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Por: José Aparecido Ribeiro

 

As autoridades municipais ainda não entenderam que a topografia e o clima de Belo Horizonte não são apropriados para a bicicleta como meio de transporte capaz de substituir carro, ônibus e outros meios de coletivos. A demanda por ciclovias atende a uma parcela muito pequena da população e não se justifica, a não ser em locais apropriados, que não faltam, mas que muitos ciclistas desconhecem. Eles querem andar onde é menos recomendável, no meio dos carros. Imagine idosos como a minha mãe com 80 anos, ou mesmo colegas que são obrigados a trabalhar de terno como eu, pedalando pelos morros de BH debaixo do sol escaldante.

Chega a ser cômico a insistência de meia dúzia de ciclistas, que se dizem representantes da categoria, na tentativa de convencer as autoridades a construir ciclovias por todas as partes, como se todo mundo devesse deixar o carro em casa e pegar a magrela. Adoro pedalar, tenho a minha bicicleta sempre preparada, mas faço isso em locais apropriados, não vou jamais disputar espaço com os carros, por dezenas de razões, sendo a principal delas, o ar que é poluído e não combina com a atividade. É muito melhor pedalar em locais arborizados, onde não há riscos de atropelamentos.

O fato é que a vaidade está falando mais alto do que o bom senso. As ciclovias existentes em cidades europeia de clima temperado e topografia plana, servem para aqueles países, não para BH. O exemplo também é o de Bogotá, onde o modelo de BH foi indevidamente copiado, juntamente com outros como BRT e vias segregadas, na última passagem do ex-prefeito daquela cidade pela Capital Mineira, a peso de ouro, logo no inicio da administração Márcio Lacerda. Lá, no Altiplano Andino, a 3.700 metros de altitude, deu certo por que a cidade é plana e a temperatura é de 17 graus, as vias são largas e o povo gosta de pedalar. Muito diferente de BH, que tem clima quente e ruas estreitas, além de muitos morros.

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Se os pretensos defensores do meio ambiente querem inspiração, precisam visitar cidades norte-americanas. Pois a cultura do carro, que herdamos, foi aquela e não a dos Europeus. É esta cultura que chega pasteurizada, e está diuturnamente na telinha, 24 horas por dias. O que esta errado aqui, não é quem usa carro, mas os governos que deixaram de fazer as obras que a cidade precisava para receber os carros que são produzidos no país e que é sonho de consumo de 90% da população brasileira. Com efeito, os que se dizem representantes da categoria estão se revelando verdadeiros egoístas, pois desejam vias só para eles. Como ficam as motos, o pedestres, os transportadores, as ambulâncias, as viaturas policiais, os carroceiros, os praticantes dos skate os pipoqueiros e aqueles que usam outros meios de transporte?

Recentemente, sentado na calçada de um restaurante na Rua São Paulo, por quatro horas, não passou nenhuma bicicleta na recente ciclovia criada ali no Bairro de Lourdes. Durante o mesmo tempo, passaram milhares de veículos. Portanto, é urgente a retirada das ciclovias de onde elas estão sendo enfiadas goela abaixo da população para atender a caprichos de urbanistas românticos, além de meia dúzia de gatos pingados de ciclistas. Quem deseja andar de bicicleta, procure o Parque Municipal, a Lagoa do Nado e as dezenas de parques que a cidade tem para este fim. No meio dos carros é que não pode. Rua é lugar para carro no mundo inteiro. Em BH não pode ser diferente.

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