O Reino do Butão – Paraíso entre a Índia e a China
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Paulo Queiroga

Hoje podemos dizer, seguramente, que embarcamos para um dos lugares mais surpreendentes do mundo. O Butão. Um país espremido nas altas dos Himalaias, é um oásis que respira paz e tranquilidade comoventes.

O pequeno país abriga pouco mais de 750 mil habitantes, o equivalente à população da cidade de Uberlândia, no Triângulo Mineiro.

Tudo lá é lindo e diferente. As montanhas com mais de 7.000 metros de altitude, a preservação ambiental, a educação da população no trato com o viajante, a voz das pessoas em tom baixinho e, especialmente, o silêncio. Até mesmo na capital, Thimpu, com pouco mais 100 mil habitantes, não se houve uma buzina de carro, não existem sinais de trânsito, tudo é absolutamente limpo. A economia é basicamente rural, não existem metrópoles e o país preserva mais de 80% de seu território em parques que se interligam desde as montanhas ao norte até as planícies ao sul. As casas não têm grandes ostentações, exceto os templos religiosos e as instalações oficiais. A política ambiental é tão importante para a população, que o Butão é o único país do mundo com emissão negativa de carbono na natureza.

O Budismo tem forte influência na cultura butanesa. A religião regula a disciplina desde a infância. As crianças mais pobres recebem educação gratuita nos mosteiros budistas. As leituras dos intermináveis mantras, logo ao amanhecer, in jejum, são as primeiras atividades da meninada, que não esconde o sono. Se alguém chegar atrasado, permanecerá lá fora, em pé, no frio congelante, período de expiação de sua falha.

Não se trata de país fácil de se chegar sem um planejamento. A viagem precisa ser planejada com antecedência. A começar pela distância. Do Brasil, a partida é em Guarulhos SP. Escolha uma cia aérea com escala ou na Europa, na África ou na Turquia, até Deli, na Índia. De lá, a aeronave da Royal Buthan Air Lines pousa em Paru, ao lado da capital Thimpú. O aeroporto é tão perigoso, que somente 28 pilotos aéreos no mundo têm treinamento suficiente para decolagem e aterrisagem entre essas montanhas.

O país impõe muitas restrições aos visitantes. Exige-se visto de entrada e toda a operação fica sob a severa orientação de agências de viagens autorizadas pelo rei. Eles temem que a cultura ocidental degrade suas tradições e o seu meio ambiente.

É exigido do turista um mínimo de gasto por dia e o viajante não tem autonomia para criar seu próprio roteiro. Só existem pacotes fechados, que incluem transporte, hospedagem de bom nível e alimentação. O viajante é acompanhado pelo guia durante todos os passeios. Este rigor é para evitar que o turismo traga aglomerações e retire o clima de paz e a religiosidade local. Por outro lado, o cidadão butanês é livre e pode sair para qualquer lugar do mundo.

O governo é uma monarquia constitucional e o rei é admirado pelo povo. Nas políticas públicas do reino está incluído o conceito de “felicidade” entre os índices mais importantes para avaliar o bem-estar da população.

Além do palácio real, dos templos e da imensa estátua de Buda, em ouro, com 51 m de altura, o Mosteiro do Ninho do Tigre é uma das atrações mais visitadas.

O mosteiro fica impressionantemente cravado num penhasco, praticamente pendurado nas alturas. A construção é resultado da lenda do monge, que teria chegado ali montado em um tigre com asas. (Os tigres são encontrados nas reservas biológicas do país).

Somente se chega ao mosteiro a pé. O caminho considerado sagrado não permite a circulação de carros nem animais de montaria. Após duas horas de subida por uma trilha com paisagens de verdadeiro paraíso entendemos, lá do alto, o que é a magia, como essas sutilezas nos tocam e até esquecemos do cansaço.

Imagine, em um ambiente com essas características, se houver um “liberar geral” para o turismo o que iria acontecer.

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