Solo e vegetação nativa do Alto Jequitinhonha estão ameaçados pela monocultura de eucalipto, é o que revela estudo
Solo e vegetação nativa do Alto Jequitinhonha estão ameaçados pela monocultura de eucalipto, é o que revela estudo
Solo e vegetação nativa do Alto Jequitinhonha estão ameaçados pela monocultura de eucalipto, é o que revela estudo
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Mais de 60% da região está tomada pela plantação de eucalipto, o que impacta negativamente na vida dos moradores

Pesquisa realizada pelo Centro de Agricultura Alternativa Vicente Nica (CAV) mostra que a monocultura de eucalipto na região do Alto Jequitinhonha, Minas Gerais, tem causado graves impactos ambientais para a região.

O estudo foi feito em parceria com pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Instituto Federal do Norte de Minas Gerais (INFMG), Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM), Instituto Federal do Leste de Minas Gerais (IFLMG) e Instituto Federal do Sudeste de Minas Gerais (IFSMG). Também contou com o apoio do Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor) e foi intitulado de: “Salvaguardas ambientais: analisando impactos da monocultura de eucalipto“.

As questões ambientais

Entre os dados mais preocupantes da pesquisa está o fato de que mais de 61% das áreas rurais da região estão tomadas por eucalipto. A planta é conhecida por extrair o máximo possível do solo, água e sais minerais e é considerada uma das principais responsáveis pela desertificação da região.

A diminuição da recarga de água, o rebaixamento dos lençóis freáticos, o secamento de veredas e nascentes e a diminuição das vazões dos rios são apontados como as principais consequências diretas do plantio do eucalipto.

Só no quesito água, por exemplo, a vegetação nativa do cerrado era capaz de absorver para o solo cerca de 50% do que caía das chuvas. Com a monocultura de eucalipto, esse número cai drasticamente para apenas 29%.

O problema social

Não bastasse toda a questão ambiental, o plantio de eucalipto também tem trazido problemas sociais para a região.

O início das plantações começou a partir de incentivos fiscais na época da ditadura militar, nos anos 70. Com o passar dos anos, a região foi tomada pela monocultura da planta e junto disso vieram remoções, desapropriações e problemas hídricos.

Na região analisada, 52% das famílias têm consumo médio de 43 litros de água por habitante/dia, enquanto a Organização Mundial da Saúde (OMS) estabelece como quantidade mínima de consumo 110 litros de água por habitante/dia.

Os custos atuais de abastecimento de água recaem sobre as próprias famílias, o poder público e a sociedade como um todo, que custeiam caminhões pipas para garantir o acesso mínimo à água, enquanto o lucro pela exploração da atividade econômica é apropriado pela empresa.

A participação do Idec no estudo

O Idec é parceiro das demais organizações na pesquisa a partir do GBR (Guia dos Bancos Responsáveis). Nele, o Instituto avalia bancos e fintechs em diversos pontos, como o respeito ao meio ambiente, direitos humanos e florestas.

No caso específico da monocultura de eucaliptos no Alto Jequitinhonha, o GBR analisou que o BNDES foi o segundo principal financiador da Aperam Bionergia (responsável pelas plantações de eucalipto na região). Só nos anos de 2016 e 2017 foram mais de 34 milhões de reais investidos na empresa multinacional.

O Banco Votorantim também é financiador da Aperam. Entre 2016 e 2018, a instituição financeira desembolsou R$ 2.582.000,00 para a empresa de eucalipto.

Tanto o BNDES quanto o Votorantim têm pontuação bem baixa nos quesitos analisados pelo GBR.

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