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Por: Fernando Soares Rodrigues

 

O investidor de médio porte é o mais afetado pelas incertezas da política econômica do País e as previsões que ajudaram a derrubar a rentabilidade líquida dos principais ativos financeiros até maio passado. Inflação em patamar próximo a 6%, Produto Interno Bruto (PIB) de 3% e em baixa, superávit na balança comercial (exportações menos importações) de US$ 9 bilhões e em baixa, e déficit em conta corrente (todo o movimento com o exterior) de R$ 70,5 bilhões ao término de dezembro próximo, o que leva o País a requerer a entrada de cerca de US$ 60 milhões em investimentos estrangeiros são algumas das previsões nada otimistas sobre o desempenho da economia neste ano.

Esse cenário que contribui para a rentabilidade líquida baixa ou negativa dos principais ativos financeiros diante da inflação estimula o consumo e realimenta a alta generalizada dos preços.

Para completar o quadro de apreensões, o Banco Central (BC) constatou no primeiro semestre o aumento dos gastos públicos como alertaram alguns especialistas como o ex-ministro Maílson da Nóbrega. Segundo o BC, no primeiro trimestre, as despesas do setor público superaram a receita em R$ 31,5 bilhões, equivalentes a 2,79% do PIB no período. Esse percentual é maior que o registro no primeiro trimestre de 2012 (1,26% do PIB) e de 2011 (2,05% do PIB).

 

Médios em apuros

Sem condições de correr riscos na bolsa de valores ou em fundos multimercados, de ações, imobiliários e derivativos financeiros, quem dispõe entre R$ 50 mil e R$ 100 mil acaba obtendo nos Certificados de Depósitos Bancários (CDBs), fundos de renda fixa ou DI (os que acompanham a alta dos juros) rentabilidade líquida baixíssima (deduzidos o Imposto de Renda e a inflação do período) ou até perdas.

Quem dispõe de quantias inferiores a R$ 20 mil contenta-se mais facilmente com os percentuais de rentabilidade baixos em relação à inflação, de 0,5% ao mês da poupança “velha” e 0,41% ao mês da poupança “nova”. A prova que é que a caderneta de poupança conseguiu aumentar os depósitos totais líquidos nos primeiros meses do ano, mesmo com a rentabilidade líquida anual máxima de 6,17% (a velha), abaixo da taxa Selic (juros básicos da economia) que subiu para 7,50% ao ano em 17 de abril passado e pode terminar 2013 em 8,25% ao ano, de acordo com últimas projeções do mercado (boletim Focus) do BC.

As pessoas mais capitalizadas com recursos acima de R$ 500 mil em diante têm melhores condições de conseguir superar o fraco desempenho do mercado de ações brasileiro levando o dinheiro para a Bolsa de Valores de Nova York e outros mercados de risco do mundo. Têm igualmente condições mais favoráveis de negociar com bancos taxas superiores nos CDBs que as oferecidas aos pequenos aplicadores que giram em torno de 0,5% a 0,55% brutos ao mês.

Alguns ativos considerados seguros ou “reserva de valor” apresentam fraco desempenho. O dólar comercial, referencial para rentabilidade dos fundos cambiais ou aplicações no mercado “paralelo” da moeda americana, até o último dia 10 de maio, acumulava perda anual próxima de 1%, sendo negociado a R$ 2,02, e sem perspectivas de alta, segundo a expectativa do mercado. O boletim Focus do último dia 13 de maio previa dólar a 2,05 ao término de dezembro.

O ouro negociado como ativo financeiro na BM&F/Bovespa acumulava no mesmo período perda de 13,2%. O metal no Brasil acompanha o fraco desempenho do dólar e do preço dessa “commodity” negociado na Bolsa Mercantil de Nova York, onde acumulava no mesmo período perda de 14,2%.

 

Preços em ajuste

Os corretores de imóveis e analistas ligados ao setor imobiliário relutam em admitir que os preços das casas, apartamentos, lojas, galpões e lotes possam cair depois da alta exagerada (de 100% a 200%) registrada entre 2005 e 2012. Admitem no máximo agora “uma acomodação” de preços diante da demanda potencialmente elevada por parte da classe média brasileira estimada em quase 100 milhões de pessoas e o déficit habitacional que oscila entre 6,5 milhões e 8 milhões de unidades conforme a pesquisa.

Outros fatores interferem no mercado imobiliário. A renda média das famílias corroída pela inflação vem se tornando cada vez mais insuficiente para financiar a compra dos imóveis com preços elevadíssimos em grandes centros urbanos, constituindo-se assim em freio à valorização acentuada dos apartamentos.

Grande parte da nova classe média brasileira só tem condições de comprar apartamentos do programa “Minha Casa, Minha Vida” já que os preços dos imóveis mais simples superam a barreira de R$ 200 mil nos grandes centros urbanos.

A receita mensal dos alugueis em cidades como Belo Horizonte abaixo de 0,5% do valor dos imóveis desestimula a opção de compra de unidades habitacionais como opção de investimentos. Algumas construtoras já põem o pé no freio.

A perda de rentabilidade pelas cotas de muitos fundos imobiliários negociados na BM&F/Bovespa no primeiro trimestre do ano revela o fraco desempenho do mercado de locação de imóveis em São Paulo (o maior do País). Nem todos fundos imobiliários têm mais condições de oferecer rentabilidade segura e mais elevada que as dos principais ativos financeiros.

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