Um Brasil perdido, sem rumo
Um Brasil perdido, sem rumo - Paulo Cesar de Oliveira
Um Brasil perdido, sem rumo – Paulo Cesar de Oliveira* 
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Nestes tempos de enclausuramento por causa das chuvas e das pandemias (a gripe já é pandemia?) ficamos com um sentido crítico mais aguçado, com tempo para analisar cada movimento de nosso cotidiano, especialmente aqueles que envolvem nossos políticos. E este tempo e disposição para analisar nosso dia a dia político acaba trazendo um sentimento que é um misto de revolta, de indignação, e uma enorme frustração pela certeza de que, tão cedo o país tomará jeito, passará a ser sério e encontrar um rumo.

Sinceramente, nunca vi e senti o Brasil tão perdido. Nunca, que eu tenha testemunhado, tivemos tanta irresponsabilidade política, tanto descompromisso de nossa classe dirigente com a condução do país. Só não estamos em pior situação por termos agilizado a vacinação de nossa gente, o que só aconteceu por uma ação política firme do governador João Doria.

Mas é triste ver milhares, ou milhões, de cidadãos- idosos e de tenra idade- esperando por horas em postos de saúde pública por um atendimento, não raramente por médicos exaustos ou despreparados, enquanto o presidente, por uma dor abdominal, ocupa um andar inteiro de um hospital em São Paulo, depois e de ser cuidadosamente levado de suas férias na praia, por um avião da Força Aérea. Mais, depois de mandar vir da Bahamas, onde passava férias, seu médico preferido. Não, antes que os imbecilizados gritem, não quero o presidente na UPA, nem os cidadãos em hospitais- que mais parecem hotéis- de luxo em São Paulo.

Abordo a questão para mostrar a disparidade do tratamento que, em relação ao cidadão, poderia ser mais humano. Na Inglaterra, mandaram os militares das Forças Armadas ajudarem no atendimento hospitalar das vítimas das pandemias. Em tempos de paz é sempre possível prestar serviços ao povo que paga as despesas dos quartéis. Triste ver que ´por aqui ninguém se mexe que, ao contrário, se omitem, ficam batendo boca, como se estivessem sobre o palanque das eleições. Discussão estéril, com opiniões estapafúrdias de quem não sabe nem mesmo mastigar suas refeições ou que se anulam profissionalmente para se manter em seus cargos. Triste país.  Um país sem líderes- em todos os setores- capazes de exigir ações e fazer calar os que vivem a matraquear absurdos. Nem as milhares de mortes e os milhões de doentes são capazes de causar indignação e procurar a união, ou pelo menos a busca do consenso.

Num momento tão grave o que vamos assistindo é o aumento da radicalização de pessoas que se deixam levar pela insensatez dos que se apresentam como líderes e que só ocupam este espaço pela omissão de uma maioria acomodada. É preciso torcer, e torcer muito, para que o Brasil não siga em seu caminho. Que não enfrente um clima de convulsão social alimentado pela fome e pobreza, estimuladas por quem só pensa em permanecer ou chegar ao poder a qualquer preço.

Estratégia ou incompetência?
Estratégia ou incompetência?

Estratégia ou incompetência? Num governo tão confuso, fica difícil saber o porquê de as coisas acontecerem de uma forma que, aos de bom senso, é o avesso da lógica. Estranho que assim venha acontecendo em um governo comandado por um militar, que o brasileiro tem como modelo de disciplina, ultrapassando todos os limites do razoável e da ordem.

É inadmissível a balbúrdia que vem acontecendo no Ministério da Saúde que, fora de qualquer razão lógica, insiste em patrocinar o uso de um medicamento contra a covid 19, descartado como ineficaz pelas principais agências de saúde do mundo. Aqui, meia dúzia de profissionais obscurantistas e negacionistas, cujo único objetivo parece ser agradar ao chefe, usa o ministério para insistir na recomendação de medicamentos inúteis e no ataque aos resultados da vacinação. Têm o desplante, com a conivência do chefe, o presidente Bolsonaro (foto), de dizer que a vacina não serve para nada. “Aí tem coisa”, colocaria sob suspeita o presidente- como já fez em outras situações, sempre em confronto com a lógica. Pior, o documento que defende o kit covid e coloca sob suspeita a vacinação, assinado por um oftalmologista sem visão, desmente a fala do próprio ministro.

É muita desorganização de um governo eleito pelo voto popular com a promessa de colocar ordem no país. O que, afinal, pensa o presidente Bolsonaro ao alimentar, por ação ou omissão, esta bagunça em área tão sensível de seu governo? O que afinal pensa o presidente ao assinar decretos que permitem a destruição de cavernas Brasil afora? O que pensa o presidente Jair Bolsonaro ao fechar olhos e ouvidos às denúncias contra o garimpo ilegal na Amazônia que está destruindo a região livremente, como faz agora no rio Tapajós, numa área de alto potencial turístico? “Aí tem” diria o presidente.

*Jornalista e empresário do Grupo Viver

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