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O governo de Minas Gerais, através da Codemig – Cia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais, veiculou, no dia 10 de dezembro, publicidades de página inteira nos vários veículos de comunicação imprensa do estado com o pomposo título “Compromisso Cumprido – Cidade Administrativa promove economia de mais de R$ 440 milhões”. A referida publicidade oficial explicita que a Cidade Administrativa Presidente Tancredo Neves, do Governo de Minas (também popularmente conhecida como “Pirâmide Mineira do governo Aécio Neves”, inaugurada em março de 2010, foi construída em apenas dois anos e dentro do orçamento previsto”. De acordo com a propaganda, “à época, os cálculos auditados pela empresa BDO Trevisan Auditores Independentes, reconhecida internacionalmente, apontaram que a obra poderia gerar até R$ 92 milhões de economia por ano ao Estado. Até hoje a Cidade Administrativa já economizou mais de R$ 440 milhões para os mineiros”.
A seguir, a mídia oficial informa ainda que, além de outras grandes vantagens, a obra faraônica gerou economias, entre 2011 e 2014, de R$ 106,2 milhões em ligações telefônicas e telecomunicações; R$ 65,5 milhões em aluguel; R$ 38,5 milhões em transporte de malotes internos e externos; R$ 34,4 milhões em repografia e impressão; R$ 20,7 milhões em conservação e limpeza; R$ 12,6 milhões em energia e R$ 9,8 milhões em água.
Não há o que se discutir sobre a economia realizada (e se devidamente comprovada), mas impressiona o altíssimo custo das contas governamentais – como, por exemplo, a título de ligações telefônicas e telecomunicações e outras realçadas – o que pressupõe um razoável grau de descontrole das despesas públicas mineiras.
A propaganda oficial não divulgou, no entanto, quanto custaram as obras de construção da Cidade Administrativa, que foram bancadas integralmente pela Codemig. Mas, pelo balanço dessa empresa publicado no Diário Oficial Minas Gerais em 17 de abril último, pode-se constatar que no imobilizado da empresa consta o seu valor histórico: R$ 1,217 bilhão. Isso sem considerar outros acréscimos, benfeitorias e melhorias realizados posteriormente e ainda em andamento.
Sabe-se que o Estado de Minas Gerais pagou em relação à sua dívida com União, durante o mesmo período, IGP-DI + 7,5% ao ano em encargos. A taxa média do IGP-DI apurada foi em torno de 6,9%, o que dá um custo anual de 14,4%. Assim, se o governo de Minas Gerais tivesse usado o valor histórico de R$ 1,217 bilhão (correspondente ao custo de construção da Cidade Administrativa) na amortização daquela dívida, a economia teria sido de R$ 700,9 milhão – montante 58% superior ao valor alardeado na mídia oficial. Portanto, a economia propagada pelo governo não foi tão vantajosa como mostra a sua propaganda.
Cabem, ademais várias outras indagações. A Cidade Administrativa consta do imobilizado patrimonial pertencente à Codemig.
Qual seria o preço justo de remuneração àquela empresa pelo aluguel de suas instalações ao estado? Com toda a certeza, seria muito superior ao valor das economias divulgadas.
Em termos de prioridade, não teria sido melhor se o Estado tivesse aplicado tais recursos na construção de novos hospitais ou em obras de infraestrutura? Porque a obra foi paga praticamente à vista, sabendo-se que seria bem plausível ter sido feitos financiamentos em custos bastante compatíveis à estrutura econômico/ financeira da Codemig, disponibilizando tais recursos para outras prioridades? São várias as críticas à construção da Cidade Administração, principalmente entre os urbanistas e estudiosos de mobilidade urbana. Uma delas é que a sua construção vai exatamente no sentido oposto ao que se prega atualmente em relação à questão de trânsito, sabendo-se que quanto maior a concentração populacional, maiores serão as retenções e os inevitáveis congestionamentos.
De outro lado, são enormes os riscos de se parar/bloquear todo o serviço público estadual na hipótese de ocorrência de uma greve do funcionalismo público, agora basicamente concentrado em um só lugar. E os riscos provenientes de bloqueios aos acessos ao Aeroporto Confins porque movimento reivindicatório do funcionalismo ou manifestações populares no entorno do empreendimento? Esta não foi a primeira vez que, alegando estas mesmas razões, o governo de Minas alardeia, através de caríssimas publicidades, as “enormes vantagens” – principalmente as de natureza econômica, da construção da Cidade Administrativa. Aliás, desde a sua inauguração, isso virou praticamente uma rotina a cada final dos últimos quatro anos, tendo ficado conhecidas tais campanhas de marketing como os “presentes de papai Noel do governo de Minas a alguns veículos de comunicação selecionados”.
Durante o período dos governos Aécio/Anastasia (2003 a 2013) foram gastos com publicidade, em valores atualizados, R$ 2.172,58 bilhões. Os gastos com publicidade durante o governo Antonio Anastasia (2010/2013) bateram todos os recordes históricos de Minas Gerais, tendo atingido o montante de R$ 254,18 milhões somente no ano de 2013 e R$ 865,24 milhões, no acumulado do período. O valor despendido nesta rubrica seria mais do que o suficiente para se construir um outro Estádio do Mineirão ou, simplesmente, custear o equivalente mais da metade de tudo o que se gastou na construção da Cidade Administrativa, aí já incluídas, também, as suas benfeitorias e acréscimos posteriores.
A média anual dos gastos de publicidade do governo mineiro, no referido período, atinge a impressionante cifra de R$ 197,51 milhões. 

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