Seu Dinheiro
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Fernando Soares Rodrigues
Fernando Soares Rodrigues*
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Pressão sobre os juros aumenta

Com a alta generalizada da inflação puxada pelo reajuste dos preços do petróleo e os entraves no comércio internacional em função da guerra da Ucrânia, a pressão sobre os juros aumenta e o consumo diminui.

A população é obrigada a reduzir o consumo de alimentos e produtos básicos já que os salários, quando são reajustados, não chegam sequer a acompanhar a inflação. A resultante mais dramática dessa conjuntura é a expectativa de crescimento menor da economia mundial e a interna. Ou seja, o desemprego formal deve continuar em patamar elevado e o trabalho informal fica também mais reduzido e com menor remuneração.

Esse cenário deverá persistir pelo menos neste quarto trimestre e afetar a rentabilidade dos principais ativos financeiros.

A alta de 1,62% da inflação em março elevou para 11,30% o acumulado dos 12 meses anteriores e, certamente terá maior impacto nos juros básicos da economia. A Selic na faixa de 11,75% ao ano, desde 16 de marco, será reajustada com mais intensidade pelo Copom-Comitê de Política Monetária do Banco Central. Economistas de bancos dizem que a Selic pode ir até a 14% ao ano.

Ganhos ilusórios

A Selic em alta produz a expectativa de ganhos nominais cada vez maiores, já que é a referência para os CDIs-Certificados de Depósitos Interfinanceiros. Esta taxa, por sua vez, baliza a rentabilidade dos CDBs-Certificados de Depósitos Bancários e fundos de investimentos financeiros. Mas a inflação elevada e as pesadas alíquotas do Imposto de Renda incidentes nas aplicações por prazo inferior a dois anos reduzem bastante os ganhos reais. O investidor fica só com a ilusão do ganho nominal elevado.

E não há para onde correr na renda fixa. Os CDBs e fundos de investimentos financeiros são as opções mais rentáveis com risco baixo. Depois vêm os fundos multimercados e os títulos do Tesouro Nacional com rentabilidade atrelada à Selic ou a inflação. Esses títulos pagam a rentabilidade prevista no vencimento. Se a pessoa sacar antes do vencimento, sem escolher o momento certo, pode tomar prejuízo.

As cadernetas de poupança continuam com a rentabilidade de 6% ao ano mais o acumulado da TR. E perdem feio em rentabilidade para a inflação de dois dígitos.

Ações versus dólar

Ações versus dólar

O dólar comercial (taxa média) registrou queda de 15% frente ao real no primeiro trimestre, segundo os cálculos da consultoria Economática. Perdeu quem aplicou na moeda norte-americana e ganharam as empresas com dívidas elevadas em dólar. Menores custos financeiros nas companhias fortalecem os lucros e a valorização de suas ações em bolsa. Mesmo assim, o índice Bovespa ficou em abril abaixo dos 120 mil pontos.

Alguns analistas preveem que o Ibovespa tem condições de reagir atingir os 130 mil pontos no final do ano.

Alguns fatores conjunturais acabam favorecendo o mercado acionário. A Economática apurou que algumas das empresas mais beneficiadas por essa redução de custos financeiros foram Suzano, Braskem, Embraer, Cosan, Klabin, JBS, Minerva, Rumo, Azul, Eletrobrás, CPFL, Energisa, Americanas, Cemig, Sabesp, Iochp.

Mesmo com a desvalorização do dólar, empresas exportadoras de commodities vêm conseguindo maiores receitas. Alta dos preços de produtos como minério de ferro, petróleo, graus, etc., superam a desvalorização do dólar.

O petróleo se atingir a faixa de US$ 140 a US$ 150 dólares o barril pressionará, sem dúvida, ainda mais a inflação, mas fortalecerá os lucros da Petrobrás. Ações mais valorizadas, lucros elevados e bons dividendos favorecerão os acionistas da estatal.

Dividendos atraem
Dividendos atraem

O mercado acionário continua atraente no atual cenário de juros em alta, não só pela possibilidade da valorização das ações, mas também pelos dividendos expressivos pagos por algumas companhias.

A Economática apurou que no ano passado, o total dos dividendos pagos pela Vale (R$ 73,2 bi) e Petrobrás (72,7 bi) superou o total dessas distribuições de lucros pelas principais ações listadas na B3, a bolsa paulista.

Diante do cenário externo ditado pelos efeitos danosos da guerra da Ucrânia na economia, muitos analistas continuam apostando nas cias brasileiras exportadoras de commodities como Vale e Petrobras. E também nos bancos que sempre obtém ainda melhores lucros com os juros básicos da economia elevados.

*Jornalista especializado em economia e finanças

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