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Temos alertado com frequência sobre o grave problema da corrupção no País. Só se multiplicaram as notícias sobre escândalos envolvendo personagens de todos os setores. Multiplicam-se também atitudes e ações que primam pela falta de ética.

Desvio de verbas, nepotismo, favorecimento, prevaricação, sonegação, falsificação, contrabando. Essas palavras rondam o noticiário sobre a sociedade brasileira em todas as suas esferas.

A questão chegou a um nível tal que pode provocar – e tem, efetivamente, provocado – uma completa indiferença da população em relação ao que acontece nos meandros do poder, como resultado da falta de confiança em todas as pessoas que podem ser representantes da sociedade em um ou outro palco. O ceticismo da população se dissemina com a mesma celeridade que as ações não éticas daqueles que são escolhidos para defender os interesses da sociedade como um todo.

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Tendemos, assim, a generalizar a situação e nos convencer de que ninguém merece nossa confiança, porque todos, cedo ou tarde, acabam por se locupletar. Esse sentimento, porém, deve ser repudiado desde logo. Todo o cuidado é pouco para identificar os primeiros sinais de ceticismo e generalização.

A história do consumidor que ia à padaria da esquina de sua casa toda manhã para comprar pão é um exemplo singelo, mas significativo. Acompanhado de um amigo, em uma dessas manhãs, ele surpreendeu a este com sua calma, ao ser praticamente destratado pelo balconista. “Como você aceita ser tratado assim e ainda o trata bem?”
A resposta foi rápida: “Não é porque ele é mal-educado que eu também serei. Eu sou bem-educado e é isso que me importa.”

Não é porque uma autoridade – ou personalidade de destaque, ou celebridade – age de maneira contrária aos princípios da ética, que vamos fazer isso também. Ao contrário, devemos, com nossa atitude, mostrar o quanto rejeitamos essa postura.
Para mostrar isso, podemos fazer qualquer coisa que esteja ao nosso alcance. Há pessoas que se envolvem em causas, organizações não-governamentais, grupos e até partidos políticos. Mas há pessoas que não querem ou não
podem dispor de tempo para um ativismo. Como disse, há recursos ao alcance de todos.

A primeira atitude é agir sempre em consonância com a ética.

Por exemplo, não devemos adquirir produtos sem nota fiscal.

Ela é a segurança de que os impostos relativos ao produto serão recolhidos. E também serve de garantia de qualidade
do produto para o consumidor, caso ele precise reclamar seus direitos. Se não há nota fiscal, o produto pode ser fruto de contrabando, falsificação e até mesmo roubo. O consumidor não tem como se proteger, em caso de reclamação.

O Brasil é um exemplo de vanguarda e pioneirismo em muitas de suas leis. O Código de Defesa do Consumidor é
um exemplo. Os mecanismos para proteger os direitos do consumidor foram bem elaborados e funcionam. Por que
desprezar o esforço de tantos para desenvolver esse processo de proteção e adquirir produtos sem origem comprovada e sem pagamento de impostos? Não faz sentido.

Se o imposto vai ter o destino que deve é outra história. Para isso, o melhor meio existente em uma democracia é escolher com cuidado os representantes que vamos eleger. E não falo apenas dos representantes nas eleições legislativas ou do executivo. O exercício de delegar poder a um representante nosso e fiscalizar sua ação começa na escola, quando escolhemos representantes de classe ou integrantes de alguma comissão. Continua no trabalho, na rua, no bairro e, finalmente, ganha a dimensão da representação política.

Com o argumento da suspeição da aplicação correta dos tributos, muitos deixam de pagar impostos ou fazer malabarismos questionáveis para reduzir seu valor. Também é um equívoco. Primeiro, porque pode ter consequências
pessoais: evasão fiscal é crime tributário.

Sabemos muito bem que a carga tributária brasileira é uma das mais altas do mundo. Aproxima-se de 40% do PIB. Pior.
Os mais pobres pagam mais impostos do que os mais ricos. Apesar disso, devemos pagar nossos tributos, delegar aos nossos representantes a função de modernizar o sistema tributário e fiscalizar se eles estão mesmo fazendo isso.
De novo, não é porque outro age errado que vamos agir assim também. O círculo vicioso só pode ser quebrado com
a virtude, para que vire um círculo virtuoso.

Assim, cada vez que agirmos de forma ética no particular estaremos influenciando o geral. Se cada um agir corretamente, o todo será a atuação correta. Pode ser que isso leve tempo, mas não podemos pensar a curto prazo
apenas. Esse será o legado para nossos filhos e netos. O legado de transformar um país que já foi pobre e caóticoem
um Estadocom cidadãos respeitando-se mutuamente em todas as circunstâncias.

Para qualquer país, a pior crise que existe é a de confiança. Não podemos sucumbir à sua força destrutiva. Se nos
convencermos de que nada poderá ser feito, não teremos como consertar este país, que tem todos os recursos
e instrumentos possíveis para percorrer o caminho de sustentabilidade no seu sentido mais amplo. Ou seja, ter
seus três pilares fortes: o econômico (agricultura, indústria, comércio, serviços), o social (dignidade humana, educação, saúde, habitação, trabalho) e o ambiental (respeito aos recursos naturais).

Por fim, temos que ter líderes corajosos o suficiente para nos mostrarem o rumo. Eles existem. Fazem trabalho sério e
colocam o interesse geral muito acima do interesse pessoal. São os exemplos a ser seguidos para o Brasil cumprir o seu destino.

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