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A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) reuniu autoridades, parlamentares e empresários no dia 08 de abril, em Belo Horizonte, para discutir ações e propostas para o desenvolvimento da indústria brasileira. Diretores nacionais e regionais apresentaram o diagnóstico atual do setor de bens de capitais mecânicos, além da visão de futuro e orientações para políticas públicas que elevem a posição competitiva do país no setor. Entre as ações necessárias estão a desoneração total dos investimentos, a melhoria da política de financiamentos, o incentivo às exportações, a defesa comercial e o desenvolvimento tecnológico.

O diretor regional da Abimaq, Marcelo Veneroso, abriu o evento sugerindo uma reflexão sobre qual é o real modelo econômico e de desenvolvimento almejado para o país. Ele alertou ainda a importância de não deixar que as circunstâncias e políticas de outros países interfiram no destino brasileiro.

Segundo o diretor secretário Abimaq, Carlos Pastoriza, é importante questionarmos o perfil de investimento que o país tem feito em suas indústrias. “Estamos passando por uma desindustrialização silenciosa, com uma primarização da nossa economia e quando perguntam ‘será que o Brasil pode se dar o luxo de viver apenas de commodities e prescindir da indústria de transformação’, eu digo que se for assim estaremos condenados a sermos um país pobre e de mais desigualdades sociais. A indústria de transformação tem um tecido complexo, que é o que gera uma classe média e é importante até para a estabilidade política de um país. Acredito que estamos em um momento de inflexão, o Brasil ainda tem a possibilidade de escolher se vai se transformar em uma potência ou se nós vamos calmamente trilhar um caminho de virar novamente uma colônia. Temos agora a condição de, mudando as nossas estruturas e o nosso arcabouço jurídico e legal, elevarmos o Brasil a ser uma grande potência nas décadas seguintes”, analisou.

O diretor regional da Abimaq, Henrique Adolfo Freitas, destacou que para fortalecer a indústria do Estado é importante se renovar o decreto sobre a antecipação de ICMS, que vigora até janeiro de 2014, incluindo outros CNAEs que beneficiem o setor, pois os contemplados no decreto atual ainda representam menos de 10%. Outro ponto, segundo ele é estabelecer um Plano que defina as regras para entrada de empresas es trangeiras em Minas Gerais. “Queremos indústrias que estejam envolvidas com a cadeia produtiva local”, comentou.

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A participação dos parlamentares na retomada da competitividade foi abordada pelo consultor político da Abimaq e ex-governador Rio Grande do Sul, Germano Rigotto. “A indústria nacional de bens de capital é uma indústria de fazer indústria. Os deputados federais e estaduais têm uma responsabilidade em tentar encontrar a forma de ajudar a reversão do quadro atual da indústria de máquinas e equipamentos. O Brasil não tem um instrumento de defesa comercial. Se continuar a guerra fiscal como está, teremos mais problemas para a indústria no Brasil”, ressaltou. Os deputados federais presentes se manifestaram positivamente a favor da causa. “Nunca tinha participado de uma reunião como essa, e após a apresentação destes dados, a indústria ganhará um soldado nesta luta. Apóio as reivindicações da Abimaq e coloco meu mandato à disposição das indústrias, à disposição do emprego no Brasil”, afirmou o deputado federal do PMDB, Leonardo Quintão.

“O importante é ter uma visão mais sistêmica do problema. Perdemos o horizonte das reformas estruturantes. Estadista não é aquele que faz o que garante popularidade. Estadista é o que faz o que precisa ser feito. Estamos à disposição da Abimaq”, reforçou o deputado federal do PSDB, Marcus Pestana.

A secretária de Desenvolvimento do Governo de Minas Gerais, Dorothea Werneck, ponderou sobre os desafios da gestão púbica e enfatizou seu interesse no diálogo. “Estou absolutamente aberta e vamos trabalhar em termos de tratamento de Estado. Em termos de investimentos, estamos tendo resultados positivos para Minas”. E lançou um desafio “seria muito interessante receber os representantes da entidade pelo menos uma vez por ano, em Belo Horizonte, para fazermos uma reunião do conselho da Abimaq”, sugeriu. O deputado estadual, Dalmo Ribeiro, do PSDB, anunciou o interesse em abrir uma frente parlamentar em defesa da indústria mineira, procurando efetivamente demonstrar sua insatisfação perante o Governo Federal. “Não aguentamos mais a invasão chinesa do Sul de Minas Gerais. Eu e todos os outros deputados estamos levando o “dever de casa”. Vamos verificar o que devemos fazer e agir, através do tão importante debate que aqui foi trazido. Temos que estar afinados para que o Governo se sensibilize e possa efetivamente acreditar no que a Abimaq está falando. Estamos à disposição para abrir uma discussão na Assembleia Legislativa de Minas Gerais para que tenhamos forças e possamos ouvir todos os empresários”, destacou.

O presidente do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (IBEF) e da Revista Mercado Comum, Carlos Alberto Teixeira de Oliveira observou que o país precisa se reconciliar com o desenvolvimento e com um crescimento econômico vigoroso e continuo com sustentabilidade e sustentação. “Já foram dados passos preciosos e importantes, mas não definitivos. Quero destacar nossa total solidariedade às reivindicações da Abimaq. Vamos levantar algumas bandeiras que não necessariamente significam mudanças da política econômica, mas que são coisas que estão desconhecidas ou às vezes têm passado em branco, principalmente no setor industrial. Não há capacidade de se promover desenvolvimento desprovido de uma indústria forte, com qualidade e sustentabilidade. Deixoclaro nosso apoio, encampando também como nossas, essas teses e propostas da Abimaq”, concluiu. Cenário A indústria nacional de bens de capital que, em 1980, era a quinta do mundo, hoje é a décima quarta. Segundo economistas da Associação, isso se deve ao fraco crescimento do PIB desde o início dos anos 1980, estagnado por mais de 20 anos e que manteve baixa a demanda por bens de capital; à queda acentuada da formação bruta de capital fixo, o que significa que os investimentos do governo foram reduzidos a menos de 1% do PIB; ao processo de desindustrialização ocorrido em vários segmentos da indústria no início de 1990, sobretudo no período de valorização do real a partir de 1995, que levou a uma queda expressiva da participação da indústria de transformação no PIB.

Com isso e a crescente entrada de produtos importados no país, a importação que representava 40% do mercado interno passou a atender 60% da demanda em menos de cinco anos. Todos esses dados reforçam a grande necessidade da atuação política para conter as perdas e colocar novamente o país em parâmetros próximos das economias mais dinâmicas do mundo.

Outra questão é a preparação do trabalhador brasileiro para a indústria do futuro. Para o gerente geral da empresa Trado Equipamentos, Alexandre Misk Neto, “só vamos ter uma economia e uma indústria forte quando o Estado assumir essa qualificação do trabalhador como uma verdadeira prioridade. Além disso, precisamos de um benefício tributário que seja horizontal para todos os setores e todas as cadeias da indústria”, disse. A instituição trabalha para restabelecer a competitividade e a força da indústria nacional. Promove ações junto às instâncias políticas e econômicas, estimulando o comércio e a cooperação internacional e contribuindo para aprimorar seu desempenho em termos de tecnologia, capacitação de recursos humanos e modernização gerencial. Entre os pleitos da Associação já atendidos pelos governos estão a desoneração do INSS na folha de pagamento; medidas de defesa comercial, como a elevação de alíquota para alguns produtos; redução de algumas taxas de financiamento pelo BNDES; eliminação do IPI; e a redução do prazo para a devolução dos créditos do PIS e COFINS.

Em 2012, realizou o movimento Grito de Alerta em todo o país, em defesa da produção e do emprego, nas cidades de Porto Alegre, Florianópolis, São Paulo, Belo Horizonte e Brasília com mais de 200 mil pessoas mobilizadas pela causa tendo a participação dos trabalhadores através das centrais sindicais, estudantes e empresários de diversos setores. Em Belo Horizonte, o evento tomou as ruas da capital e o plenário da Assembléia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) com o Ciclo de debates “Em Defesa da Produção e do Emprego – Contra a Desindustrialização”.

Considerado como estratégico para o desenvolvimento de todos os segmentos produtivos da nação, o setor de bens de capital mecânico é constituído por 4,5 mil empresas que, em seu conjunto empregam mais de 260 mil trabalhadores de alta qualificação. Produz bens em valor anual superior a R$82 bilhões, incluindo exportações da ordem de US$12 bilhões.

Entre as iniciativas programadas para os próximos anos estão elaborar Plano de Desenvolvimento de Fornecedores; fortalecer as empresas de Engenharia Nacional; identificar fronteiras tecnológicas na cadeia de bens de capital; incentivar investimentos em pesquisa, desenvolvimento e inovação; e investir na formação de quadros técnicos qualificados.

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