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Os estudiosos conhecem o valor dos ditos e expressões populares que se perpetuam por séculos, formando a alma de um povo. Se Minas Gerais consegue alcançar o primado, pela riqueza de seus ditos e casos, nunca alcançados por outras regiões do país, pela tradição secular o primado é judeu, inclusive no humor.

Dos antigos e tradicionais chassídicos, ortodoxos, há uma máxima de sabedoria que diz: “Somente para os estultos a velhice é o inverno. Para os sábios, é o tempo da colheita”. E o sentido da colheita é direcionado ao eu mesmo que sou o fruto amadurecido, que eu encontrei, a minha vida verdadeira natureza. Claro que o fruto é o resultado de muita fadiga e, por isso, a velhice, como lembra Anselm Grün, “pode tornarse um deleite que cresceu em nós”.

Não é por acaso que a visão da realidade do idoso é ampla, crítica, construtiva e, até mesmo, misericordiosa: afinal os homes são iguais em tudo, por tudo, enquanto passam pelo mundo.

Acontece que a riqueza, mesmo ela, perturba, conturba, envaidece, não se conforma e é levada aos píncaros da insatisfação pessoal, donde o desprezo pelo semelhante, seja individual quanto coletivamente. Pronto! No passado, a riqueza tinha um ar de nobreza: paitês, galões, fardamentos, smokings, fraques, grinaldas e outros que tais ornamentos.

Hoje, valham-nos os céus: jato privado, casamentos em série, desfamília, culto ao slogan, propinas, grifes, quanto menos isso como amostra.

Quanto mais exibicionismo, menos transparência, menos dignidade. Saudosista, recordo o ponto culminante da personalidade de um titã de caráter e de postura reservada:

Amador Aguiar, dito banqueiro caipira. Com ele cruzei, quase que diariamente durante oito anos, nas primícias do banco a quem se dedicava com ardor e paixão. Às vezes, eu, espantado, porque, sem meias, ele calçava sandália franciscana. Com esse proceder, criou riqueza, solidariedade, humildade dos seus comandados e uma visão de banqueiro de todos os seus funcionários, que nele percebiam o chefe deus, às vezes implacável como a ira de Deus, – pois, protestante-, a letra da Palavra, quantas vezes, era mais preciosa que seu espírito. Procurava ser justo.

Hoje, temerosos de sequestros, maquinadores de negócios estranhos, só se aventuram, poucos, ao exibicionismo, partindo para o futebol, banqueiros de alta roda.

Muito mais sóbrios que seus colegas de profissão, a de outras plagas, os brasilíndios não escapam à ambição avassaladora de comprar, por bem ou por mal, os pequenos bancos. Quanta saudade, sem a genialidade de Afonso Arinos, que, no Sertão, esgrimia palavras sobre o “mercado financeiro” nas Minas Gerais, eu me recordo dos “banquinhos” e das “cooperativas de crédito” pelo interior afora.

Cresceram os bancos, multiplicaram-se as fraudes, controlamse os órgãos que defendem os pobres consumidores de créditos, fabricam-se teses jurídicas que as cortes palacianas sumulam para cercear a liberdade do pobre e, agora, graças a malabarismos extraídos de legislações estranhas ao nosso ordenamento, mostra-se com a vareta mestre de um ministro do STF um novo Código de Processo Civil – somente para agilizar a justiça para os bancos. Até, pela madrugada a dentro, o STF trabalha para livrar banqueiros …

É o mundo novo, nem tanto admirável, como o de Huxley, e nem catastrófico, mas que seus dirigentes se esqueceram que as emissões mundiais de dióxido de carbono, em 2012, puseram no ar 36 bilhões de toneladas, ou sejam, 58% superiores a vinte anos atrás. Enquanto segue a vida, o aquecimento global, segundo o Banco Mundial, estima um aumento de 4 graus a temperatura nos próximos decenios, tornando a vida humana impossível, com todos os tipos de catástrofes climáticos a arruinar o planeta, tornando inútil quaisquer esforços que se continuem fazendo para lutar contra a pobreza, a desnutrição e as desigualdades sociais.

Então, como ser sábio, aprendendo destas considerações, ou lembranças, quando transparência, dignidade, honra e amizade eram palavras de uso familiar e existiam?

 

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