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Carta de Curitiba

O Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (IBEF) realiza anualmente seu congresso nacional, com o objetivo de debater os principais temas da economia brasileira e mundial e apresentar propostas e soluções para a sociedade.
O XXII Congresso Nacional de Executivos de Finanças (CONEF), realizado em Curitiba, de 28 a 30 de setembro de 2011, trouxe como tema “O Brasil de hoje: desafio presente”, que agrega todos os desafios com os quais se deparam os executivos de finanças na atualidade. Isso é uma realidade marcante especialmente no Brasil diante das variantes que o executivo encontra no seu cotidiano em meio à elevada carga tributária, taxa de câmbio desfavorável à competitividade e inúmeros outros desafios ao pleno exercício da profissão.

Durante três dias foram discutidos assuntos relacionados aos problemas que o Brasil vem enfrentando não só em relação à crise internacional, mas também os desafios que o país-sede da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas em 2016 terá pela frente, principalmente com relação à infraestrutura. Nas dez palestras realizadas foram apontadas sugestões para tornar o Brasil uma potência forte, que possa exercer um papel de liderança entre as economias emergentes e que se sobressaia entre as grandes nações.

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A escassez de mão de obra qualificada é outro gargalo que pode impedir a continuação do crescimento do País.
É preciso unir esforços, governo e iniciativa privada, para a implantação de um grande programa de qualificação de trabalhadores. Investir em qualificação e educação é prioritário para inserir no mercado de trabalho cidadãos com competências adequadas. Para tanto, não se deve esquecer que a qualificação precisa começar já na educação infantil.
Com relação à sustentabilidade, é importante que os executivos consigam levar à frente iniciativas de se monetizar
o impacto da biodiversidade, através dos créditos de carbono, que permitirão que os riscos, a locação de recursos
e a valorização das empresas levem em conta no futuro o impacto financeiro desse fator.

Os executivos de finanças destacaram em suas conclusões que o Brasil apresenta situações privilegiadas no cenário
atual. Mas, para serem bem aproveitadas, requerem que não se perca no planejamento das empresas os objetivos estratégicos que enderecem as oportunidadedes, que são criadas pela dificuldade do cenário internacional atual, e não percam de vista as chances que o País tem de cobrir lacunas de supridor de recursos críticos tais como alimentação, minerais e outros produtos, que com maior produtividade, exigirão pouco esforço de novos recursos da biodiversidade, significando fonte de riqueza para destinar as melhorias nas condições de vida e de sustentabilidade do povo brasileiro.

O XXII CONEF contou com a participação de 500 congressistas, que terão um novo encontro daqui a um ano, em
São Paulo.

Palestras

O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, fez a palestra especial de abertura dos trabalhos do XXII CONEF com o tema “Desafios e Perspectivas da Economia Brasileira”. Tombini tranquilizou os executivos com relação à inflação e ao câmbio. Segundo ele, a inflação deve encerrar o ano em torno 6,4%%, portanto dentro do limite máximo da meta, e cairá para algo entre 4,7% e 4,9% em 2012, voltando às metas previstas. Ele alegou que a pressão inflacionária registrada no primeiro semestre deste ano, especialmente março e abril, foi causada pela elevação dos preços das commodities internacionais e por fatores climáticos, bem como pelo aumento de taxas de produtos administrados.

Tombini admitiu que o Brasil não é uma ilha, mas consegue transitar com facilidade no ambiente internacional. Com relação ao Produto Interno Bruto (PIB), o Banco Central prevê um crescimento de 3,5% para 2011, abaixo dos 7,5% verificados no ano passado. Outra sinalização preocupante, revelada por Tombini durante sua palestra, diz respeito à produção industrial brasileira que, embora elevada e acima do desempenho histórico, já demonstra tendência de moderação. Ele também revelou que o ritmo de geração de emprego formal apresentou queda nos últimos quatro meses.

Com relação à economia global, o presidente do Banco Central admitiu que já se observa uma forte deterioração, e os riscos demandam ações rápidas das economias maduras. Já o baixo crescimento das economias dos países desenvolvidos por um período prolongado aumentará as pressões desinflacionárias.

A segunda palestra do XXII CONEF foi sobre inflação, juros, câmbio e dívida pública: sintonia fina para sua gestão no
tempo. A falta de uma política monetária mais audaciosa, capaz de fazer o Brasil crescer economicamente, e a alta carga
tributária aplicada no País foram destacados pelo presidente do IBEF/MG, Carlos Alberto Teixeira de Oliveira, e pelo presidente do Ipardes, Gilmar Mendes Lourenço. De acordo com Carlos Alberto Teixeira de Oliveira, faltam incentivos para que o País cresça, e a atual política monetária provoca efeitos perversos e nocivos e é incompatível com as taxas de um crescimento mais vigoroso. Lourenço destacou em sua palestra a falta de uma maior atuação do estado para criar uma política econômica forte em benefício do Brasil. Embora a pirâmide social tenha se invertido, ainda falta uma ação mais incisiva e audaciosa para criar uma política monetária forte. O presidente do Ipardes explicou ainda que o País colhe os frutos de investimentos feitos na segunda metade da década de 80, como a redemocratização, a lei de Responsabilidade Fiscal, a desinflação e a valorização do
salário mínimo. Mas enfrenta hoje três grandes desafios: melhorar o ambiente de negócios no país, recuperar a capacidade de investimentos e fazer reformas microeconômicas (tributária, fiscal, trabalhista).
“Mercado de Capitais: amadurecimento e ampliação de acesso” foi o tema da segunda palestra, abordado pelo gerente de prospecção de empresas da BM&FBovespa, Renato Issatugo, pelo sócio da Queluz Asset Management, Maurício Pedrosa e pelo presidente da Cypress Associates, Luis Felipe Alves Issatugo afirmou que o Brasil atravessa momento único, com Copa do Mundo, Olimpíadas e Pré-Sal e as empresas precisam se preparar para este crescimento e, quanto melhor estiverem preparadas, mais conseguirão fontes de capital. Segundo ele, apesar das turbulências mundiais, o cenário é positivo para o Brasil, que está sendo bastante procurado por investidores estrangeiros. Pedrosa lembrou que o sistema financeiro brasileiro é um dos mais sólidos do planeta e alguns dos eventos que estão ocorrendo no mundo, jamais se registrarão no Brasil. Ainda segundo ele, o País é um porto atrativo para o investimento direto.

A terceira palestra teve como tema “Infraestrutura: carências conhecidas e soluções possíveis”. Para o presidente da Ouro Verde Logística, Karlis Kruklis, a falta de infraestrutura tem impedido que o Brasil cresça mais de 3% e cobra das autoridades mais eficiência e agilidade na aplicação dos recursos. Também para diretor-superintendente da Portonave, Osmari Ribas, a infraestrtutura é fator limitante do crescimento brasileiro. Segundo ele, o Brasil investe apenas 2% do PIB em infraestrutura, o que é insuficiente, e defendeu a construção de terminais privados. Entre as propostas apresentadas pelo diretor da Portonave, estão a estabilidade do marco regulatório para garantir investimentos; a otimização do sistema portuário com a liberação de
novos projetos; o fim da distribuição entre cargas próprias e de terceiros; a revogação da cobrança pelo uso do espelho
d´água; a redução dos custos de mão de obra; novas licitações para portos e incentivos à qualificação de mão de obra.
Para o CEO da M Brasil, Enrique Traver, o Brasil agrícola é a bola da vez. Segundo ele, os grandes produtores mundiais,
com exceção do Brasil, chegaram ao limite do uso de terras para exploração agrícola. Os Estados Unidos não têm mais
áreas disponíveis para plantar e atender a demanda mundial de alimentos que está crescendo cada vez mais e o Brasil
é o único país do mundo que aparece com potencial para aumentar a produção e exportação de grãos. O CEO da M
Brasil aponta que o futuro é promissor e os altos preços das commodities são um incentivo para produzir mais.
A quarta palestra abordou a “Empregabilidade: geração e retenção de talentos”. O sócio-gerente da De Bernt
Entschev, Bernt Entschev, o CEO da Fesa Recruiters, Alfredo Assumpção, e a presidente da ABRH/PR, Sônia Gurgel, enfocaram as características do líder e deram destaque aos altos e baixos do setor de Executive Search, que é um dos mais atingidos pela crise da Europa e Estados Unidos. O Brasil representa hoje 70% da busca por executivos e o apagão de talentos deve continuar. Segundo Sônia Gurgel, o conflito de gerações tem trazido desconforto para as empresas e o desafio é como trabalhar com a
diversidade das gerações de idades diferentes. Entre as alternativas apontadas para reter talentos, estão a implementação de processos eficazes, com ênfase em identificação de competências atuais e futuras; desenvolvimento das competências e
continuidade a essas ações; identificação das pessoaschave; e adotar programas específicos para reter talentos, conforme a necessidade identificada.

Na quinta palestra, que tratou sobre “Internacionalização dos Executivos de Finanças”, o gerente-geral da Renault do Brasil, Ciro Possobom, animou os executivos ao informar que os salários dos profissionais de finanças no Brasil são mais elevados do que no exterior. Mas, segundo ele, os executivos que buscam uma expatriação o fazem para impulsionar sua carreira e não para ganhar mais. Os executivos que pretendem trabalhar fora não devem se esquecer de que as empresas são globais e, portanto, as soluções financeiras também são globais. Na avaliação do conselheiro da CNH Latin America, Francesco Pallaro, a internacionalização do executivo sempre foi o diferencial importante no mercado de trabalho. Ele destacou aos congressistas que a verdadeira internacionalização não é só a informação e conhecimento que se adquire – é a própria experiência de vida. “O que se obtém vivendo nos lugares e interagindo com as pessoas é o que faz a diferença para o executivo internacional”.
O Head de Finanças do HSBC no Brasil, Álvaro Azevedo, afirmou que, entre os benefícios do executivo brasileiro em trabalhar no exterior, estão a versatilidade ou flexibilidade, que são um diferencial; aumento da exposição perante o mercado; ganho de visão global; e desmistificação de conceitos e abrem-se oportunidades bilaterais de negócios. Além do trabalho, quem parte para o exterior deve se preocupar com a sua família, que estará exposta integralmente à nova cultura e ao novo ambiente.
O terceiro e último dia do XXII CONEF foi aberto com palestra sobre “Formação e qualificação profissional: necessidade
imediata e inadiável”, com o economista, professor e colunista da revista Veja, Cláudio de Moura Castro, e pelo vice-governador e secretário de Educação do Paraná, Flávio Arns. Castro destacou aos executivos que a educação anda junto com o desenvolvimento e que ela por si só muda os valores, hábitos e pensamentos. Quem tem mais educação também investe mais. Ele aponta que as empresas devem pressionar politicamente para que o País tenha escolas públicas de qualidade e complementar com bons programas internos de treinamento, o que está faltando. Arns defendeu que toda a caminhada na educação tem que levar à formação de bons profissionais e que a qualificação é um dos maiores desafios do mundo atual, que pode ser solucionado através de parcerias. O governo do Paraná fez parcerias com a
Fecomércio, Senar e Senai para a qualificação dos alunos no contraturno.

“A Sustentabilidade: nossa resposta ao mundo” foi o tema da sétima palestra do XXII CONEF, que trouxe cases na área
empresarial, relatando experiências de O Boticário, Fibria Celulose e Instituto Life. José Luciano Penido, presidente do Conselho de Administração da Fibria, ressaltou que é possível conjugar desenvolvimento econômico e sustentabilidade. Com perspectiva de aumento da demanda por commodities, o Brasil é um exemplo na área de manejo florestal. Nesse sentido, Penido afirma que a empresa não corta árvores, mas as colhe. Já Malu Nunes, diretora executiva da Fundação Boticário de Proteção à Natureza, afirma que as organizações devem estar preparadas para gerenciar seus negócios com sustentabilidade antes que
a legislação imponha essa obrigatoriedade. Para essas novas necessidades, o desafio é promover o entendimento no empresário de que o negócio está atrelado a temas como preservação e sustentabilidade.

Para Miguel Serediuk Milano, vice-presidente do Conselho Diretor do Instituto Life, é necessário prever cenários para implementar ações de sustentabilidade e os empresários não estão preparados para lidar com situações de longo prazo,
como riscos climáticos, que podem abocanhar 19% do PIB das nações, aumento de emissões de carbono com a exploração
do pré-sal, assim como o verdadeiro “buraco negro” existente nas ações das esferas pública, privada e individual.
Uma das palestras mais polêmicas do XXII CONEF tratou do tema “Inclusão Fiscal e Carga Tributária”, que contou com a
mesa-redonda de Otacílio Cartaxo, presidente do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) do Ministério da
Fazenda, de Monroe Olsen, vice-presidente da Associação Comercial do Paraná (ACP), e José Octávio Vianello, presidente
da Unipar. Cartaxo teve a missão de justificar a carga tributária brasileira sob ponto de vista do governo, comparando o fisco
brasileiro a uma jazida perene, cuja obrigação do governo é operar de maneira eficiente esse espaço dentro dos limites legais.

Ele admitiu, no entanto, que nem sempre essa jazida é bem utilizada em sua plenitude, o que tem sido suprido pela melhoria
de controles e sistemas da Receita Federal, permitindo que o crescimento da arrecadação seja superior ao do PIB em função
de uma arrecadação mais efetiva. Em contrapartida, José Octávio Vianello de Mello criticou o abismo existente entre a arrecadação e a falta de aplicação desses recursos para melhoria nos serviços públicos.

A penúltima palestra trouxe aos congressistas um tema de grande importância: que é “As Redes Sociais e seus impactos no mercado atual”, tendo como painelistas o sócio da MOB Inteligência em Rede, Luiz Carlos Salem Bouabci, o diretor-executivo
da Magic Web Design, Antonio Borba, e o diretor da Norecom, Luciano Giannini. Um ponto foi convergente neste painel. Para os palestrantes, atualmente, já não é possível para uma empresa optar por não criar páginas em redes sociais com o objetivo de não ser notada no meio digital. Administrando perfis próprios ou não, as marcas estarão sendo discutidas pelos usuários da rede a todo momento. Embora cada um dos palestrantes tenha enfocado assuntos diferentes, a opinião geral foi convergente: se usadas corretamente, as redes têm muito a contribuir para a imagem de empresas e pessoas, como os profissionais
da área de finanças, foco do congresso. “Um executivo de finanças pode utilizar-se de redes como o LinkedIn para posicionar-se profissionalmente, trocando experiências e ficando visível para o mercado”, pontuou Bouabci. Giannini, por sua vez, destacou a importância do compartilhamento de interesses para tornar-se relevante. Neste mesmo raciocínio, Borba complementou: “Se o profissional gostar de escrever, pode criar um blog comentando assuntos de interesse para aumentar sua relevância pessoal”.

Palestra especial de encerramento

A palestra de encerramento foi proferida pelo ex-governador do Paraná, arquiteto e urbanista, Jaime Lerner, que recebeu
o Prêmio IBEF. Ele é o primeiro profissional que não é da área financeira a receber tal premiação. Lerner, considerado um dos 25 pensadores mais influentes do mundo, falou sobre o futuro das cidades. Segundo ele, cidade não é problema, mas uma solução. As cidades também são o último refúgio de solidariedade. Se houver uma visão generosa, as pessoas viverão melhor e os países serão melhores para os seus habitantes. Na sua visão, qualquer cidade pode melhorar, independente de suas condições financeiras e porte. Trata-se apenas de ter uma visão solidária e uma decisão estratégica. Lerner afirma que as cidades de uma formas geral apresentam problemas semelhantes, em especial, nas áreas de educação, segurança e saúde.
Para ele, as cidades deveriam ser como as tartarugas, que têm abrigo, trabalho e mobilidade no mesmo espaço. Se cortar o seu casco ela morre. É isso que as cidades estão fazendo.

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