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A imprensa especializada publicou matéria acerca dos ajustes contábeis ocorridos nos resultados de
empreendimentos imobiliários de grandes empresas, em razão de valores contabilizados com base
em orçamentos sub avaliados, gerando uma grande alteração no resultado bruto das empresas. Tal
matéria expõe o quanto um número bem ou mal produzido reflete na gestão das organizações.

O momento atual vem demonstrar o quanto a Contabilidade é fidedigna na sua apresentação, com base
nos princípios por ela adotados, quer seja do chamado Valor Justo (Fair Value), quer seja com base no
Valor Orçado. Há tempos, aliás, os números apresentados pela Contabilidade já deveriam ser valorizados.
O que ocorre é que, muitas vezes, a maioria dos leitores destes números acredita mais no seu
“sentimento” do que naqueles números apresentados nos balanços. Isto, no mínimo, exige uma reflexão
dos profissionais da Contabilidade no sentido de encontrarmos uma forma de que a leitura destes dados
seja feita adequadamente, independentemente da formação acadêmica dos empresários.
O que repercutiu bastante na citada reportagem foi o ajuste realizado em empreendimentos da
Camargo Corrêa Desenvolvimento Imobiliário que, de um resultado bruto de 20,8% positivo num
trimestre, caiu para 21% negativos, no semestre seguinte.

Enquanto profissional da área contábil pergunto: será que, de fato, houve uma alteração tão relevante,
em tão pequeno espaço de tempo, que fez com que o resultado fosse bruscamente alterado?
Naturalmente que sim, por se tratar de uma empresa séria (não cabe aqui nenhum questionamento
sobre isto, mesmo porque o enfoque é outro neste artigo). O que se destaca é o quanto a informação
contábil é importante para os executivos e para o mercado, desde que adotada criteriosamente.
A atividade imobiliária, por si só, já exige um grande controle, quer seja no valor de venda das
unidades, quer seja no valor de custo dos insumos e da mão de obra. Aliado a isto, temos os efeitos
técnicos adotados pela Contabilidade, no sentido de representar adequadamente os fatos ocorridos
na atividade. Por isto, ao serem registrados os dados de um empreendimento no sistema contábil
das organizações, não se pode desprezar nenhum elemento que compõe o resultado da atividade,
principalmente com base nas projeções realizadas quando do lançamento do empreendimento.
Um fato que ficou evidenciado foi a contratação das obras através de empresas terceirizadas,
cuja apuração definitiva dos orçamentos só é possível com a aproximação da entrega das unidades. Isto vem demonstrar que, apesar de se ter a atividade terceirizada, reduz-se o nível de controle. E a Contabilidade
permite, exatamente isto, um maior controle da evolução das obras, com interferência direta nos
seus resultados.

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Uma coisa é elaborar o orçamento do empreendimento, considerando-
se os quantitativos daquele projeto. Outra coisa
é administrar a execução deste orçamento, aliado ao valor
venal das unidades. Há tempos que a equação do resultado
já foi alterada, no que tange ao valor de venda que, antes,
poderia ser fixado com base nos custos e despesas, acrescido
da margem de lucro. Esta regra mudou! O mercado
dita o valor de venda. O que precisa ser controlado são os
custos e as despesas deste empreendimento. E a Contabilidade,
sendo bem utilizada serve como um painel de visualização
dos negócios, a fim de que as eventuais correções de
rumo não demorem tanto tempo como se parece na caso
acima citado.

A partir do momento que os gestores das organizações
usam o método de apuração do resultado com base no
orçamento da obra (com base no percentual de evolução do
empreendimento, apura-se a receita e os custos, obtendose
o resultado da obra até aquele instante), a Contabilidade
pode, perfeitamente, contribuir com estes gestores, evitandose
surpresas.

Usando adequadamente os recursos fornecidos pela
Contabilidade, os gestores imobiliários têm diante de si um
grande instrumento para redirecionar os seus negócios,
visando manter a sua rentabilidade. Por outro lado, deixando
de registrar os fatos internos e externos que influenciam a
atividade empresarial, é possível se deparar com distorções
da magnitude acima apresentada. As mudanças feitas no
decorrer da obra devem ter seu reflexo demonstrado nos
balanços (até mesmo nos balancetes mensais), para evitarse
um ajuste maior ao final do empreendimento.

Nos dias atuais, não há necessidade das empresas ficarem
“torcendo” para o empreendimento dar lucro, ao final de sua
comercialização, colocando os investidores em pânico sobre
o futuro do seu investimento. Pelo contrário, existem meios
adequados, e profissionais competentes, para que alterações
bruscas sejam imediatamente informadas, no sentido de se
buscar a correção do rumo.

Como o setor imobiliário é bastante vulnerável a mudanças
de mercado (seja no valor venal, seja no custo dos insumos),
urge ter-se um maior controle destes negócios no seu dia
a dia. E, para isto, nada melhor do que uma Contabilidade
bem estruturada, principalmente nos seus centros de custo,
como também na correta divulgação e entendimento dos
resultados apresentados.

Ao profissional contábil responsável por tais números, cabe
a função de buscar uma “tradução” para os executivos, de
forma a que os mesmos falem a mesma língua, em prol da
boa gestão dos negócios empresariais.

Por: Nourival Resende
Contador, Mestre em Contabilidade,
Diretor da Associação Comercial
e Empresarial de Minas.

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