrutura de interesse nacional e da população. Mas, o que se vê? Vê-se, em matéria de infraestrutura, uma marginalização total de Minas. Agora, desfecha-se mais um golpe contra Minas, com o cancelamento dos editais de duplicação das 381.

Ainda há pouco, o jornal Estado de Minas publicou uma série de reportagens mostrando as obras federais paralisadas em Minas. E o metrô de Belo Horizonte, paralisado há 30 anos, não se sabe quando seria implantado. No período eleitoral, promessas, promessas e mais promessas, sonhos, ilusões quimeras.

Quero deixar bem claro que, quando falo que Minas deve pegar em armas, refiro-me às armas democráticas, excluindo- se o uso da violência, da força e muito menos de armas de fogo, armas brancas ou instrumentos perfuro–cortantes. Em nenhuma hipótese defendo a ruptura da ordem jurídica constituída.

Minas precisa mostrar para que serve e o que pode reservar de bom para a Nação.

 

Nem tudo é ilusão para Minas*

O sol que outrora brilhou aqui nas Gerais

Apagou-se, perdeu a luz, não brilha mais

Minas vive uma noite sem lua e

sem estrelas,

Os sonhos mineiros foram somente

sonhos e nada mais.

Hoje, Minas cansada de tudo

segue seus passos,

Na esperança de um dia mais

tarde encontrar

Os caminhos do poder e novos espaços.

E ver em breve um novo sol brilhar

Com a sina de vir dia a dia

perdendo espaço,

Com o orgulho mineiro cada vez

mais caído no chão

Minas sempre altiva vai vagando

passo a passo

Na esperança de um dia bem próximo mandar

na nação.

(*Paródia)

 

 

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