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A pesquisa de Expectativa de Mercado, mais conhecida como Relatório Focus, é realizada semanalmente pelo Banco Central (BC). Nesta pesquisa, a autoridade monetária ouve a opinião das 90 principais instituições do mercado
financeiro sobre suas expectativas em relação ao comportamento de diversos indicadores macroeconômicos, como inflação, PIB (Produto Interno Bruto), taxa de desemprego, taxa de câmbio etc.

Na última pesquisa, chama a atenção a expectativa do mercado em relação à inflação. Segundo a pesquisa, o mercado acredita que a média do IPCA (índice oficial de inflação) para 2011 será de 6,52%, número superior ao teto da meta estipulado pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que determina como meta a inflação de 4,5% com tolerância de 2 pontos percentuais para cima ou para baixo.

Se, de fato, a inflação de 2011 for superior a 6,5%, o presidente do BC deverá escrever uma carta aberta para o ministro da Fazenda, explicando as razões do descumprimento da meta e as medidas que serão adotadas para
que a inflação de 2012 retorne ao limites estabelecidos pelo CMN. Estas são as condições impostas pelo Sistema de Metas de Inflação, vigente no país desde 1999.

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Nos últimos 13 anos, de 1999 a 2011, o BC conseguiu atingir a meta de inflação nove vezes. Em 2001, 2002 e 2003, a inflação superou o teto da meta; 2011 pode ser a quarta vez que o Banco Central não consegue manter a inflação dentro do intervalo determinado.

O resultado da última pesquisa Focus preocupa, porque a expectativa do mercado em relação à inflação é um dos
componentes que acabam influenciando no comportamento da própria inflação. No seu site, o próprio BC informa que
“um dos objetivos centrais do regime de metas é justamente ancorar as expectativas de mercado que, de forma geral,
orientam o processo de formação de preços na economia”.

Ademais, a previsão do Focus tem forte embasamento real. Mesmo com a dificuldade enfrentada pelos países desenvolvidos, a economia mundial continuará crescendo em 2011. Países como China, Índia e os demais países em desenvolvimento continuarão aumentando sua demanda por commodities agrícolas e minerais, fato que impede a redução acentuada dos preços destes produtos.

Os preços dos produtos comercializáveis, os chamados tradables, que são determinados pelo mercado internacional
e cotados em dólares, são responsáveis por cerca de 25% da taxa de inflação ao consumidor. Igual parcela é atribuída
aos preços administrados (energia elétrica, água, pedágio, combustível etc.), que são reajustados pela inflação passada.

O resto é composto pelos preços livres, que obedecem diretamente a lei da oferta e demanda.
Com preços comercializáveis ainda em alta, com preços administrados pressionados pela inflação passada, e com os
preços livres pressionados pela expectativa de mercado e pelo crescimento real da renda familiar, não podemos acreditar que a pressão inflacionária será substancialmente reduzida nos próximos meses.

O presidente do Banco Central continua afirmando que a inflação de 2011 ficará dentro do intervalo da meta, mas pela
primeira vez o mercado financeiro acredita que ela furará o teto. Quem está sendo mais realista?
A situação indica que, por mais volúvel que seja, desta vez parece que o mercado financeiro está sendo bem mais realista que o Banco Central.

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