Relatórios de sustentabilidade não estão entre as prioridades de importantes setores da economia, revela estudo da Grant Thornton
Relatórios de sustentabilidade não estão entre as prioridades de importantes setores da economia, revela estudo da Grant Thornton
Relatórios de sustentabilidade não estão entre as prioridades de importantes setores da economia, revela estudo da Grant Thornton
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A Resolução 59 da Comissão de Valores Imobiliários (CVM) passará a exigir dados sobre as práticas ambientais, sociais e de governança (ESG, sigla em inglês) no formulário de referência, documento que reúne as principais informações sobre as companhias abertas, a partir de 2023

A Grant Thornton Brasil, companhia global de auditoria, consultoria e tributos, fez um estudo que visa a identificar o atual cenário em relação à adoção das práticas de reporte sobre ESG por empresas de capital aberto no Brasil, incluindo tópicos abordados pela Resolução CVM 59. Essas informações foram extraídas dos relatórios de sustentabilidade, formulários de referência, relatórios de administração e demonstrações financeiras das próprias empresas.

A pesquisa mostra que em cinco importantes setores analisados – energia, saneamento, agronegócios, construção civil, transporte e logística – o setor de energia é o que mais divulga relatórios de sustentabilidade (19%), seguido por transporte e logística (17%), saneamento (10%), construção civil (7%) e agronegócios (3%). Destes, os setores de saneamento (27%), energia (14%) e de transporte e logística (13%) informam que fazem a verificação de terceira parte, procedimento que aumenta a credibilidade dos dados divulgados.

Com relação à divulgação do inventário de emissão de gases de efeito estufa, o setor de energia também sai na frente (22%). Na sequência, aparecem os setores de transporte e logística (19%), de saneamento e de construção civil, ambos com 7%, e de agronegócios, com apenas 5%.

Algumas empresas indicam já seguir as recomendações da Força-Tarefa para Divulgações Financeiras Relacionadas às Mudanças Climáticas (TCFD) para reporte das suas informações de inventário de carbono e mudanças climáticas: transporte e logística (15%), saneamento (13%), energia (12%), construção civil (3%). “A estrutura do TCFD é a referência que vem sendo recomendada por líderes do mercado financeiro e adotada como base por reguladores, como o IFRS Foudation – por meio do ISSB, e está dentre os critérios questionados pela Resolução VCM 59”, explica Daniele Barreto e Silva, líder de Sustentabilidade da Grant Thornton Brasil.

Outro destaque se refere à divulgação das metas relacionadas aos temas materiais, aqueles que são mais importantes e críticos para cada empresa. No setor de energia, 27% das empresas apontam essas metas, as de transporte e logística somam 19% e de saneamento 15%.

Os números são ainda menores quando considerada a divulgação dos dados ESG no Formulário de Referência ou Relatório de Administração. Considerando a informação clara sobre quais são os temas relevantes para o negócio, o índice das empresas do setor de energia cai para 19% e o das empresas de saneamento para 13%.  Transporte e logística mantém os 19% e empresas de construção civil registram 6%. Nenhuma empresa do setor de agronegócio divulga sua matriz de materialidade em, pelo menos, um destes documentos.

A diversidade, no pilar social, tem a maior estruturação nas questões de gênero: 86% no agronegócio, 67% em saneamento, 57% em energia, 49% em transporte e logística e 27% na construção civil. No entanto, com relação à divulgação de raça e etnia, os números caem bastante: 33% saneamento, 19% energia, 15% transporte e logística e 6% construção civil. Este dado não é divulgado em nenhuma empresa do setor de agronegócio.

O pilar de governança demonstra mais maturidade, apesar de, em geral, os setores aparentarem certa dificuldade com novas perspectivas, envolvendo o Conselho de Administração, como é o caso da divulgação de mecanismos de avaliação de desempenho desses Conselhos: 14% agronegócio, 15% construção civil, 5% energia, 13% saneamento e 9% transporte e logística.

“Há um longo caminho para as empresas incorporarem ações efetivas ligadas aos temas ESG e mais ainda para divulgarem essas ações por meio de relatórios. No entanto, acredito que a qualidade e quantidade de reportes tendem a melhorar, pois os reguladores estão se movimentando para trazerem diretrizes claras sobre o que é importante informar e, além disso, a sociedade e os investidores estão cada vez mais aptos e atentos a identificar as empresas que estão realmente comprometidas e possuem práticas concretas de sustentabilidade”, avalia Daniele.

A Grant Thornton é uma das maiores empresas globais de auditoria, consultoria e tributos. Está presente em mais de 140 países e conta com mais de 62 mil colaboradores. No Brasil, está posicionada nos 13 principais centros de negócios do país, contando com mais de 1.400 pessoas, atendendo empresas nas mais variadas etapas de crescimento, desde startups a companhias abertas. Com uma forma de trabalho customizada, auxilia empresas dinâmicas a atingirem seus potenciais de crescimento de forma sustentável, gerando a melhor proposta de valor para o negócio por meio de recomendações significativas, voltadas ao futuro.

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