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Por: Wilson Renato Pereira

Jornalista, psicólogo e psicanalista
wrenato.pereira@gmail.com

 

As cervejas da Escola Inglesa se caracterizam, principalmente, pela baixa carbonatação, boa lupulagem e, em alguns casos, por menores teores alcoólicos; as da Escola Alemã pela lealdade à cultura regional e rigidez da receita com água, malte e lúpulo; as da Escola Belga pela criatividade no uso de ingredientes e condimentos.


Já a Escola Americana, a mais nova das escolas cervejeiras, reúne o melhor de todas as outras, acrescentando mais um importante detalhe, que é a sua maior característica: o extremo. Ou, como costumam dizer os americanos, é a escola do “plus”: mais amargor, mais aroma, mais sabor, mais corpo, mais álcool, muitas vezes, principalmente, no caso das cervejas artesanais.


Mas tem também o outro extremo, o do “less”, quando se fala das Standard American Lagers (chamadas erroneamente de Pilsen por aqui), bastante consumidas nos EUA, no Brasil e em vários outros países, nas quais faltam quase todas as boas características de uma cerveja e sobram ingredientes como milho, arroz e água. No entanto, por serem suaves e refrescantes e, principalmente, pelo baixo custo, esse estilo se popularizou. A maior parte dos apreciadores de boas cervejas não as incluem na sua lista, em função da falta de complexidade, da presença de alguns aromas e sabores indesejados, muito evidentes nos principais produtos da indústria mainstream.


Desde os primórdios da América do Norte, a cerveja faz parte da cultura local. Os navios que lá chegavam aportavam tonéis e mais tonéis da bebida, produzida na Inglaterra e Irlanda. Um grande marco foi a Lei Seca, em 1920, que, numa tentativa equivocada de salvar o país da pobreza e da violência, proibiu a fabricação, o comércio, o transporte, a exportação e a importação de bebidas alcoólicas. Ela vigorou por pouco mais de 12 anos e foi considerada o maior fracasso legislativo de todos os tempos nos Estados Unidos.


Após o fim da sua vigência e a estabilização do mundo pós-guerra, a indústria cervejeira americana se reergueu e o estilo American Standard Lager se popularizou muito, talvez pelas mesmas razões citadas antes neste texto. Hoje, sentimos essa influência nos quatro cantos do mundo, com amplo predomínio de marcas como Budweiser, Miller-Coors, Labbat, Kirin, Brahma, Skol e outras, com forte impacto mesmo em países com cultura cervejeira, que chegaram a adaptar suas receitas para fazer frente à concorrência externa.


Atualmente, a influência americana é outra e muito bem-vinda. Em meados da década de 1970, um pioneiro surgiu na Califórnia. Era Fritz Maytag, que adquiriu a fábrica da sua cerveja predileta – a Anchor Steam -, que estava prestes a fechar e a recuperou, aumentando seu catálogo e produzindo receitas muito saborosas, que inspiraram novos empreendedores no segmento, como Jack McAuliffe, com a sua New Albion Brewing Company. Ele fechou o empreendimento pouco tempo depois, mas abriu as portas para o movimento que tomou conta dos EUA.


Nos anos 1980, os Estados Unidos possuíam cerca de 1.800 cervejarias, vivendo uma grande expansão de mercado graças, sobretudo, às cervejarias artesanais. Dados mais recentes da American Brewers Association mostram que somente homebrewers são mais de 3.000, com o mercado específico de consumo crescendo acima de 10% nos últimos anos.


Os cervejeiros americanos revolucionaram o mercado e influenciaram uma nova geração de produtores artesanais em todo o mundo. Eles quebraram todas as barreiras possíveis em se tratando de experimentar novas possibilidades, criando receitas com ingredientes os mais diversos. Tudo sempre plus. Como no rock’n’roll, ritmo muito associado às cervejas artesanais, surgiram ícones como Ken Grossman, Paul Camusi, Ted DeBakker, Matt Brynildon, Sam Calagione, Garret Oliver e muitos outros.

Vários rótulos americanos estão disponíveis no Brasil, contendo ousadias deliciosas em estilos como Double Porter, Double IPA, Pale Ale, Barley Wine, Old Ale e as marcantes American India Pale Ale, com seu amargor, refrescância e corpo com perfeito equilíbrio entre notas florais, cítricas, aromas e sabores únicos derivados de lúpulos americanos.


Cervejas da Firestone, Lagunitas, Sierra Nevada, Anchor, Dogfish Head, Ballast Point, Brooklin, Founders, Samuel Adams, Rogue, Coronado, Goose Island, entre tantas outras, são imperdíveis e certamente influenciarão, para sempre, as exigências gastronômicas de quem as experimentar. E, por fim, mas não menos importante, não se pode deixar de citar a Novo Brazil Brewing, em Chula Vista, San Diego, Califórnia, recente empreendimento dos fundadores da campeoníssima Wäls, de Belo Horizonte, o casal Miguel e Ustane Carneiro.
 

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