Ronaldo Scucato, presidente do Sistema Ocemg/Sescoop concede entrevista exclusiva à MercadoComum e ressalta a importância do cooperativismo para o desenvolvimento socioeconômico das áreas em que atua. Confira na íntegra:

1-Qual foi o balanço do ano de 2019 para o Sistema Ocemg e para o cooperativismo mineiro?

Este ano foi bastante produtivo para o Sistema Ocemg. Em 2019, conseguimos levar o Dia de Cooperar (Dia C) – que é o maior programa de voluntariado do Brasil – ao conhecimento do Papa Francisco, quando entregamos pessoalmente a ele o símbolo da cooperação. Também inauguramos, com a presença do governador Romeu Zema, o Centro de Treinamento do Cooperativismo Mineiro, um espaço dedicado à capacitação e qualificação dos dirigentes, cooperados e colaboradores das cooperativas mineiras. Além disso, vibramos com o reconhecimento nacional de 28 cooperativas mineiras no Prêmio SomosCoop Excelência em Gestão, organizado pelo Sistema OCB em parceria com a Fundação Nacional da Qualidade, momento em que a Unimed-BH recebeu três premiações, quais sejam Destaque Melhoria Contínua e Governança, bem como Rumo à Excelência. Apresentamos o Dia C durante a “Centenary Conference of the Cooperative College”, em Rochdale, na Inglaterra, e passamos a integrar o Prêmio Bom Exemplo, uma iniciativa da Rede Globo Minas, Fundação Dom Cabral, Fiemg e Jornal O Tempo, com a proposta de reconhecer pessoas e iniciativas que, direta ou indiretamente, contribuem para a construção de uma sociedade mais solidária e cidadã. Em termos econômicos e sociais, o cooperativismo mineiro segue com resultados positivos. O segmento registrou alta em sua movimentação financeira pelo quinto ano consecutivo, somando R$ 53,6 bilhões, o que corresponde a uma participação de 9% no Produto Interno Bruto (PIB) do Estado. Somos, atualmente, 771 cooperativas que abrangem mais de 1,7 milhão de cooperados e cerca de 50 mil empregados. O resultado disso é que mais de 24% da população mineira tem relação direta ou indireta com as cooperativas. Há que se realçar que, apesar dos períodos de crise no país, as cooperativas seguiram admitindo pessoas, confirmando seu potencial inclusivo.

2- O que o segmento cooperativista espera para o ano próximo ano? Quais são as metas do Sistema Ocemg para 2020?

Temos expectativas bastante positivas quanto às demandas do cooperativismo junto ao legislativo estadual e federal. Buscaremos estreitar cada vez mais o diálogo nesse sentido para colocar em pauta causas como a simplificação da carga tributária, a participação das cooperativas em processos de contratação no âmbito do Poder Público e o incentivo para a ampliação da participação cooperativista nas regiões menos desenvolvidas. Além disso, o ramo agropecuário tem demandas específicas, como o fomento, divulgação e aperfeiçoamento do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) e novas políticas públicas que permitam o fortalecimento e a profissionalização do setor. Esperamos ainda que tenhamos mais negociações favoráveis ao ramo Agropecuário quanto às dívidas dos produtores, maior socialização do crédito, e que melhores condições de infraestrutura e armazenamento sejam contempladas com eficiência, considerando também maior segurança no campo para o produtor rural. Em relação ao Dia de Cooperar, iniciativa criada em Minas Gerais há uma década, nosso objetivo é entrar no livro dos recordes como movimento que mais contribui para a criação de um mundo melhor, mais justo e igualitário, assim como os valores cooperativistas norteiam. Acreditamos que os esforços de cada voluntário e de cada cooperativa fazem a diferença para que as ações sociais sejam realmente transformadoras na vida daqueles que mais precisam.

3- O cooperativismo, principalmente em Minas Gerais, segue apresentando crescimento ano após ano, à despeito de momentos delicados políticos ou econômicos. A que fatores o senhor atribui este fato?

As cooperativas mineiras estão a cada ano alcançando um nível a mais de maturidade em sua gestão. Isso é reflexo do trabalho colaborativo entre dirigentes e colaboradores, juntamente com a equipe do Sistema Ocemg. E tudo isso é um reflexo da busca incessante pela inovação e pelo desenvolvimento através, por exemplo, do Programa Nacional de Desenvolvimento da Gestão das Cooperativas – PDGC. Neste sentido, o Sistema Ocemg não mede esforços para qualificar a gestão cooperativista, potencializando a atuação eficiente do setor. A organização tem investido fortemente na formação e na capacitação de gestores e colaboradores por meio das ações do Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo (Sescoop-MG). Nosso foco permanente é a profissionalização do negócio cooperativo para o aumento da competitividade do segmento no mercado, visando melhores resultados.

4- As cooperativas são soluções para quem quer empreender de forma coletiva, diminuindo custos e ganhando competitividade no mercado. Quais são os passos que um grupo de profissionais que deseja criar uma cooperativa devem seguir?

Uma cooperativa é uma associação autônoma de pessoas, sem fins lucrativos, constituída por, no mínimo, 20 pessoas físicas, ou sete, no caso específico das cooperativas do ramo Trabalho, com um projeto ou negócio viável. Para abrir uma cooperativa, é importante que os interessados elaborem um projeto a partir de um estudo sobre sua viabilidade econômica. Isso será importante para que o empreendimento cresça e prospere em um mercado altamente competitivo. E vale ressaltar, sempre, que a cooperativa é formada por cooperados, que são os donos do negócio. Caso sua viabilidade seja positiva, deverão ser elaborados uma Ata de Constituição e um Estatuto Social da organização, conforme determina a Lei federal 5.764/71. Finalizado esse procedimento, este material deve ser encaminhado para o Sistema Ocemg, aos cuidados da Gerência Jurídica, para análise e concessão do pré-certificado de registro. Esta é uma determinação da Lei 15.075/04, de abrangência estadual. Essa etapa é fundamental para que os documentos possam ser registrados, em sequência, na Junta Comercial do Estado de Minas Gerais (Jucemg) para solicitação e fornecimento do cartão do CNPJ da nova cooperativa. Por fim, os documentos constitutivos retornam ao Sistema Ocemg, juntamente com o CNPJ, ficha cadastral, obtida no site do Sistema Ocemg, para a solicitação de registro definitivo. Destacamos que toda essa etapa de constituição de cooperativas pode ser demandada ao Sistema Ocemg, que oferece consultoria gratuita nesse sentido.