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Preocupação com Câmbio e Política Econômica

 

A quinta edição da pesquisa trimestral “Panorama Global dos Negócios” (CFO Survey – Global Business Outlook), conduzida pela Duke University, Fundação Getulio Vargas e CFO Magazine com o apoio da BMFBovespa e do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (IBEF) revela uma queda acentuada no Otimismo no Brasil. O índice de otimismo no terceiro trimestre do ano bateu o nível mais baixo desde que passou a ser calculado em 2012.

Os CFOs brasileiros também apontam uma queda nas taxas anuais às quais esperam que cresçam as suas receitas (de 14.9% para 7,8%) e os lucros (19.7% para 14.4%). Porém, foi verificado uma tendência para aumento do emprego temporário: a projeção é de que cresça 5.3% ao longo dos próximos 12 meses (anteriormente era de 2,1%). Este quadro contrasta com o observado em outros países da América Latina, que está entre as regiões mais otimistas do planeta (abaixo apenas da China)

As principais preocupações internas das empresas brasileiras continuam sendo a manutenção de margens e a contratação e preservação de funcionários qualificados. As principais preocupações quanto à economia são referentes à taxa de câmbio, código tributário e políticas governamentais.

A pesquisa foi concluída no dia 5 de setembro de 2013 e teve a participação de 1212 CFOs (responsável pelas decisões financeiras das empresas) de todo o mundo, sendo 246 da América Latina, 90 brasileiros. A pesquisa versa sobre as expectativas dos altos executivos para as suas empresas e para a economia. (Consulte o final deste comunicado para maiores informações sobre a metodologia da pesquisa).

 

Sumário dos resultados

• CFOs do Brasil estão entre os menos otimistas do mundo com relação à economia de seu país. Houve uma deterioração considerável do otimismo com relação ao trimestre anterior: 71% dos CFOs estão menos otimista do que estavam há 3 meses e apenas 8% tornaram-se mais otimistas. Este resultado contrasta com o dos demais países da América Latina que continuam entre os mais otimistas do mundo. O otimismo no Brasil ficou menor até mesmo que na Europa.

• Aprofunda-se a tendência de crescimento do emprego temporário. O emprego temporário deve aumentar em 5,3% nos próximos 12 meses. Há 3 meses atrás a projeção era de um aumento de 2.1%.

• CFOs apontam uma tendência de queda na taxa de crescimento de lucros e receitas. Na pesquisa anterior, a projeção era de que nos próximos 12 meses os lucros crescessem 20% e as receitas 15%. Espera-se agora que os lucros cresçam a 14.4% e as receitas a 8%.

• Empresas projetam uma menor capacidade para repassar custos aos preços. CFOs reportam que os preços dos produtos de suas empresas devem crescer 3% durante os próximos 12 meses. As projeções nos trimestres anteriores eram entre 5% e 8%. Por outro lado, espera-se que os salários cresçam 8%.

• Entre as principais preocupações dos CFOs brasileiros estão à taxa de câmbio, código tributário e políticas governamentais.

• Aproximadamente 80% das empresas brasileiras de grande porte obtiveram financiamento de longo prazo durante os últimos 3 anos. Para 81% destas empresas o financiamento foi em reais e 26% em moeda estrangeira.

 

Baixa no otimismo dos cfos brasileiros

Em uma escala de 0 a 100, os CFOs do Brasil atribuem a nota 54,7 para o seu otimismo com relação à economia brasileira. Este é o nível mais baixo registrado: nos outros 4 outros trimestres em que foi calculado, o índice oscilou entre 60.1 e 63.5. Esta queda deixa o Brasil entre os menos otimistas do mundo. Em outros países da América Latina, com exceção da Argentina e Venezuela, o índice tem se mantido acima dos 60, o que indica a região mais otimista do planeta. O mesmo índice foi computado para os Estados Unidos: 58,2; Europa: 55,7: Asia: 54,3 e Africa: 52,8. Vala ressaltar que o otimismo nos Estados Unidos e Europa vêm crescendo de modo consistente nos trimestres anteriores.

Deve-se também notar que a queda no otimismo no Brasil parece generalizada uma vez que 71% dos CFOs estão menos otimistas do que estavam há 3 meses e apenas 8%, mais otimistas.

“A queda no otimismo no Brasil nos deixa apreensivos. A natureza do nosso índice parece fazê-lo antecipar o desempenho econômico: no trimestre anterior, apesar do clima de instabilidade ocasionado pelas manifestações populares e aumento da inflação, registramos uma manutenção do otimismo. Posteriormente, observamos que foi registrado um crescimento econômico no trimestre acima do esperado. Essa queda acentuada no otimismo sugere que o desempenho econômico do próximo trimestre pode ser abaixo do que esperamos”, comenta Klenio Barbosa, professor de Economia da FGV-SP e co-diretor da pesquisa Global Business Outlook.

“Por outro lado, o aumento consistente do otimismo nos Estado Unidos e na Europa nos deixa esperançoso com relação à recuperação da economia mundial e das oportunidades que isso gera para as economias emergentes,” ressalta, John Graham, professor de Finanças da Duke University e diretor geral da pesquisa Global Business Outlook.

 

Crescimento do emprego temporário

Os CFOs indicam um aprofundamento na tendência de aumento do emprego temporário. Em 2012 houve uma tendência à redução do emprego temporário. Esta situação reverteu-se desde o início de 2013. Nestes três últimos trimestres observamos uma tendência de aumento de temporários: 1,8% em março, 2,1% em junho e 5,3% em setembro. As principais razões apontadas para o aumento o emprego temporário são: os salários maiores para trabalhadores permanentes (apontado por 47% das empresas que aumentaram o número de temporários) e incerteza econômica (27% das empresas).

“Parece que com o surgimento e consolidação do cenário de incerteza quanto ao crescimento, às empresas estão sendo mais cautelosas e preferindo substituir emprego em tempo permanente por emprego temporário,” afirma, Gledson Carvalho, professor de Finanças da FGV e co-diretor da pesquisa Global Business Outlook. “Essa incerteza também é reflexo de uma possível compressão nas margens: Os CFOs indicam que em média o preço dos seus produtos deve crescer apenas 3% ao longo dos próximos 12 meses frente a uma inflação projetada de mais de 5,5%.

 

Preocupação com taxa de câmbio, código tributário e políticas governamentais

As principais preocupações externas dos CFOs brasileiros são: a taxa de câmbio, código tributário e políticas governamentais. As principais preocupações internas são: manutenção de margens, atração e retenção de empregados qualificados e gerenciamento do capital de giro.

A preocupação das empresas com o código tributário tem sido uma constante (aparece como uma das principais preocupações em todos os trimestres em que a pesquisa foi realizada), sendo que tal aspecto não aflige firmas em outras regiões do planeta.

“A economia brasileira parece estar em um momento crítico. A inflação que foi preocupação no trimestre anterior parece estar mais sob controle. Em contrapartida, neste trimestre observamos preocupação com a taxa de câmbio e pessimismo com relação ao crescimento econômico. Assim, é inevitável que todas as atenções se voltem à condução da política econômica,” ressalta Gledson Carvalho, professor de Finanças da FGV e co-diretor da pesquisa Global Business Outlook.

 

Juros e seus efeitos

Cerca de 80% dos CFOs esperam algum aumento na taxa de juros até o final de 2013 e 69% esperam um aumento de no mínimo 1%.

Um pequeno aumento na taxa de juros teria um impacto muito baixo sobre os investimentos das empresas e um impacto maior sobre emprego em tempo integral: Se o aumento nos juros fosse de 1%, 6% das empresas reduziriam investimento de capital e 17% o emprego.

Se o aumento nos juros fosse maior, o efeito mais acentuado seria sobre investimento: se os juros aumentassem em 2%, 34% das empresas reduziriam investimentos, enquanto apenas 22% reduziriam o número de empregados.

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