Em sua Carta Econômica Mensal de abril, a Rosenberg & Associados (representada em Minas Gerais pela MinasPart Desenvolvimento) afirma ter revisado as projeções de crescimento do PIB brasileiro de 2019 para 1,5%.

De acordo com o referido documento, “O mundo suspira aliviado: o temor de recessão nas maiores economias arrefece frente aos últimos indícios de que o crescimento é menor, mas é crescimento. Surpresas benignas nos dados chineses, americanos e, quem diria, até mesmo europeus avalizam a estabilização da taxa de expansão, mesmo que em nível mais baixo que no ano passado. Avanços nas questões comerciais entre China e EUA também colaboram para um ambiente temporariamente menos inóspito para emergentes. Pontualmente, há o componente geopolítico atuando para sustentar preços mais altos do petróleo – o que acarreta maiores riscos para o cenário inflacionário – mas há espaço para ajustes do lado da oferta, mesmo com a eventual saída do petróleo iraniano, de modo que o preço do barril do petróleo não deve se afastar muito do atual patamar até o final do ano (com provável volatilidade no meio do caminho).

Nosso vizinho do Sul e importante parceiro comercial, todavia, não compartilha da mesma sorte dos demais emergentes: visando as eleições que se avizinham e numa tentativa desesperada de conter a derrocada cada vez maior de sua popularidade, Macri criou um plano Cruzado para chamar de seu. No médio prazo, é inédita qualquer tentativa de congelamento de preços que tenha dado certo – mas é possível que lhe dê algum fôlego no embate eleitoral.

Para o Brasil, o cenário externo permanece entre neutro e levemente negativo, com as menores importações argentinas ainda pesando sobre as exportações brasileiras e impondo mais um freio ao crescimento doméstico.

Falando em crescimento, é inadiável a revisão da projeção para este e o próximo ano.

Inicialmente, esperávamos que a combinação da elevada popularidade do governo em início de mandato, agenda liberal da equipe econômica e melhora das condições financeiras fosse suficiente para impulsionar a economia.

Todavia, as dificuldades para a decolagem da articulação política e as manchetes diárias com as sucessivas crises palacianas minaram rapidamente as bases para esta combinação. A popularidade se esvaiu, a agenda econômica avança a passos de tartaruga e as condições financeiras voltaram a piorar. A recuperação da confiança foi-se embora quase tão rapidamente quanto veio, ao menos no que diz respeito às expectativas.

Caso se mantivesse o ritmo de crescimento médio trimestral que vem prevalecendo desde o II Trimestre de 2017, teríamos à nossa frente uma expansão de 1% em 2019 e 2020. Se nada mudar, portanto, no ritmo de atividade, é o que se pode esperar.

Não obstante, o copo meio cheio nos permite antever certa aceleração a partir do segundo trimestre – em parte, porque haverá algum efeito estatístico pela greve dos caminhoneiros em 2018 e que, tudo o mais constante, parece não se repetir em 2019. Também porque, mesmo aos trancos e barrancos, o avanço da reforma da previdência passar pela CCJ da Câmara dos Deputados – traz algum alívio, uma evidência de que o jogo pode progredir (especialmente se uma aliança de centro-direita for estabelecida).

Para avançar, será preciso mais habilidade do que tirar uma dupla de seis nos dados. Será preciso estratégia, tato, política. Neste quesito, o número de dias em que o termo “velha política” não é ouvido é fator positivo. Bolsonaro já mostrou pragmatismo, por exemplo, ao voltar atrás na questão dos reajustes pela Petrobras – compensando com concessões aos caminhoneiros, que poderão acabar custando mais caro do que o necessário, porém que sinalizam disposição à composição. Progresso na articulação política – mesmo modesto – pode ser suficiente para resgatar parte da confiança dos consumidores e empresários. Este impulso, como pode ser visto no gráfico ao lado, deve ser suficiente para nos levar a 1,5% de crescimento em 2019 – para os 2,8% de 2020, contamos com a aprovação da Nova Previdência e de outros avanços na agenda da equipe econômica, gerando uma velocidade maior. Sem isso, o cenário seria de repetição de taxas de crescimento frustrantes, em torno de 1,5%.

As contas públicas, neste cenário, contribuirão muito pouco ao crescimento – pelo contrário, o necessário ajuste fiscal deve persistir, reduzindo a demanda agregada. O progresso nas concessões e privatizações atuará como injeção de ânimo, destravando investimentos – mas sempre contando com recursos privados, desde que o desenho lhes seja atraente. Nas contas externas, o crescimento mais moderado já sinaliza um novo ano de baixo déficit em transações correntes, mais do que compensado pelas entradas de investimento estrangeiro direto, ao mesmo tempo em que as vultuosas reservas internacionais limitam as perspectivas de depreciação cambial”.

Conclui o relatório da Rosenberg & Associados: “Assim, tanto uma eventual depreciação quanto seus impactos inflacionários devem acabar limitados (pela atividade contida). Tudo o mais constante, aos poucos é possível que se abra novamente espaço para uma mudança na comunicação do Banco Central em direção a uma Selic mais baixa. Para isso, é preciso que o BC novamente reveja sua perspectiva de crescimento (atualmente, em 2%), que o câmbio não vá muito além de R$ 3,90 /US$ e que haja um bocado de progresso nas reformas (distensão do ambiente político, de maneira geral). Neste caso, a taxa Selic poderia iniciar um ciclo de baixa em junho ou julho – apesar disso, ainda mantemos a expectativa de Selic estável no cenário, à espera de maior materialidade no progresso do quadro político (a vitória na CCJ, ontem foi passo importante – a rápida instalação e início dos trabalhos na Comissão Especial, consolidando a aliança com o Centrão, é passo primordial).

A revisão do crescimento, portanto, ainda guarda certo otimismo com relação ao ritmo até o final do ano, dada a frustração esperada para o primeiro trimestre do ano (crescimento de apenas 0,1%, na margem). A sensação de desânimo que atingiu a classe produtiva e os consumidores, na ressaca da euforia pós-eleições, pode ser revertida pela geração de mais luz e menos calor da articulação política. A ver”.

 

 

 

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