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Ações emitidas pelas empresas de capital aberto e o dólar são os ativos mais sujeitos a fortes oscilações no dia-a-dia
diante da turbulência no cenário econômico externo.

A evolução da crise internacional, agravada nos últimos meses pelos desacertos orçamentários em países europeus
como a Grécia, Itália e Espanha, provoca as altas e baixas da bolsa e grandes oscilações do real frente ao dólar. A
credibilidade dos títulos da dívida soberana desses países recuou para níveis baixíssimos obrigando-os a oferecer taxas
elevadíssimas para captar recursos.

Os analistas não perdem a esperança na recuperação da bolsa de valores a partir do fim de 2011 e chegam a
projetar alta expressiva para o mercado de ações em 2012.

A saída de investidores pessoas físicas e a ausência do capital estrangeiro são os fatores que causam dúvidas em
relação a essas análises otimistas. Muitas ações continuam baratas, muitas companhias fecharam o terceiro trimestre
com resultados expressivos, mesmo assim, todo o cuidado é pouco.

O cenário interno caracterizado pelos indícios de desaquecimento econômico deve ser considerado pelos investidores
em renda fixa e variável.

Risco em baixa
Ao optar por amortecer o desaquecimento econômico importado da crise europeia e do baixo crescimento dos
Estados Unidos, através dos cortes graduais nos juros básicos da economia, a taxa Selic, o governo e o Banco
Central (BC) realizam uma aposta de risco que aos poucos é assimilada parcialmente pelo mercado financeiro.

As autoridades deixam em segundo plano o combate à inflação que deve fechar 2011 cerca de dois pontos percentuais acima da meta de 4,5% fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) e começar 2012 com projeção de alta de 5,5% ao ano, segundo o boletim Focus que coleta as estimativas do mercado.

Na hipótese de o desaquecimento econômico interno acompanhar as influências da crise europeia e que o Produto
Interno Bruto (PIB) termine este ano com crescimento na faixa de 3,1% e 2012 um pouco acima, na faixa de 3,5%
continuarão fortes as pressões inflacionárias. As autoridades só terão condições de perseguir com maior intensidade
a meta de inflação de 4,5% em 2013, previu em palestra na Apimec-MG, o economista Cristiano Sousa, do banco
Santander Brasil. Ele acredita que apesar de todos os esforços do governo, o Brasil conviverá com crescimento
médio do PIB de 4,5% por mais uma década.

Para o investidor no mercado de renda fixa, o cenário apresenta dúvidas principalmente quanto à inflação. A taxa
Selic deve recuar para 10,5% ao ano ou para um patamar ainda menor em 2012, segundo as últimas projeções. O
economista do Santander aposta em Selic na faixa de 9,5% ao ano já em abril de 2012. O juro real brasileiro (Selic menos
inflação projetada para os próximos doze meses) da ordem de 4,5% com a Selic em 11,5% ao ano, conforme cálculos
do Valor Data, deve recuar mais em 2012.

Ativos como CDIs (Certificados de Depósitos Interbancários), CDBs (Certificados de Depósitos Bancários) e títulos públicos
prefixados oferecerão rentabilidade bruta entre 0,8% e 0,9% ao mês. Os fundos de investimentos financeiros que têm
em suas carteiras esses papéis privados e títulos públicos oferecerão ao mês rentabilidade bruta correspondente a
esses percentuais e rentabilidade líquida um pouco menor deduzidas alíquotas do Imposto de Renda regressivas de
22,5% até seis meses e de 15% em dois anos da aplicação.

A rentabilidade dos fundos de investimentos financeiros é corroída pelo sistema de “come cotas” do IR de seis em seis meses e pelas taxas de administração de 1,5% ao ano em diante cobradas pelos bancos. Conforme o percentual dessa taxa de administração que incide sobre os fundos, as cadernetas de poupança que oferecem líquidos entre 0,56%
e 0,60% ao mês tornam-se mais interessantes. Com a queda da taxa Selic que reduz a remuneração dos papéis e títulos,
o governo volta a examinar mudanças na rentabilidade fixa de 6% ao ano das cadernetas mais a variação da TR que
espelha as taxas dos CDBs.

Alta dos preços
No Brasil, quem se preocupa com controle orçamentário e combate à inflação é taxado de “conservador” por alguns
segmentos da sociedade, alertou, um ex-secretário da Fazenda de Minas. Mas, existem os que não temem esses
comentários, principalmente quando muitos não querem ver que o reajuste de 14,26% do salário mínimo em janeiro de
2012 e a taxa do dólar que continua muito influenciada pela crise internacional exercem fortes pressões inflacionárias
numa economia altamente indexada (correção de tarifas públicas, salários e salário-mínimo pela inflação passada).

Custos dos serviços pressionados pela falta de mão de obra especializada e as deficiências na infraestrutura no
setor de transportes em geral são outros itens com fortes componentes inflacionários.

Diversos preços e custos já estão sendo reajustados por conta da realização da Copa do Mundo no Brasil. Poucos se lembram que a Copa vai durar cerca de um mês no Brasil e seis dias apenas em cidades como Belo Horizonte. Como
ficará a estrutura em montagem para receber os milhares de turistas que virão ao Brasil no “day after” da Copa ? É
a pergunta que precisa ser feita. E as estimativas devem vir em seguida. O retorno dos estádios terá quer ser coberto
em dezenas de anos ou nunca pelos dois jogos semanais e eventuais aluguéis dos espaços para shows e eventos.

A rentabilidade mensal de cotas de hotéis antes e depois da Copa e a perspectiva de valorização das mesmas devem ser
bem avaliadas.

Papéis privados e títulos públicos corrigidos por índices de inflação não podem ser desconsiderados pelos investidores
neste cenário. Em outubro, a maioria dos investidores no Tesouro Direto visualizou esse cenário e aplicaram
preferencialmente nos títulos pós-fixados.

Armadilha do euro
A crise europeia pode durar dez anos, conforme admitiu a dirigente alemã Angela Merkel, se a busca de solução continuar na mesma linha de socorro aos bancos com títulos em carteiras dos países mais endividados e o fornecimento de empréstimos a Grécia, Itália e Espanha em troca da austeridade fiscal praticamente impossível de ser alcançada.

O desconto de 50% no pagamento dos títulos pela Grécia é pouco. Nem com o perdão total da dívida soberana, aquele
país conseguiria ajustar seu orçamento público, admitem alguns especialistas.

Economistas notáveis com o ex-ministro Bresser Pereira e especialistas em políticas públicas e direito internacional
admitem que fosse melhor a união europeia utilizar o fundo de um trilhão de euros recém-constituído para facilitar a saída da Zona do Euro da Grécia e de outros países que se mostrarem sem condições de ajustes, mantendo-se o padrão monetário dos demais países que integram a Eurolândia. Atualmente, 17 dos 27 países da região adotam o euro como moeda única.

Mesmo quem não tem filiação partidária não pode deixar de dar razão ao “tucano” notável José Serra a esse respeito. Ele afirmou que o euro, com suas regras de criação foi o maior erro da política monetária mundial. Para se ter uma moeda
única, a Eurolândia teria que fazer uma política fiscal única e um tesouro único, afirmou Serra.

Os mais “conservadores” ainda acham que agiram corretamente alguns países importantes da Europa como o
Reino Unido, Dinamarca, Suécia e Suíça que não quiseram adotar o euro como moeda.

Câmbio menos flutuante
Alguns fatores impedem a valorização expressiva do real, o que favorece as importações e o combate à inflação através
da continuidade do ingresso de produtos da China a preços muitos baixos e que contribuem para a continuidade da
desindustrialização no Brasil.

A atuação do governo no mercado nos últimos meses tirou um pouco as características de “flutuante” do câmbio
brasileiro. Ele passou a ser muito controlado.

Quando o dólar ameaça recuar para menos de R$ 1,50, a autoridade o impede através de intervenções fiscais no
mercado de derivativos de câmbio. Quanto a moeda norteamericana ultrapassa o patamar de R$ 1,90, o governo
“queima” parte das reservas cambiais de US$ 352 bilhões (novembro/2011) para comprar dólares e derrubar a sua
cotação frente ao real.

A previsão do ingresso este ano de investimentos diretos estrangeiros de US$ 60 bilhões é mais que suficiente para
cobrir o déficit de US$ 54 bilhões nas transações correntes (todo o movimento financeiro com o exterior), o que colabora
para tranquilizar o mercado de câmbio.

Diante da turbulência financeira e orçamentária no mundo que afeta inclusive a maior economia, os EUA, os totais
de superávit comercial brasileiro (exportações menos importações) da ordem de US$ 28 bilhões previstos para
este ano e de US$ 18 bilhões para 2012 são considerados bons.

Perigo chinês
Os produtos “made in China” em excesso no mundo podem ter como maior alvo o Brasil diante da perspectiva de o
gigante asiático vender menos para a Europa e EUA. Por mais barreiras comerciais e aumentos do Imposto sobre Produtos
Industrializados (IPI) que o governo consiga impor, os artigos chineses continuarão a chegar legalmente ou através dos
mais diversos caminhos como o Mercosul e o Paraguai a preços que os industriais brasileiros não têm condições
de competir. A preços muito baixos, os produtos chineses ajudam a combater a inflação e, ao mesmo tempo, roubam
os empregos dos brasileiros na medida que desestimulam as indústrias nacional a investirem.

Estudo apresentado em fórum promovido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) demonstra que a combinação entre
a valorização da moeda brasileira em relação ao dólar e a desvalorização do yuan chinês em relação à moeda
norte-americana anula as tarifas praticadas pelo Brasil nas importações que variam de zero a 35% nos veículos, por
exemplo.

Enquanto a mineradora Vale conseguir manter o ritmo elevado de exportações para a China e outras commodities forem
vendidas a preços elevados para esse país e a Ásia em geral, continuarão a entrar divisas no Brasil em nível suficiente para
manter o real valorizado. Murilo Ferreira, presidente da Vale, está otimista. No seu contato com analistas de investimentos
em BH, no final de novembro passado, o executivo afirmou que a demanda por minério de ferro da China continuará
forte, mesmo com a redução do crescimento daquele país para faixa de 9% ao ano. Mas existem limitações. Se o
minério cair abaixo de U$ 100 a tonelada, o investimento em expansão ou em novas minas não compensa, alertou o
presidente da Vale.

Destaques empresariais
Contaminação: As ações dos três maiores bancos brasileiros refletem o temor de que a crise europeia contamine o sistema
financeiro mundial, apesar da solidez de suas operações. Os bons resultados alcançados por Itaú Unibanco, Bradesco
e Banco do Brasil no terceiro trimestre só amenizaram um pouco o quadro, pois as ações desses bancos caiam no
acumulado do ano, menos que o índice da bolsa paulista.

Os 23 bancos com ações na Bovespa levaram o setor bancário a liderar os demais em rentabilidade pelos cálculos
da Economática.

Pelos cálculos da firma CMA, a ação ON do Banco do Brasil ao fechar cotada a R$ 25,26 por unidade no dia quatro de
novembro passado acumulava perdas de 2,5% no ano e de 15,1% nos doze meses anteriores.

Itaubanco PN que terminou cotada a R$ 32,60 por unidade dia quatro de novembro passado registrava desvalorização
de 0,64% no ano e de 15,72 nos doze meses anteriores.

E Bradesco PN naquele mesmo dia, ao fechar cotada a R$30,97 por unidade, acumulava perdas de 0,26% no ano e de
3,79% nos doze meses anteriores.

A ação Unit (misto de ON e PN) do banco de origem espanhola Santander era a campeã de perdas nos doze meses anteriores ao último dia quatro de novembro, correspondente a 30%, na cotação de R$ 15,10 por unidade. A diretoria do Santander promete pagar dividendos semestrais de 50% sobre o lucro líquido e manter a expansão orgânica da agências do banco (cerca a mais por ano).

Recorde do Itaú: – O Itaú Unibanco obteve lucro de R$ 3,8 bilhões no terceiro trimestre correspondente a acréscimo de
26% em relação a igual período do ano passado. Novidade importante foi o ganho de R$ 9,1 bilhões com operações de
tesouraria. Os atrasos dos tomadores de crédito aumentaram, mas sem causar preocupação, segundo Rogério Calderon,
que responde pela diretoria de relações com investidores.

Mais provisões: – Ao divulgar os resultados do terceiro trimestre, o Bradesco surpreendeu ao destacar do total
R$ 1 bilhão para engordar suas provisões para crédito de liquidação duvidosa. Naturalmente para se precaver dos
possíveis efeitos da crise financeira mundial sobre suas contas. Segundo Domingos Abreu, vice-presidente do
banco, as provisões adicionais do Bradesco para os créditos de liquidação duvidosa passaram a alcançar R$ 4 bilhões.

No terceiro trimestre, o segundo maior banco privado do país registrou lucro líquido de R$ 2,81 bilhões correspondente a
acréscimo de 11,4% em relação ao mesmo período do ano passado.

Mais modesto: O Banco do Brasil registrou no terceiro trimestre, resultado mais modesto para o seu porte, mas
igualmente muito expressivo. Seu lucro líquido foi de R$ 2,9 bilhões correspondente a acréscimo de 11,2% em relação a
igual período do ano passado. Os aumentos dos custos de captação de recursos junto ao público e das provisões para
os créditos de liquidação duvidosa reduziram a lucratividade do BB.

Exceção: O Santander Brasil que encampou o ABNReal não acompanhou o desempenho dos seus maiores
concorrentes. Registrou lucro líquido de R$ 1,802 bilhão no terceiro trimestre, correspondente a queda de 13,5% em
relação ao segundo trimestre. O Santander apresentou assim baixo retorno (11,2%) sobre o patrimônio líquido, enquanto
seus concorrentes alcançaram 20% de acréscimo nesse quesito.

Perda de valor: Para o mercado financeiro a Coteminas deixou de ser um “case de sucesso”. Seu valor de mercado
(soma de todas suas ações) recuou de R$ 2 bilhões em 2007 para R$ 400 milhões no início de novembro passado,
e virou “manchete” no principal jornal econômico do país. A decantada competência técnica do novo comandante do
grupo criado pelo ex vice-presidente da República, José Alencar, seu filho Josué Gomes da Silva saiu no mínimo
arranhada após a reportagem. Dia quatro de novembro passado, ao fechar cotada a R$ 4,20 por unidade a ação ON
da empresa de origem mineira passou a acumular perda de 21,64% nos doze meses anteriores.

Mais rentável: -O último balanço da CSN – Companhia Siderúrgica Nacional comprova o que o presidente da
Usiminas, Wilson Brumer disse a analistas mineiros. No atual cenário econômico mundial, a rentabilidade da mineração
superara em larga escala o percentual do setor siderúrgico.

A mineração – exploração da mina Casa de Pedra da CSN próxima a Mariana – correspondeu a 59% da receita Ebitda
de R$ 1,7 bilhão do terceiro trimestre deste ano do grupo dirigido pelo empresário Benjamin Steinbruch.

A intenção de assumir o controle da Usiminas mediante a compra de ações do grupo siderúrgico liderado pela empresa
de Ipatinga sai caro para a CSN. As ações da Usiminas (PNA) registram perda de 38% nos doze meses anteriores a quatro
de novembro.

Menos sorte: -Não se pode negar, o ex-presidente Roger Agnelli dava sorte para a Vale. Sob a nova direção –
presidência de Murilo Ferreira – a mineradora vê seus lucros ainda recordes recuarem junto com a queda do preço da
tonelada de minério da faixa de US$ 180 para US$ 146 em novembro passado e a depreciação do real frente ao dólar em
setembro. A empresa corta investimentos, não pode cortar produção ou demitir porque a “companheirada petista” não
admite, e o mercado estranha o pagamento pela empresa de impostos atrasados de quase R$ 6 bilhões ao governo
federal. Apesar do lucro expressivo de R$ 7,8 bilhões no terceiro trimestre, mas correspondente à queda de 23,2%
relação ao total do trimestre anterior, a principal ação da mineradora – Vale PNA -, ao fechar cortada a R$ 42,34 em
quatro de novembro, acumulava perda de 7,93% nos doze meses anteriores, e ganho de 2,21% no acumulado do ano.

No entanto, o novo presidente da Vale, o mineiro de Uberaba, Murilo Ferreira tem todas as condições de levar a empresa
a retomar o brilho no mercado acionário. Ele deu uma boa notícia na Apimec-MG. Se algum investimento atrasar e
sobrar dinheiro em caixa, não hesitamos, vamos pagar mais dividendos. Afinal, eu não sou dono da Vale, sou empregado
dos acionistas e do conselho de administração, afirmou.

Além disso, o seu grau de conhecimento sobre os diversos projetos da mineradora deixou bem impressionados os
analistas de investimentos de BH.

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