“Personalidade Empresarial do Ano de Minas Gerais” é Jefferson De Paula – Presidente da ArcelorMittal
“Personalidade Empresarial do Ano de Minas Gerais” é  Jefferson De Paula – Presidente da ArcelorMittal
Foto: Leo Drumond-Nitro
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O engenheiro Jefferson De Paula é o escolhido como “Personalidade Empresarial do Ano de Minas” do 24º Prêmio Minas – Desempenho Empresarial – Melhores e Maiores – MercadoComum – 2022. Ele é membro do Comitê Executivo do Grupo ArcelorMittal e atua na indústria do aço há mais de 36 anos. Está no grupo desde 1991, tendo ocupado várias posições executivas no Brasil, na Argentina, nas Américas e na Europa.

Como atuação externa ao grupo ArcelorMittal, Jefferson é atualmente vice-presidente da diretoria e membro do conselho estratégico da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG), Presidente do Conselho Diretor do Instituto Aço Brasil e membro do Conselho Executivo da Associação Latino-Americana do Aço (ALACERO).

Graduado em Engenharia Metalúrgica pela Universidade Federal Fluminense (Brasil), tem formação executiva em escolas de negócios como a Fundação Dom Cabral (Brasil), Universidad Austral – IAE School of Business (Argentina), Insead (França) e Kellog School of Management, Northwestern University (EUA).

Entrevista Exclusiva concedida a MercadoComum

MC – O sr. poderia falar um pouco sobre a sua trajetória profissional? Idade, onde nasceu, formação acadêmica, há quanto tempo está na empresa?

JP – Nasci em Volta Redonda, no Sul Fluminense, e tenho 62 anos. Atuo há quase quatro décadas na indústria do aço. Estou no Grupo ArcelorMittal desde 1991 e já ocupei várias posições executivas no Brasil, na Argentina, Estados Unidos, Canadá, México e Europa. No ano passado, assumi a presidência da operação brasileira. Sou também chairman do Conselho Mundial de Saúde e Segurança e membro do Comitê Executivo do Grupo ArcelorMittal. Tenho graduação em engenharia metalúrgica pela Universidade Federal Fluminense (Brasil), e possuo formação executiva na Fundação Dom Cabral (Brasil), Universidad Austral – IAE School of Business (Argentina), Insead (França) e Kellog School of Management, Northwestern University (EUA). Externamente ao Grupo ArcelorMittal, sou o atual presidente do conselho de administração do Instituto Aço Brasil (IABr), vice-presidente do conselho da Associação Latino-Americana do Aço (ALACERO) e vice-presidente da diretoria e membro do Conselho Estratégico da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG).

MC – Poderia traçar um perfil da empresa? Data de fundação, número de empregados, quantidade de unidades, produção, resultados financeiros?

JP – Somos uma empresa centenária. Em dezembro de 1921, foi criada a Companhia Siderúrgica Belgo-Mineira, em Sabará. Uma fusão entre o grupo europeu de aço ARBED e a Companhia Siderúrgica Mineira, fundada por engenheiros da Escola de Minas de Ouro Preto, em 1917. Hoje, a empresa conta com três unidades industriais em Minas Gerais: Sabará, João Monlevade e Juiz de Fora, além de duas plantas minerárias: a Mina do Andrade, em Bela Vista de Minas, e a de Serra Azul, em Itatiaiuçu. A área responsável pela produção de carvão vegetal (BioFlorestas) está espalhada por 16 municípios mineiros. A nossa sede administrativa também é localizada na capital mineira, no bairro Funcionários, bem como a empresa de Tecnologia da Informação (ArcelorMittal Sistemas). A operação brasileira possui ainda usinas no Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro e São Paulo e 16 mil empregados. A empresa é líder em produção de aço da América Latina. A capacidade instalada é de 12,5 milhões de toneladas de aço bruto e 7 milhões de toneladas de minério de ferro. Conta ainda mais de 100 unidades de distribuição em todo território nacional

MC – A empresa vive um excelente momento, não é mesmo? Como estão os indicadores em 2022? A ArcelorMittal Brasil alcançou o melhor resultado financeiro de sua história em 2021?

JP – Correto. No ano passado, a ArcelorMittal Brasil obteve a sua melhor performance da operação brasileira em um ano histórico, no qual a empresa consolidou ainda mais a sua liderança no país. A empresa não se destacou somente pela eficiência e estabilidade operacionais – com todas as plantas industriais produzindo a plena capacidade -, mas também pelas vendas acima das expectativas e dos números financeiros colhidos. O desempenho expressivo acompanhou a reação da economia brasileira com forte demanda por aço nos setores da construção civil, indústria, automotivo e máquinas e equipamentos. O lucro líquido da ArcelorMittal foi de R$ 12,4 bilhões, a receita líquida atingiu R$ 69 bilhões e o resultado operacional consolidado (EBITDA) chegou aos R$ 20,2 bilhões

A produção total de aços longos e planos foi de 13,4 milhões, acréscimo de 29,5% na relação com o ano anterior. O volume de vendas alcançou 12,5 milhões de toneladas, salto de 18,9%. Do total comercializado, 59% foram destinados ao mercado doméstico e 41% ao mercado externo. Os resultados excepcionais demonstram a solidez da empresa e comprovam que a ArcelorMittal está preparada para o futuro; A companhia está ciente de que eles foram fruto da atipicidade do ano, mas, no médio e longo prazo, a expectativa é de crescimento consistente do consumo doméstico de aço em função das potencialidades que o Brasil apresenta, da infraestrutura e da indústria ao agronegócio;

Em 2022, o ano continua muito bom para a construção civil e o agronegócio. Buscamos trabalhar junto com os nossos parceiros para trazer as melhores soluções em aço com maior valor agregado.

MC – Qual foi o impacto da pandemia para a empresa?

JP – A empresa paralisou atividades de algumas operações industriais no início da pandemia, mas logo retomou normalizou a produção. Todas as unidades da ArcelorMittal adotaram uma série de ações alinhadas às orientações da Organização Mundial de Saúde (OMS) e do Poder Público, visando apoiar na prevenção da disseminação do vírus e na redução dos riscos de transmissão da doença, dentro e fora da empresa. Obviamente que a pandemia foi um fato muito negativo e causou sofrimento no mundo todo. Mas precisamos também enxergar de que maneira crises como essa geram reflexões, oportunidades e mudanças. Não podemos sair iguais a como entramos. No nosso caso, a crise nos ensinou muitas coisas em diversas áreas da organização como, por exemplo: manter os profissionais engajados e motivados em um cenário de muita incerteza e com distanciamento social (home office); intensificar as nossas ações de solidariedade e responsabilidade social apoiando as pessoas de todo o Brasil no enfrentamento da pandemia; precisávamos atuar em rede e esse esforço coletivo foi fundamental para a atenuação dos danos; adaptação em meio a uma brusca ruptura da rotina, com a procura de novos meios de comunicação.

Pensando mais no negócio, tivemos que buscar a otimização e controle do fluxo de caixa com contenção de gastos e tomada de decisões para equilibrar a cadeia produtiva (paralisação da produção); relacionamento com os clientes, entendendo o difícil momento financeiro que muitos deles estavam enfrentando e aumento do uso da tecnologia e digitalização.

MC -Quais são as perspectivas e projetos que a ArcelorMittal planeja para os próximos anos? A empresa tem algum receio com o momento de extrema divisão política no Brasil?  

JP – Somos uma empresa centenária, queremos continuar contribuindo para o desenvolvimento econômico, social e sustentável do Brasil e construir mais 100 anos de história. Independentemente do resultado eleitoral, a empresa está confiante no cenário a médio e longo prazo do país e na perspectiva de aumento do consumo do aço. No curto prazo, nos próximos dois anos para ser mais preciso, sabe-se que a projeção do mercado é de queda na produção e demanda de aço na América Latina e no mundo. Teremos de fazer ajustes pontuais neste período, como reduzir custos fixos, operacionais, e aumentar ainda mais a qualidade da nossa produção para atravessar bem o momento.

MC – Quais são os maiores entraves enfrentados para se alcançar a competitividade?

JP – O Brasil tem enorme potencial, mas os setores público e privado precisam trabalhar juntos para ampliar as oportunidades e impulsionar um crescimento sustentável, que combine avanço econômico com os pilares social e ambiental; a educação precisa ser prioridade, pois é a base para o desenvolvimento. O compromisso do país com projetos educacionais efetivos e vinculados a resultados não pode mais ser adiado. Outro ponto fundamental é o combate ao chamado “Custo Brasil”, que limita a competitividade das nossas empresas e influencia negativamente o ambiente econômico. É necessário adotar medidas firmes e urgentes – como as reformas tributária e administrativa – para destravar a economia nacional. O nosso sistema tributário é complexo e ultrapassado e estimula a crescente informalidade. Já a reforma administrativa otimizaria a máquina pública e possibilitaria a oferta de serviços públicos de qualidade, principalmente nas áreas da saúde e educação. Para completar, é imprescindível implementar uma agenda robusta de investimentos em infraestrutura voltada para estradas, portos, ferrovias e energia, além da universalização do saneamento básico e do combate ao déficit habitacional, na qual a indústria se engaje e contribua com geração de empregos, aumento da arrecadação, aquecimento da economia e a retomada do círculo virtuoso de crescimento.

MC – A empresa tem investido em inovação tecnológica?

JP – A inovação é um dos pilares mais importantes da estratégia de negócio da empresa e uma necessidade para a sobrevivência dos negócios e para que eles se mantenham relevantes. Em um mundo cada vez mais digitalizado, tecnológico e disruptivo, a ArcelorMittal Brasil investe na busca de soluções inovadoras em aço e na melhor experiência para seus clientes.

O Brasil abriga o 12º centro de pesquisas e desenvolvimento do Grupo ArcelorMittal no mundo. O centro – localizado na ArcelorMittal Tubarão, em Serra, no Espírito Santo – conta com pesquisadores e técnicos do Brasil. Outros, vindos de centros de pesquisa da ArcelorMittal na Europa e Estados Unidos, também se juntam à equipe para projetos especiais. O centro de pesquisas da ArcelorMittal atende às demandas das unidades de produtos planos e longos da América do Sul em três temas: desenvolvimento de produtos, desenvolvimento de processos e atendimento a clientes.

A empresa tem se movimentado também para se aproximar do ecossistema de startups. Considerado o 1° hub de inovação aberta da indústria de aço no mundo, o Açolab completou quatro anos e consolida o objetivo de fomentar a inovação para o negócio de segmento de aços longos da ArcelorMittal no Brasil. Para se ter uma ideia do volume de trabalho, o hub de inovação está conectado atualmente a mais de 8 mil startups (cerca de 50% do total de startups brasileiras). O papel da inovação na estratégia do negócio foi reforçado no ano passado com o lançamento do Açolab Ventures. O fundo irá investir mais de R$ 100 milhões em startups e pequenas empresas inovadoras. A estratégia do fundo é identificar startups que tenham solução validada e que desenvolvam novos negócios, produtos e serviços ou incorporem novas tecnologias para aumentar a competitividade e enriquecer a proposta de valor da cadeia da ArcelorMittal. As startups selecionadas relacionam-se às áreas de Siderurgia, Mineração, Construção Civil, Indústria, Sustentabilidade, Logística, Comercial, Varejo e Distribuição. As duas primeiras já foram anunciadas: a Agilean (construção civil) e a Sirros (iOT). Já o Programa de Transformação Digital da ArcelorMittal – o iNO.VC. – voltado para o segmento de aços planos no Brasil tem como premissa acelerar a transformação digital da empresa ao colocar juntos empregados, startups e pessoas que estejam desenvolvendo projetos da área em todo o país.

MC – A ArcelorMittal é integrante de um segmento muito conservador e tradicional da indústria. Como a empresa tem voltado as atenções para o ESG?

JP – Entendemos que todas as empresas precisam ter compromissos com a agenda ESG, pois não basta crescer, é preciso crescer com responsabilidade, integridade e sustentabilidade, gerando ganhos para a sociedade. Na ArcelorMittal, estamos comprometidos em liderar a descarbonização na indústria do aço. Globalmente, o Grupo ArcelorMittal foi pioneiro no setor ao lançar a meta de ser carbono neutro até 2050 e, como passo intermediário, reduzir em 25% suas emissões específicas até 2030.O Grupo já investiu cerca de 300 milhões de euros no desenvolvimento de tecnologias de carbono neutro pelos seus Centros de Pesquisa & Desenvolvimento até o momento. Também deverá investir cerca de 10 bilhões de dólares até 2030. Entre as iniciativas a serem desenvolvidas e implementadas pelas unidades da ArcelorMittal no Brasil estão o aumento do uso de sucata como matéria-prima, a utilização de gás natural e a otimização do uso do carvão vegetal nas unidades, além da melhoria da eficiência energética dos processos.  No pilar governança, temos um robusto Programa de Integridade, aplicado em todas as unidades do Grupo e pautado nas melhores práticas internacionais.

Estamos vivendo também um processo de transformação cultural há alguns anos. No Brasil, temos nosso Programa de Diversidade & Inclusão. Lançado em 2019, trabalha quatro dimensões da diversidade: Equidade de Gênero, Diversidade Racial, LBGTI+ e Pessoa com Deficiência. O intuito da empresa é construir uma cultura cada vez mais diversa e inclusiva. Em 2021, por exemplo, lançamos a meta de obtermos 25% de mulheres em posição de liderança até 2030. Além disso, a Fundação ArcelorMittal – que atua há mais de 30 anos – contribui para a formação cidadã de crianças e jovens. A Fundação se dedica aos três eixos prioritários: educação, cultura e esporte.

MC – Para concluir, como o sr. recebeu a premiação da revista MercadoComum?

JP – Fiquei extremamente lisonjeado pela escolha. Agradeço ao diretor-executivo Carlos Alberto Teixeira e toda equipe da revista MercadoComum. Em nome da ArcelorMittal, transmito nosso orgulho pela conquista dos prêmios “Empresa Destaque do Ano de Minas Gerais” e “Personalidade Empresarial de Minas Gerais”. Gostaria de estender este reconhecimento a todos os empregados, os grandes responsáveis pela construção de uma ArcelorMittal maior e melhor. E também aos parceiros que acreditaram e nos ajudaram a transformar nossa maneira de atuar e pensar.

MC – Agradecemos novamente a sua participação em MercadoComum. Por favor, faça as suas considerações finais.

JP – A ArcelorMittal acredita que junto com seus parceiros, empregados, clientes, comunidade, fornecedores e outros públicos com as quais se relaciona continuará contribuindo para o desenvolvimento de Minas e do país. Buscamos soluções inovadoras e formas mais inteligentes de produzir e utilizar o aço, elemento imprescindível na construção de um futuro melhor para as pessoas e o planeta.

O fato de sermos líderes não nos acomoda. Liderar não é sobre ser o maior ou o pioneiro, é estar no centro da mudança, inspirar e criar soluções juntos, para que cada vez mais pessoas façam parte deste movimento. Queremos construir mais 100 anos de história. Vamos com os pés no chão e os olhos no futuro.

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