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Inflação e medidas tomadas pelo governo para contê-la pautaram as palestras, que reuniram três governadores e dois ministros

 

O ciclo de palestras do Conexão Empresarial Araxá 2013, que aconteceu no Tauá Grande Hotel, provocou debates acalorados, principalmente quando o assunto foi a inflação e as medidas tomadas pelo governo para contê-la. O tema foi levantado na palestra do PhD em economia, Paulo Rabello de Castro, sob o título “Os obstáculos e oportunidades para o crescimento do Brasil”. Paulo apontou erros e acertos econômicos dos governos Fernando Henrique Cardoso, Lula e Dilma. “A pergunta da hora para o Brasil é se o país superará a pressão da inflação para fazer deslanchar o crescimento da infraestrutura e econômico”, indagou. Na opinião de Paulo Rabello, o Brasil é muito convencional nas medidas tomadas para controlar a inflação. “É uma burrice, uma estupidez o país que paga taxa de juros do dia aumentar os juros para controlar a inflação. O governo não tem dado sua contribuição para o crescimento do Brasil”, disparou o economista.

De acordo com Paulo Rabello, a situação internacional condiciona a nacional há pelo menos 10 anos e os economistas brasileiros não têm conseguido desenvolver um pensamento para promover o crescimento do país, pois estão apenas preocupados com as taxas de juros. O economista assinalou que o Brasil tem sido sócio da crise internacional e talvez o cenário comece a se inverter com a anunciada queda dos preços das commodities e a redução da hiperliquidez, que será, em parte, provocada pelas compras menores de papéis pelo Federal Reserve (FED). A redução do valor das commodities, em especial, do petróleo, segundo o economista, será boa para a estabilidade mundial, que ainda não foi alcançada. “Os Estados Unidos estão com recuperação aquém do desejável e com a renda disponível estagnada, o que significa que os salários pagos lá estão mais baixos. A indústria da Zona do Euro permanecerá fragilizada por algum tempo”, analisa Paulo Rabello.

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Diante dessa realidade, os efeitos esperados na economia mundial, segundo o economista, são o processo de valorizaçãodo dólar e forte viés de baixa dos preços das commoditiese das ações. “E isso terá influência nas eleições de 2014, o que será muito bom, independentemente do resultado, porque o Brasil sairá da situação de oba-oba e partirá para ações práticas para seu crescimento”, alfinetou Rabello. Para ele, em 40 anos o Brasil cresceu praticamente a mesma coisa, e a América Latina, menos do que o mundo. “Ficamos devendo. Precisamos pensar na nossa incapacidade de ver os problemas e exigir a capacidade dos políticos para que se entreguem para fazer o país crescer ou saiam fora do poder”, analisou o economista que foi fortemente aplaudido pela plateia. Sem dar mais detalhes, Paulo Rabello disse que o Produto Interno Bruto (PIB) de baixo nível estava contratado antes de Dilma Rousseff assumir a Presidência da República. “Não temos organização, produtividade e investimentos suficientes para termos um PIB maior do que o previsto”.

Paulo Rabello criticou o fato de o governo federal assumir, na teoria, a promoção dos investimentos no país. “O governo se atribuiu a responsabilidade de fazer os investimentos, mas eles não nascem no governo, que precisa ter humildade para perguntar como ajudar os empresários a trabalharem e não dizer que irá trabalhar”, critica Paulo Rabello. O economista afastou a possibilidade de o Brasil ser arrastado para a crise econômica externa. “País com reservas de 350 bilhões de dólares não entrará em crise internacional, mas este é um bom momento de reflexão para o Brasil”, salientou o economista.

A crítica de Paulo Rabello à alta carga tributária brasileira agradou em cheio aos empresários e executivos que o ouviam. Ele defendeu a reforma tributária total e não parcelada, como o governo pretende fazer. O economista salientou a importância da alternância de gerações nos comandos e pensamento econômico, e de ideologia no poder. “Dilma merece concorrentes suficientemente fortes para mostrar que o brasileiro pensa”, defendeu Paulo Rabello. As críticas do economista ao governo petista foram rebatidas pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel. Com relação à elevação da Selic, o ministro salientou que houve aumento para conter a inflação, mas garantiu que ela não chegará aos patamares antigos e que esta foi uma medida pontual. Pimentel disse que a valorização do dólar frente ao real não preocupa, pois é apenas um ajuste. Ele afirmou que o dólar mais valorizado favorece as exportações brasileiras. “A flutuação é saudável e salutar, e o Banco Central, sabiamente, a administra”, afirmou o ministro.

Fernando Pimentel comparou o país a uma aeronave, cujas turbinas são impulsionadas pelas commodities, consumo de massa, Programa de Aceleração do Crescimento e o investimento privado, por meio das concessões de aeroportos, rodovias e portos. “E é este último motor que fará a aeronave entrar em um voo de cruzeiro com um PIB de 3,5% a 4,5%”, destacou o ministro que disse ser uma sandice a ideia de quem defende o freio ao consumo e o desemprego para reduzir os salários no Brasil. Para Pimentel, o grande desafio do país, que envolve governo e empresários, é aumentar a produtividade no país. Ao contrário do que afirmam os petistas, Pimentel reconheceu que o avião que é o Brasil somente decolou por causa do trabalho de arrumar a casa nos governos anteriores. “Todos contribuíram para colocar o avião na pista, mas ele só começou a levantar voo com o presidente Lula, que agregou o consumo de massa à economia. Nosso avião enfrentou turbulências, mas continua no ar”, comparou o ministro.

O governador de Minas, Antonio Anastasia, outro palestrante do Conexão Empresarial Araxá 2013, destacou o desenvolvimento do estado nos últimos 10 anos, mas reconheceu que ainda há necessidades de avanços em Minas, sendo uma delas, a agregação de valor ao que aqui é produzido. Anastasia criticou a falta de planejamento a longo prazo em todas as esferas do Executivo no Brasil e a sua importância para a criação de infraestrutura adequada para o país. “O planejamento é a base para o Brasil crescer mais que nossos pares. O planejamento está para se tornar a grande moldura para um novo país”, ressaltou Anastasia, para quem o grande objetivo de Minas é mudar os rumos de sua economia. E, para isto, é fundamental que o nó da infraestrutura seja desatado para que o estado aumente sua produção. O governador de Minas salientou, ainda, a necessidade de investimentos em educação para preparação do capital humano para atender às necessidades do setor produtivo e uma gestão corajosa e criativa para o surgimento de políticas públicas eficientes.

Em sua palestra, o ministro da Agricultura e Pecuária, Antônio Andrade, destacou o crescimento do agronegócio brasileiro em 17%, e disse que a tendência é de o país continuar a se desenvolver com aumento da produtividade, sem elevação da área plantada. “Quando o agronegócio se expande, os outros setores o acompanham”, destacou o ministro da Agricultura. Outro palestrante, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, ressaltou que o mundo vive sob o efeito de uma crise do capitalismo, em busca de valores e caminhos para as nações. O presidenciável socialista salientou que o país vive uma nova realidade. “Não é crível aos olhos da sociedade que somente um ou outro governante fez isso ou aquilo. Nesse momento é preciso definir estratégias para o país”, defendeu Campos. Já o presidente do BDMG, Matheus Cotta de Carvalho, salientou a consolidação do banco nos últimos dois anos, com crescimento expressivo e com capacidade de interferir no crescimento econômico de Minas Gerais, com expansão do atendimento virtual, que permite a liberação de créditos via internet. “Mais de 500 municípios mineiros foram beneficiados por linhas do BDMG para investimento em infraestrutura local”, destacou Matheus. O governador da Bahia, Jaques Wagner, em uma rápida conversa com os convidados, ressaltou a importância do debate pluripartidário que o Conexão Empresarial proporciona.

Ao fim do ciclo de palestras, o diretor da VB Comunicação, Gustavo Cesar de Oliveira, apresentou, juntamente com presidentes regionais da Fiemg, o projeto Rotas para o Futuro, parceria da VB com a entidade, que discute e busca maneiras para impulsionar o crescimento econômico e o desenvolvimento social de Minas Gerais. “O projeto foi criado para entendermos melhor as características e as necessidades de Minas Gerais e nasceu com a edição da revista Viver Minas, que retrata muito bem isto em suas publicações mensais”, destacou GCO. Segundo ele, o projeto Rotas para o Futuro ganhou fôlego e já conseguiu vários resultados práticos, com investimentos econômicos e em infraestrutura pelas regiões onde passou. O Conexão Empresarial Araxá aconteceu no mês de junho e reuniu boa parte do PIB mineiro, lideranças políticas e empresariais para discutirem os rumos de Minas Gerais e gerar momentos de lazer e confraternização.

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