*Por Aguinaldo Diniz Filho

            É extremamente oportuna, apropriada e, sobretudo, capaz de resgatar condignamente a memória daquele que foi um de nossos grandes governantes – se não o maior –, a campanha que deflagramos e que foi de pronto encampada pelo empresário, economista, escritor e vice-presidente da ACMinas, Carlos Alberto Teixeira de Oliveira,, pela mudança do nome da avenida do Contorno, uma simples referência geográfica, para Avenida do Contorno Presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira.

            Esta iniciativa precisa ser percebida, por nossa administração municipal, como muito mais que uma homenagem, como tantas que se fazem quase cotidianamente. É, não tenhamos dúvidas, uma questão de justiça. Afinal, foi Juscelino, prefeito da ainda jovem capital mineira de 1940, que tirou do papel e tornou realidade um projeto que então já fora iniciado mas cuja conclusão dependia de trâmites que dormitavam nas gavetas da burocracia.

            Um “especialista em Juscelino Kubitschek”, Carlos Alberto acaba de lançar, em evento acontecido na ACMinas, os três alentados volumes que relatam, com impressionante detalhismo e precisão histórica, toda a carreira do prefeito, governador e presidente da República que, com verdadeira obsessão, modernizou Belo Horizonte, possibilitou o justo destaque a Minas Gerais no mapa federativo e fez com que o Brasil avançasse, como era o lema de sua campanha à Presidência, 50 anos em 5.

            Carlos Alberto assinala que, durante seus primeiros 30, 40 anos a capital mineira era, essencialmente, uma cidade de funcionários públicos que assumia esta vocação e, com ela, a imagem que a ela correspondia: um lugar pacato, então ainda habitado predominantemente por forasteiros – como, aliás, o próprio Juscelino, que aqui chegara em 1922 para estudar Medicina. Depois de uma curta carreira como capitão-médico durante a Revolução de 1930, acabou ingressando na política e, já em 1940, seria prefeito de Belo Horizonte. Foi sua oportunidade para mostrar a que veio: entre suas primeiras obras, que incluíram pavimentar a zona central, asfaltar a avenida Afonso Pena e – daí a razão da homenagem proposta – tornar realidade a avenida do Contorno. Pouco tempo depois isso aconteceria: a área em que se concentravam a maior parte do comércio, as instituições públicas e a própria população foi circundada por uma avenida de 12 quilômetros, que se tornaria o principal elemento de ligação dos diversos bairros. E que mantém, até hoje, o nome prosaico que lhe foi dado: Avenida do Contorno.

            A proposta abraçada por Carlos Alberto Teixeira de Oliveira tem, portanto, uma fundamentação que leva em consideração o passado mas que concentra-se, sobretudo, no mérito. JK passou para a história da cidade como o “prefeito-furacão”, pela quantidade e rapidez das obras que realizou. Apenas um exemplo, capaz de sintetizar sua visão cosmopolita: havia em Belo Horizonte uma barragem, resultante do represamento de diversos córregos, utilizada para o abastecimento de água para a cidade.

            Juscelino percebeu naquilo uma nova perspectiva, a do potencial turístico e de lazer que poderia oferecer. Convocou o arquiteto Oscar Niemeyer e começou a aventura que marcaria não só sua passagem pela prefeitura de Belo Horizonte como, mais tarde, a construção de Brasília. A novidade chamava-se Pampulha. Era uma região pouco habitada que logo estaria conectada à área central de Belo Horizonte por uma avenida moderna e que, com as inúmeras obras ali realizadas – as do Iate Clube, do Cassino, da Casa do Baile e da Capela de São Francisco de Assis, para ficar em apenas alguns poucos exemplos –, logo iria se tornar uma referência internacional da capital mineira. Hoje, o conjunto da Pampulha é, nada mais, nada menos, um Patrimônio Cultural da Humanidade, título conferido pela Unesco.

            Mas fiquemos por aqui. Todos sabemos que foi muito, muito mais o que Juscelino fez por Belo Horizonte, por Minas Gerais e pelo Brasil. O que cabe registrar, neste extenso contexto, é o empenho, a tenacidade, a precisão e o desprendimento com que Carlos Alberto Teixeira de Oliveira resgatou, nos três alentados volumes que dedicou à vida e ao legado de  Juscelino Kubitschek de Oliveira, a memória de tempos em que nós brasileiros vivíamos as dificuldades de sempre – políticas, econômicas, sociais – mas em que vivemos, também, tempos felizes. E que a avenida do Contorno passe a se chamar Avenida do Contorno Presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira