Siracusa - Cultura Grega no Sul da Itália
Siracusa - Cultura Grega no Sul da Itália
Siracusa – Cultura Grega no Sul da Itália
Mercado Comum Jornal on line BH Cultura Economia Política e Variedades

Paulo Queiroga – (Queiroga1953@gmail.com)

Na sequência do roteiro pelas cidades antigas da Sicília, visitamos Siracusa, poderoso porto marítimo, da Itália de hoje, na região chamada de Magna Grécia na antiguidade.

A Polis de Siracusa é um centro histórico produtor e reprodutor da cultura grega. Três mil anos de história produziram gênios da humanidade na Matemática, Física e Filosofia, como, por exemplo, o matemático e físico grego, Arquimedes.

A antiga Cidade-Estado foi um dos palcos de eventos históricos marcantes, como a Guerra do Peloponeso envolvendo principalmente Atenas e Esparta. Com apoio dos Persas, Esparta derrota Atenas e inicia-se o período de enfraquecimento das Cidades-Estado gregas.

Siracusa fica no Sul da Sicília. Ponto estratégico de comércio, onde o Mar Jônico se encontra com o Mediterrâneo, a cidade é decantada em prosa e verso nas tragédias gregas e referenciada pela maioria dos filósofos da antiguidade, inclusive Sócrates, Platão e Aristóteles. Platão esteve algumas vezes em Siracusa para tentar, junto ao Tirano Dionísio, aplicar sua famosa tese da República governada por filósofos. Frustrado e sem êxito, Platão se desilude com a política a partir da experiência em Siracusa.

Siracusa é também a terra natal de Santa Luzia, a protetora dos olhos. A dramática história de Luzia, nascida em Siracusa no ano de 283, conta da perseverança de sua fé cristã. Negando a adoração dos deuses pagãos imposta pelo Imperador romano Diocleciano, Luzia, após ter sido decapitada, teve seus olhos arrancados e entregue em uma bandeja ao imperador. No dia 13 de dezembro celebra-se a morte da mártir Santa Luzia em todo o mundo cristão.

Em cada rua, praça, anfiteatro e templo percebe-se a magia das lendas e mitos antigos. Ali ainda se encontra, praticamente intacto, um dos maiores teatros gregos da Antiguidade, hoje um local preservado, chamado Parque Arqueológico dela Neapolis, com as arquibancadas escavadas nas pedras e um efeito acústico de impressionar os engenheiros de som da atualidade.

Com o mesmo fenômeno acústico está a chamada “orelha de Dionísio” (Orecchio di Dionisio) uma incrível formação rochosa em forma de gruta, que se assemelha a uma orelha. Utilizada como prisão, a lenda diz que o Deus do Vinho conseguia ouvir, do lado de fora, o que os prisioneiros sussurravam lá dentro. A Experiência acústica é impressionante.

No centro da Cidade, o lendário Templo de Apolo conta parte da história. No que hoje são apenas ruínas, o templo já foi transformado em igreja bizantina, romana, em mesquita e até em quartel durante a ocupação espanhola na ilha.

Um passeio pelo calçadão beira-mar de Ortígia, ligada à cidade por uma ponte, nos transporta para o tempo em que a região do Mar Jônio e Mediterrâneo era o centro do mundo antigo e além deste. Estar ali emociona e nos põem a imaginar a fervilhante riqueza da cultura greco-romana antiga nesta parte do mundo.

A Piazza Duomo também é para ser desfrutada a pé, passo a passo. Cercada por construções no estilo barroco, chega-se lá por ruelas estreitas, que, de repente, se abre em uma enorme praça da Catedral, com uma das mais imponentes construções barrocas de toda a Sicília. Também, no mesmo estilo está o caminho para o bairro judeu, com o mercado local de peixes e frutas eternizando as práticas e a culinária mediterrânea.

Os cozinheiros de Siracusa eram famosos. A cidade é considerada pelos historiadores como a primeira escola de culinária do Ocidente. Os pratos são totalmente mediterrâneos. A base da comida é queijo (especialmente a ricota), massa, pão, azeite, pescados, amêndoa e, claro, muito vinho de qualidade. A caponata (berinjela assada com azeite e temperos) e as ovas de cavatelli são reverenciadas como primor da culinária local.

Cidade polo e centro nevrálgico da cultura greco-romana Siracusa é destino inesquecível para o viajante sensível e atento à História da civilização.

Mercado Comum Jornal on line BH Cultura Economia Política e Variedades