PIB de Minas Gerais em 2020 foi menos pior do que o brasileiro, retraiu 3,9% e somou US$ 125,53 bilhões
PIB de Minas Gerais em 2020 foi menos pior do que o brasileiro, retraiu 3,9% e somou US$ 125,53 bilhões
PIB de Minas Gerais em 2020 foi menos pior do que o brasileiro, retraiu 3,9% e somou US$ 125,53 bilhões
Mercado Comum Publicação Nacional de Economia, Finanças e Negócios
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Já no acumulado da última década, a economia mineira retraiu 2,37% e registrou desempenho pior do que a média brasileira.

Carlos Alberto Teixeira de Oliveira*

O PIB-Produto Interno Bruto de Minas Gerais, considerado o 3ª maior entre os estados brasileiros, vem apresentado desempenho medíocre na maior parte dos anos do século XXI e, em nove deles – (2002, 2003, 2004, 2005, 2010, 2012, 2016 e 2017 e 2020)  é que houve registro de desempenho melhor do que a média verificada em relação ao Brasil. Há uma particularidade nos anos em que o crescimento econômico de Minas supera o brasileiro: nesse período constata-se que, em sua maioria, houve uma significativa valorização dos preços das commodities e, em especial, do minério de ferro.

Em 2020, análises preliminares da FJP-Fundação João Pinheiro, divulgadas em março último, revelaram que o PIB de Minas Gerais recuou 3,93% – o que corresponde a uma variação 0,13 pontos percentuais inferior à queda de 4,06% ocorrida na economia nacional.

De 2011 a 2020, a taxa de variação do PIB de Minas Gerais registra uma retração média de 0,22% ao ano e de 2,43% no acumulado do período – contra uma expansão média anual de 0,30% e acumulada de 2,69% do Brasil, respectivamente. Já o desempenho da economia mundial, no mesmo período, alcançou uma média anual de 2,84% de crescimento – acumulando expansão de 32,03%.

Dados preliminares apontam que a participação relativa de Minas Gerais no PIB nacional em 2020 deve ter sido de 8,957%.

Em 2020, a Renda Per Capita dos mineiros alcançou US$ 5.851,98 – inferior à registrada em 2008, de US$ 7.663,28.

A MinasPart Desenvolvimento estima que, em 2020, o PIB de Minas Gerais totalizou US$ 125,51 bilhões e equivale, atualmente, a quase à metade do valor que prevalecia no início da década de 2011, quando atingiu US$ 240,77 bilhões.

PIB de Minas Gerais
PIB de Minas Gerais
PIB de Minas Gerais x Brasil x Mundo
PIB de Minas Gerais x Brasil x Mundo

O texto, apresentado a seguir, é da FJP – Fundação João Pinheiro:

“O resultado relativamente positivo no desempenho da economia mineira nos dois últimos trimestres de 2020 foi insuficiente para compensar a perda no produto agregado ocorrida no primeiro e, principalmente, no segundo trimestre do ano. Com isso, o volume do PIB de Minas Gerais reduziu-se 3,9% em 2020, em comparação com 2019, com estimativa anual inicial de totalizar R$ 667,1 bilhões em 2020.

Os resultados foram apresentados pela Fundação João Pinheiro no dia 15 de março PIB de Minas Gerais, e são parte do informativo Contas Regionais: PIB-MG 4º trimestre de 2020.

PIB do agronegócio de Minas Gerais teve saldo positivo em 2020
PIB do agronegócio de Minas Gerais teve saldo positivo em 2020

No quarto trimestre do ano, houve desaceleração no ritmo de crescimento em relação ao trimestre anterior para 3,2% em Minas Gerais, tendo em vista que isso ocorreu em relação a uma base de comparação mais elevada (o terceiro trimestre), após um recuo muito profundo da atividade econômica em abril, maio e junho.

Setores – O ano de 2020 foi excepcional para a atividade agropecuária no território mineiro. A expansão de 11,2% em relação a 2019 foi resultado de dois fatores: um aumento substancial nos preços das principais commodities agrícolas ao longo ano e o crescimento da produção agropecuária.  No acumulado do ano, a agropecuária foi a única atividade que contabilizou crescimento em Minas Gerais. “Nós esperávamos que a agropecuária tivesse resultado positivo, mas certamente foi muito além dessas expectativas”, observa o coordenador de Contas Regionais de Minas Gerais na FJP Raimundo Leal.

“A queda do nível de atividade produtiva em 2020 afetou de maneira mais substancial as atividades terciárias e, particularmente, aquelas que dependem do deslocamento e da movimentação das pessoas”, explica.

“Com isso, o agrupamento dos outros serviços foi o conjunto de atividades econômicas mais afetado pela pandemia em 2020. O volume de VAB desse grupo se retraiu 5,3% em Minas Gerais no acumulado do ano”, afirma Leal. As atividades mais afetadas no grupo dos outros serviços foram os serviços prestados às famílias, os serviços domésticos, os serviços de hospedagem e alimentação fora dos domicílios (bares e restaurantes) e as atividades turísticas.

Taxas de variação real
Taxas de variação real

Da mesma forma, o isolamento social resultou na queda de 4,6% no volume de VAB da administração pública em Minas Gerais, principalmente em decorrência da retração ocorrida no volume da saúde pública, causada pela diminuição na quantidade de procedimentos clínicos, cirúrgicos e de finalidade diagnóstica adiados (ou suspensos) em razão da Covid-19 ao longo do ano. A redução nos serviços de transporte de passageiros, sobretudo o aeroviário, foi o principal determinante para a retração do segmento (-2,8%).

No comércio, o volume de VAB retraiu-se 2,4% em Minas Gerais, resultado que pode ser creditado, principalmente, à inflexão no volume de vendas de livros, jornais, revistas e papelarias, de tecidos, vestuário e calçados e de combustíveis, segmentos que, direta ou indiretamente, dependem da circulação de pessoas.

Na indústria, a extrativa mineral foi a atividade com a maior queda no volume de VAB (-8,4%) em Minas Gerais em 2020. “Esse resultado reflete o peso do primeiro trimestre de 2019, com desempenho bem acima do consolidado nos sete trimestres seguintes, na base de comparação para o cálculo da variação no acumulado dos dois anos”, observa Leal. A indústria de transformação recuou 2,3% no acumulado do ano, principalmente por causa da retração na produção dos segmentos da cadeia metalomecânica no segundo trimestre do ano, sobretudo de automóveis, produtos de metal e metalurgia.

“O bom resultado da indústria de transformação no 3º trimestre de 2020 se manteve no 4º trimestre. O crescimento foi muito em função da recuperação da indústria têxtil e de calçados, que cresceu 19,8%”, explica o pesquisador da FJP Thiago Almeida.

A construção civil registrou decréscimo de 3,1% no volume de VAB na economia estadual, com redução menor do nível de atividade setorial no estado associada à continuidade na realização de obras de infraestrutura ao longo do ano, sobretudo de estradas e rodovias.

A atividade de energia e saneamento apresentou queda de 1,4% no volume de VAB em Minas Gerais no ano de 2020. “Apesar da evolução favorável na geração elétrica, o resultado anual negativo foi ocasionado pela queda no consumo de gás e, principalmente, pela inflexão no consumo de energia elétrica empresarial decorrente das paralisações ocorridas em vista da pandemia”, ressalta Almeida.”

PIB do agronegócio de Minas Gerais teve saldo positivo em 2020
PIB do agronegócio de Minas Gerais teve saldo positivo em 2020

PIB do agronegócio de Minas Gerais teve saldo positivo em 2020

Alta produtividade do café é um dos componentes da evolução do resultado, aponta estudo divulgado pela Fundação João Pinheiro

O Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio de Minas Gerais expandiu, em termos agregados, de R$ 115,6 bilhões em 2019 para R$ 150,8 bilhões em 2020. No período, a participação no total do PIB estadual evoluiu de 18,0% para 22,6%. O resultado foi divulgado pela Fundação João Pinheiro (FJP) no dia 22 de abril, e é parte do Informativo FJP – Análise Insumo-Produto e Contas Regionais: PIB do Agronegócio de Minas Gerais.

De acordo com a FJP “o acréscimo nominal de R$ 35,2 bilhões em 2020, R$ 18,4 foram inseridos ao Valor Adicionado Bruto (VAB) a preços básicos do setor primário, que passou de R$ 28,9 bilhões em 2019 para R$ 47,3 bilhões em 2020. Os R$ 16,8 restantes foram adicionados nas indústrias e serviços conectados ao agronegócio, incluindo impostos indiretos aplicados aos produtos dessas atividades. Nesse componente do entorno do agronegócio mineiro, o valor produzido passou de R$ 86,7 bilhões em 2019 para R$ 103,4 bilhões em 2020.

“As principais explicações que encontramos para esse resultado estão relacionadas ao fato de 2020 ter sido um ano de produtividade alta na nossa produção de café, que é um produto importante na nossa pauta e ao fato de que, a partir do 2º trimestre, as economias da China e de alguns países do leste asiático começaram a apresentar um controle bastante avançado da pandemia do coronavírus, com recuperação econômica ocorrida relativamente cedo nesses países”, explica o coordenador de Contas Regionais da Diretoria de Estatística e Informações (Direi/FJP), Raimundo Leal.  “Com isso, a demanda global dos produtos do setor primário evoluiu de maneira favorável a partir do segundo trimestre do ano passado e no segundo semestre, em particular, e o desempenho dos mercados se manifestou com muita clareza na evolução dos preços internacionais”, completa.

O movimento de elevação dos preços dos produtos agrícolas em 2020 esteve relacionado à oferta mundial menor de algumas culturas e à maior demanda de compradores como a China, o que resultou no aumento das cotações das principais commodities em moeda estrangeira e na redução da oferta interna em razão do aumento no volume exportado.

“Quando avaliadas em moeda estrangeira, as principais commodities agrícolas tiveram uma evolução muito favorável em 2020. E se não bastasse isso, o ano passado também foi um período em que a moeda brasileira depreciou em relação ao dólar e às demais moedas estrangeiras. Portanto, o faturamento em moeda local da produção do agronegócio teve um desempenho espetacular no que diz respeito à evolução dos preços e a produção respondeu positivamente também aos estímulos de uma situação favorável no mercado”, esclarece Leal.

O subsecretário de Política e Economia Agropecuária de Minas Gerais, João Ricardo Albanez, que foi mediador do evento, comemora os resultados. “Mesmo com o momento completamente novo vivido em 2020, o agronegócio apresentou números espetaculares. Temos um cenário muito favorável para 2021 e estou otimista de que o crescimento será ainda maior”, acredita. Ele também destaca a relevância do estudo. “Dados como esses apresentados pela Fundação João Pinheiro sinalizam o caminho a ser tomado para a condução das políticas públicas e o direcionamento das ações de todos os envolvidos na cadeia, o que é extremamente relevante para o futuro do setor”, conclui.

Desempenho – Na agricultura mineira, café (em grão) arábica, soja (em grão) e cana-de-açúcar responderam, em 2019, por 62,7% do Valor Bruto da Produção (VBP) setorial. Em 2020, o volume produzido de café arábica teve expansão de 38,3%, a soja teve acréscimo de 19,2% na quantidade colhida e a cana-de-açúcar teve um ganho de 7,4% na quantidade produzida.

Em comparação a 2019, a pecuária apresentou redução de 5,7% na bovinocultura de corte em 2020, enquanto o abate de suínos registrou aumento de 4,8% e o de frangos, de 4,6%.

Nessa mesma base de comparação, a bovinocultura leiteira apresentou evolução, com quantidade de leite adquirido 3,6% maior em 2020, resultado também decisivo para a expansão do volume de VAB agropecuário de Minas Gerais.”

*Administrador, Economista e Bacharel em Ciências Contábeis. Presidente da ASSEMG-Associação dos Economistas de Minas Gerais. Ex-Presidente do BDMG e ex-Secretário de Planejamento e Coordenação Geral de Minas Gerais; Ex-Presidente do IBEF Nacional – Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças e da ABDE-Associação Brasileira de Desenvolvimento; Coordenador Geral do Fórum JK de Desenvolvimento Econômico e Vice-Presidente da ACMinas – Associação Comercial e Empresarial de Minas. Presidente/Editor Geral de MercadoComum.

MEMÓRIA – QUANDO MINAS ASSUMIU A POSIÇÃO DE 2ª MAIOR ECONOMIA ESTADUAL

o primeiro título a vice
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