Lorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipiscing elit. Donec nec mauris interdum, suscipit turpis eget, porta velit. Praesent dignissim sollicitudin mauris a accumsan. Integer laoreet metus

Por: Wilson Renato Pereira

Jornalista, psicólogo e psicanalista
wrenato.pereira@gmail.com
 
Enquanto os alemães produzem a maior parte das suas cervejas obedecendo fielmente a lei da pureza de 1516 (a Reinheitsgbot), os cervejeiros belgas são famosos pela criatividade e inovação. Qualquer ingrediente que produza uma boa bebida é bem-vindo: frutas, cascas, sementes, ervas, condimentos, anis, canela, aliados a uma enorme variedade de leveduras, resultam em estilos diversificados e muito admirados.
Conhecida como o “paraíso das cervejas”, a Bélgica mantém formas de produção peculiares, como o método champenoise (o mesmo do champagne), com refermentação nas próprias garrafas em caves, para fabricação da Biére Brut des Flandres. Também são usados tanques de fermentação abertos para capturar microrganismos do ar.
Considerada patrimônio cultural do país, a cerveja é, para a Bélgica, como o vinho para a França e o Whisky para a Escócia. A sofisticação é tal que os muitos bares especializados só servem seus clientes em copos e taças rigorosamente adequados a cada estilo, em rituais que valorizam a apreciação da bebida. As inúmeras marcas fazem questão de personalizar seus vasilhames, de forma a exaltar a qualidade dos produtos.
Apesar do mercado local ser dominado pela gigante multinacional Anheuser-Busch Inbev (Stella Artois, Leffe, Hoegaarden e outras), com sede em Leuven, próximo a Bruxelas, existem mais de mil micro e pequenas cervejarias que resistem à forte concorrência em razão da qualidade dos seus produtos e fidelidade dos consumidores. Com isso, enfrentam tenazmente o avanço das Lagers premium e Pilsners, que ameaçam as especialidades regionais.
É difícil definir a Escola Belga por causa da grande variedade de cervejas produzidas no país, mas também porque muitas delas não se enquadram nas classificações de guias de estilos como o do BJCP e o da Brewers Association, recebendo a definição genérica de Belgian Specialty Beers. 
Como exemplos, estão a Belgian Blonde Ale, Belgian Golden Strong Ale, Belgian Dark Strong Ale, Witbier, Belgian Pale Ale, Saison, Dubbel, Trippel, Quadruppel, além das Lambics  e seus sub-tipos Gueuzes  e Fruit Lambics. Entre as marcas mais famosas estão as trapistas (Westmalle, Rochefort, Chimay, Orval e outras), Vedett,  Hoegaarden, Saison Dupont  e Leffe. Fabricadas no Brasil, podem ser citadas a Falke Monasterium, Küd Tangerine, Eisenbahn Pale Ale, Wäls Dubbel, Jambreiro Dark Strong Ale,  Wäls/Bohemia Saison d’Alliance, dentre inúmeras outras.
Exclusividade belga, produzidas apenas numa região próxima a Bruxelas, as Lambic são o tipo de cerveja mais antigo do mundo e resultam de fermentação espontânea por leveduras selvagens existentes no ar e depositadas em tanques abertos. São bebidas de sabor e aromas únicos, que podem ter adição de frutas inteiras (cerejas, framboesas) para equilibrar sua marcante acidez (Fruit bier) ou serem feitas a partir de uma mistura de safras mais jovens com outras mais velhas (Gueuzes).
Mas o destaque vai para as receitas centenárias dos monastérios belgas. Neles são fabricadas muitas das mais tradicionais marcas do país, a maioria cervejas de alta fermentação (Ales), normalmente bastante condimentadas. As mais famosas, as Trapistas, vindas de dez mosteiros no mundo, dos quais seis belgas, produzem os rótulos Orval, Chimay, Achel, Rochefort, Westmalle e Westvleteren, o mais mítico de todos. Os outros são La Trappe (Holanda), Sainte Marie du Mont des Cats (França), Engelszell (Áustria) e Saint Joseph (EUA). Os recursos obtidos com a venda das cervejas são destinados à manutenção dos mosteiros e às suas obras de caridade. 
Essas instituições foram fundamentais para preservar receitas desenvolvidas, desde a Idade Média, por monges que fugiram de conflitos políticos e religiosos em outras partes da Europa, fixando-se, inicialmente, na Bélgica. As cervejas serviam como alimento para os próprios religiosos, peregrinos e contribuíam para melhorar as precárias condições sanitárias da água usada pela população que vivia em torno dos monastérios.
Os cervejeiros trapistas mantiveram seus conhecimentos guardados a sete chaves ao logo do tempo. Faziam sua própria cultura de leveduras, diferentes das encontradas em outros mosteiros, resultando em cervejas bem características. Um dos maiores segredos das cervejas belgas está justamente nas leveduras, responsáveis por determinar sabores e aromas únicos, marcantes. 
Há muita confusão entre as classificações Abadia e Trapista. Apesar de similares, a principal diferença é que, para obter o selo Trapista, as cervejas precisam ser feitas em mosteiros que não visam apenas angariar lucro com sua fabricação, mas financiar obras assistenciais. Também devem ser produzidas por monges dessa ordem religiosa ou sob sua supervisão. As que não possuem o selo são classificadas apenas como cervejas de Abadia.
 

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *