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Por: Cláudio Gontijo

 

A política econômica do governo Dilma Rousseff ingressa, a partir de agora, num dilema difícil, que poderá até comprometer a sua reeleição, tida como certa por inúmeros analistas políticos, em razão de sua popularidade sem par. O problema consiste em como conciliar, num período pré eleitoral que se inicia, de um lado, a necessidade premente de se corrigir a taxa de câmbio, cujo atraso foi um dos principais fatores a provocar a crise externa, cujos sinais já se tornaram evidentes, com o combate à inflação, que requer a sustentação da taxa de câmbio em patamares próximos aos atuais.

Certamente que este dilema poderia ter sido evitado a tempo, caso os ministros da área econômica tivessem escutado os avisos dos críticos, inclusive os do autor desta coluna. Há muito advertimos que a combinação infeliz de dólar barato, crescimento econômico – ainda que modesto – e virtual ausência de barreiras tarifárias e não tarifárias à importação, além de aprofundar o processo de desindustrialização, iria conduzir o Brasil para uma crise externa de grandes proporções. Na verdade, os ministros e economistas do governo estão confiantes de que, mesmo que o déficit em conta corrente cresça além do previsto, os investimentos externos serão suficientes para cobrir a brecha e, mesmo que o pior cenário se verifique, ainda assim não há o que temer, pois o País é credor ao nível internacional e detém US$ 375 bilhões de reservas cambiais, mais do que o suficiente para enfrentar qualquer tempestade, ainda que de longa duração.

Para muitos, contudo, os argumentos governamentais são frágeis, a começar pela tendência de deterioração do saldo de conta corrente, que, conforme mostra a Figura 1, tem demonstrado uma velocidade sem precedentes a partir de inícios de 2008, antes, portanto, da eclosão da crise do subprime, em outubro de 2008. Embora no segundo trimestre de 2009 o déficit tivesse minguado para somente US$ 2,2 bilhões, o mesmo voltou a crescer aceleradamente, tendo superado US$ 20,0 bilhões no último trimestre do ano passado e US$ 24,9 bilhões no primeiro deste ano. Em abril, o mesmo foi de US$ 8,3 bilhões, o que não apenas representa um recorde histórico, mas um salto enorme em relação ao mesmo mês de 2012, quando chegou a US$ 5,4 bilhões.

É certo que, até o presente, este déficit tem sido inteiramente coberto pelos investimentos diretos (IED). Todavia, no primeiro trimestre deste ano o mesmo foi inferior em 14,7 bilhões ao déficit em transações correntes; se mais a mais, cerca de mais do que 75% destes investimentos representam brown investment, em vez de green investment, ou seja, se trata apenas de aquisição de ativos já existentes, em lugar de investimento novo. Desta forma, criam passivo externo, a se traduzir, amanhã, em aumentos das remessas de lucros sem ampliar a capacidade produtiva do País, muito menos a sua capacidade de gerar dólares. Mas, o pior é que dependem do nível das expectativas, os quais podem ser abalados seriamente por uma súbita deterioração das contas externas, como a que se anuncia no momento.

O problema, portanto, pode se agravar nos próximos meses, provocando a perda de reservas internacionais, o que, além de significar novo golpe sobre o otimismo dos investidores externos, pressionará a efetiva taxa de câmbio, que, conforme mostra a Figura 1, se encontra muito defasada em relação aos seus níveis anteriores. Na verdade, se se tomar a taxa efetiva de câmbio de junho de 1994, ou seja, do mês anterior ao lançamento do Plano Real, como representando o câmbio de equilíbrio, chega-se à conclusão que, para se equilibrar o balanço de transações correntes, a taxa de câmbio teria de ir para R$ 2,80/US$. Isto, contudo, supondo um pass through de somente 30%, que a taxa de inflação saltaria para mais de 45%, o que seria politicamente insustentável, até porque inviabilizara um segundo mandato para a presidente Dilma Rousseff.

Em outras palavras, tudo indica que o governo bancará a deterioração das contas externas do Brasil até pelo menos depois da reeleição, segurando o dólar em nome do combate à inflação. Mesmo que seja esta estratégia seja bem sucedida, o estrago será grande, o que certamente criará dificuldades de peso para o manejo da política econômica pelo próximo mandato da presidente Dilma Roussef, que deverá ser tumultuado.

 

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