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Fernando Soares Rodrigues*

Crise política dificulta crescimento

Apesar do ambiente de negócios no País continuar relativamente indiferente à crise política, já que grandes transações empresariais continuam ocorrendo em larga escala, o mercado financeiro e as perspectivas econômicas seguem muito afetados.

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O fraco desempenho do índice Bovespa nas últimas semanas – de julho a agosto -, a rentabilidade negativa dos principais ativos financeiros e a inflação em alta na faixa de quase 1% em julho passado e de 8,9% no acumulado dos doze meses anteriores acirram as preocupações dos investidores de todos os portes.

O consenso é geral entre os analistas e na grande mídia. O governo não se preocupa devidamente com a geração de emprego e renda e, muito menos, com o controle da pandemia. Ao invés de procurar comprar mais vacinas, o Presidente da República se reúne com o ministro Queiroga, da Saúde, para discutir a liberação progressiva das máscaras, enquanto o País ainda registra cerca de 1 mil mortos por dia com a Covid-19. 

Além disso, os constantes embates do Presidente Bolsonaro com o Supremo Tribunal Federal e o Poder Legislativo em nada colaboram para que o País tenha perspectivas de crescimento no pós-pandemia em 2022. 

PIB cresce pouco

Enquanto o boletim Focus do Banco Central (BC) prevê crescimento fraco no próximo ano, de 2,50%, abaixo da inflação de 3% prevista para o período, analistas expressivos do mercado como Affonso Celso Pastore, ex-presidente do BC, preveem crescimento de apenas 1% ou retração.

O mesmo Pastore alertou que o BC demorou demais a reajustar a Selic, ora na faixa de 5,25% ano, e só retomou as altas para conter a inflação quando obteve a tão sonhada independência. Muitos acreditam que o BC represou a Selic mais do que devia para não atrapalhar o crescimento econômico previsto para 5,27% este ano, abaixo da inflação (pelo IPCA) de 7,11% para o mesmo período, segundo a pesquisa do boletim Focus. Ou seja, o crescimento econômico será apenas nominal.

O ambiente político desfavorável faz com que o dólar comercial teste o patamar de R$ 5,50 e continue pressionando os preços dos alimentos e outros produtos de consumo obrigatório. Esses, por sua vez, sofrem as pressões de alta do mercado internacional, na medida que o País continua sendo um grande exportador de commodities agrícolas.

O superávit na balança comercial é previsto para este ano em US$ 70 bilhões, mesmo diante de informações sobre a manutenção de parte dos resultados comerciais dos exportadores no exterior.

As contas externas do País – ao menos isto – continuam em ordem. As reservas cambiais encontram-se no patamar de US$ 355 bilhões, o déficit nas contas correntes está com previsão zerada no acumulado do ano, e os investimentos estrangeiros diretos podem alcançar US$ 54 bilhões, também de acordo com o boletim Focus.

A questão dos investimentos externos é controversa. A B3 – bolsa brasileira – registra saldo positivo de capital estrangeiro no ano. Mas existem informações sobre retração de investimentos estrangeiros diretos no País.

Diante deste cenário econômico no mínimo inquieto, como o comportamento diário do Presidente da República, os investidores nem sempre obtêm sucesso ao tentar proteger o capital da inflação. 

As cadernetas de poupança continuam rendendo 70% brutos dos CDis, que acompanham a taxa Seli e, portanto, veem perdendo para a inflação. Para surpresa de muitos, os títulos públicos – recomendados por 9 entre dez analistas de investimentos – ofereceram rentabilidade negativa nas últimas semanas {julho/agosto). Os CDBs e e fundos de investimentos também perdem para a inflação no curto e médio prazo, pois a rentabilidade destes ativos acompanha os CDIs e títulos públicos.

Risco na bolsa

Conseguem bons resultados no mercado acionário, os investidores que preferem as aplicações de curto prazo ou diárias (day trade}. Ações de bancos, exportadoras e as que pagam bons dividendos são as preferidas dos pequenos e médios investidores que resolvem migrar para a bolsa de valores. Cada caso é um, e antes de aplicar é melhor realizar uma boa análise e se possível com ajuda de analistas. Na bolsa só deve aplicar o dinheiro que sobra. Todo cuidado é pouco.

Os bancos lucram mais com a Selic baixa, pois pagam remunerações menores aos investidores e continuam praticando juros exorbitantes nos empréstimos.

Algumas novidades causam no mínimo apreensão no mercado. O PIX, que facilita os pagamentos, expõe mais os correntistas às fraudes, e os cartões de crédito e débito por simples aproximação também são sujeitos a grandes riscos. E a última novidade, o open banking que expõe os correntistas ao compartilhamento de informações cadastrais,

Quem recebe benefícios do INSS já sabe o que é open banking, Chegam a receber mais de dez a 20 ofertas de crédito consignado por telefone por dia. Os chamados “consultores” e correspondentes bancários já vêm conseguindo acesso às remunerações dos aposentados e pensionistas do INSS, mesmo sem consentimento deles.

*Jornalista especializado em economia e finanças

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