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Octavio de Lazari Jr. reconheceu que o PIX afeta o negócio dos bancos; disse que as fintechs fazem uma concorrência sadia, mas big techs trazem preocupação quanto a assimetrias regulatórias

O presidente do Bradesco, Octavio de Lazari Jr., afirmou no dia 25 de novembro, durante o Foro Inteligência, que os bancos estão preparados para uma segunda onda de Covid-19. “Os bancos brasileiros fizeram a lição de casa, com reforço de suas provisões. Hoje, eles têm um estoque de R$ 250 bilhões para fazer frente à inadimplência dos clientes”. De acordo com Lazari, as provisões foram calculadas com base em projeções para além dos dois cenários mais críticos enfrentados nos últimos 20 anos – as crises de 2008 e de 2016. “Pelo que observamos até agora, não vamos chegar a essa situação”, avaliou.

De acordo com Lazari, o índice atual de inadimplência está “muito baixo, bem menor do que o esperado”, mas certamente aumentará no segundo trimestre de 2021, com o fim do auxílio emergencial e a permanência da alta taxa de desemprego. Durante a pandemia, Lazari destacou que o Bradesco prorrogou o pagamento de parcelas de operações de crédito de clientes pessoa física e jurídica no total de R$ 74 bilhões. “Desse montante, R$ 68 bilhões já cumpriram o prazo de carência e já voltaram a pagar em dia as suas operações. É um bom presságio de que a inadimplência não deverá atingir indicadores históricos como no passado”, avaliou.

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As novas tecnologias aplicadas ao sistema financeiro e os impactos no setor bancário também tiveram destaque no debate com o presidente do Bradesco. Lazari defendeu que o Open Banking, plataforma a ser lançada para permitir um tráfego maior de informações entre clientes e instituições financeiras, que deverá baratear crédito e serviços, tenha seu prazo de início prorrogado. “Não tivemos tempo hábil para fazer todos os testes. Fomos pegos por uma pandemia e tivemos de fazer prorrogação de contrato de maneira digital, além de implantar uma infinidade de coisas rapidamente para atender as pessoas para que elas pudessem fazer tudo de casa”, justificou Lazari. Segundo ele, os bancos aguardam a resposta do Banco Central sobre o pedido de prorrogação para janeiro ou fevereiro.

Na visão de Lazari, no entanto, a melhor data para o Open Banking começar a funcionar seria outubro de 2021. “Acho que temos que fazer com calma. O Open Banking é uma mudança muito grande em toda a tecnologia: empresas vão se conectar com bancos e poderão captar informações de clientes. Os novos entrantes não têm as mesmas responsabilidades que os grandes bancos têm para tratar disso e existe uma assimetria de regulação que é desconfortável”, afirmou Lazari, lembrando que o Brasil é um dos principais países alvo em ataques cibernéticos do mundo. “Esse ano o sistema financeiro vai perder mais de R$ 1 bilhão só com fraudes”, estimou.

Sobre o PIX, Lazari afirmou que não há como negar que essa nova realidade tecnológica, já implantada em outros países, “afeta todo o universo do negócio bancário”. Segundo ele, de seis a sete em cada dez transações bancárias são por meios digitais. “Esses custos vão cair vertiginosamente para as pessoas e isso significa menos receita de serviços e tarifas entrando nos bancos”, concluiu.

Já as fintechs, para Lazari, não representam uma preocupação, “Somos investidores em 25 fintechs, a concorrência delas é sadia. Temos que aceitar que não somos bons em tudo. Quando encontramos uma que traz soluções que fazem sentido para o banco, oferecemos a compra de no máximo 20% de participação para que ela possa ser nossa parceira e continue se desenvolvendo”, contou Lazari. Para o presidente do Bradesco, a preocupação é com as big techs. “Não temos problema com competição, nossa preocupação é que não haja assimetria regulatória, porque os bancos são muito regulados e assimetria regulatória pode destruir tudo o que foi construído. E não existe economia sólida sem um sistema financeiro sólido”, ressaltou Lazari.

O Foro Inteligência reúne o BRICS Policy Center e a Insight Comunicação, com o apoio do Instituto de Relações Internacionais (IRI) da PUC-Rio e da Casa de Afonso Arinos. O Foro Inteligência manterá um canal aberto com países como China, Rússia, Índia e África do Sul. A ideia é apresentar palestras, cursos e seminários abordando problemas brasileiros não convencionais e que tangenciam as nações do bloco. O BRICS Policy Center fará a ponte com os países emergentes. Pela primeira vez, assuntos brasileiros profundos serão discutidos a partir de um olhar convergente com o eixo dos demais países emergentes.

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