Retornando ao advogado Morris Ernest
Jayme Vita Roso - Retornando ao advogado Morris Ernest
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Jayme Vita Roso

Um questionamento e uma proposta de respondê-lo

O texto que escrevi sobre Morris Ernest foi, como não poderia deixar, breve e com algumas informações profissionais e pessoais. Lembrei que me impulsionou a conhecê-lo, em seu escritório em Nova York, deu-se por ter escrito um livro sobre a mesma profissão à qual eu decidira ser a minha vida: “A Love affair with the Law” (Um caso de amor com o Direito).

O livro que adquiri, doei, em Santa Cruz de La Sierra, a um jovem advogado, que me solicitou e eu aquiesci. Agora, após o escrito, um leitor curioso perguntou-me se teria condições de recordar algo que eu lembraria. Não, mesmo. Busquei e encontrei e adquiri. E, pela magia do meu destino, a mesma edição, de 1968, quando veio ao público e foi o último que Ernest escreveu, em sua iluminada carreira de escritor, iniciada em 1920, “Federal Income Tax and Real State” (Imposto Federal de Renda e Propriedade Imóvel).

Que Ernst pensava de sua época?

A meu sentir, produto de pesquisa fora do alcance de sua autobiografia, Ernst sempre, para minha surpresa, foi socialista, envolvido em debates e participante de sua época com intensidade no Partido Democrata, indo até: “O Direito padece da ausência de engajamento com debate na profissão. Os Tribunais são extremamente moderados, isto é verdade, mas a imprensa de massa – na qual muitos casos são ‘processados’ – são mais e mais flagrantes, mais e mais irresponsáveis. Ninguém é presumivelmente culpado, mas…” (p. 92). Bom, voltamos aqui e agora, em nossos pagos.

Faz críticas aos meios de comunicação e toma posição ideológica, em dizer “Também, a liberdade da imprensa, como é agora, não geralmente incluía o direito de invadir a privacidade” (p. 94). E retrucou contra o excesso de liberdade no século XIX, em seus últimos anos, quando nenhum consentimento era solicitado até para usar fotos ou imagens com propósitos propagandistas. Para sustentar, mostra a evolução do “direito de não ser molestado” (1905).

Seguiram acerras críticas à imprensa que molestasse e distorcer o fluxo de informação ou ser usado e manipulado.

Então surge o Presidente Roosevelt e, adotando-o, incentivando-o e, pelo nome, Morris, “e eduque-o a votar contra Frank Hogue”, que a Suprema Corte havia julgado.

Envolveu-se contra os que se rebelaram contra o famoso livro “Ulisses” de James Joyce, contra os poderes que um juiz tem de tornar ilegal uma publicação. A homossexualidade (masculina ou feminina) proibida.

Finalmente, invadiu a área da interrupção da gravidez, com apoio – incrível – da Fundação Rockfeller. E utilizou várias páginas para discutir esse tema, deixando de lado as convicções religiosas e algumas teorias científicas, inclusive com frontal ataque ao Congressista Robert Kennedy que barrou possibilidade de o aborto ser admitido e processado, arguindo que “livros e revistas devem refletir mais na mudança no código da moral, sobretudo após a difusão em 1953 de Alfred Kinsey, que alterou a forma de interpretação da sexualidade.

E mesmo que seja fastidioso invadiu as searas das minorias, da educação religiosa nas escolas, a segregação racial em bairros, o acantonamento em Nova York, com o amotinamento dos negros no Brooklin, esquecendo-se que o Prefeito Fiorello La Guardia lá enclausurou milhares de italianos imigrantes e assim por diante, com impulsos nos sindicatos que acabaram por liquidar Detroid e outras cidades.

Lembrei. O Presidente Roosevelt o convidou para ser juiz federal, com uma carta muito amiga e pessoal, conservada na Biblioteca de Austin (Texas) e, terminando o livro, mostrando-se contente com a sorte e com as oportunidades que teve de ser advogado com sócios no escritório, pessoal, membro de altos postos do governo (sempre convidado por governos democratas) e ter empregos produtivos na área de negócios (p.174)

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