O que os mercados dizem sobre o resultado das eleições brasileiras?
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Estudo mostra que há poucos sinais de estresse nos mercados brasileiros, mas o momento é de expectativa para 2023

 

O resultado das urnas do dia 30 de outubro último, que elegeu o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como o governante da nação pelos próximos quatro anos, não assusta os mercados – pelo menos não por enquanto. A afirmação vem do relatório “Eleições brasileiras: a calmaria antes da tempestade?” divulgado pela Allianz Trade, empresa global especializada em seguro de crédito.

 

De acordo com o estudo, o atual quadro político brasileiro, em que um ex-presidente assumirá o governo, oferece poucas surpresas aos mercados. Prova disso é que o Real Brasileiro (BRL) tem sido muito menos volátil durante as eleições atuais do que nas eleições anteriores, quando mudanças na direção do governo (da esquerda para a direita, ou vice-versa), estiveram associadas à maior volatilidade na taxa de câmbio, como mostra o gráfico abaixo.

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Para os especialistas da Allianz Trade, as maiores preocupações para o Brasil neste momento são externas, como o aperto das condições financeiras dos EUA e os preços do petróleo (juntamente com a demanda chinesa).  Já no campo interno, a grande apreensão está relacionada à inflação local, que segue sem controle. Os economistas preveem uma inflação de 5,1% em 2023 contra a meta do Banco Central, de 3,25%. A expectativa é ainda que a taxa Selic se mantenha em 13,75% até o fim de 2022 e que comece a reduzir em 2023, elevando as taxas de juros para 12% até o final do ano que vem.

 

Política fiscal em foco

A política fiscal será uma questão central no próximo governo. Quando comparado aos pares latino-americanos, a relação de dívida pública do país é significativamente maior em 93% em 2021 (a Colômbia é a segunda pior com 64%).  O aumento do programa de transferência de renda (Auxílio Brasil) em R$ 200 até o final do ano, em um ambiente de baixo crescimento econômico, deteriorou ainda mais as perspectivas fiscais. Este chegou a apresentar uma evolução, graças a medidas governamentais, como o corte nos preços dos combustíveis pela Petrobras, além da isenção fiscal sobre combustíveis e energia elétrica. As expectativas de inflação também têm atravancado o crescimento econômico e com taxas de juros mais altas por mais tempo.

 

Por isso, o relatório da seguradora faz um alerta pelo equilíbrio fiscal. Segundo o estudo, o aumento dos gastos de R$ 100 bilhões em média durante o próximo mandato levaria a um déficit primário de -1,9% para 2023. Isso significa um retorno aos níveis observados em 2015-2017 e um dos piores desempenhos fiscais dos últimos 20 anos – excluindo os efeitos excepcionais da pandemia Covid-19, conforme mostra o gráfico.

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Nesse contexto, fica claro que o próximo governo precisa retomar a agenda de reformas para enfrentar o impasse fiscal. A regra de crescimento das despesas e o potencial crescimento da economia têm impactos significativos nas projeções. O cenário da linha de base considera o crescimento econômico próximo ao seu potencial (+1,9%) a partir de 2024, após +0,8% em 2023. Certamente, a adoção de uma regra fiscal coerente com a obtenção de resultados primários positivos e a adoção de reformas que permitam o crescimento potencial da economia serão fundamentais para a redução da dívida pública. Caso contrário, o prêmio de risco do Brasil certamente aumentará no médio prazo, o que levará a um menor crescimento, taxas de juros mais altas e, consequentemente, maior endividamento. Os economistas da Allianz Trade concluem que, neste sentido, a tarefa em mãos para o próximo presidente é clara e que os investidores observarão de perto.

 

A Allianz Trade é líder global em seguros de crédito comercial e especialista reconhecida em seguro garantia. A empresa prevê o risco comercial e de crédito hoje para que as empresas clientes possam ter confiança no amanhã. Sua rede de inteligência própria analisa mudanças diárias em termos de solvência de mais de 80 milhões de empresas. A Allianz Trade oferece às empresas a confiança para fazer negócios e a segurança de que serão pagas, além de indenizar a empresa cliente, no caso de um mau pagador. Mas, o mais importante, é que a Allianz Trade ajuda seus clientes a evitar maus pagadores de forma preventiva. Quando fornece seguros de crédito comercial ou outras soluções financeiras, a prioridade da seguradora de crédito é a proteção preditiva. No entanto, quando o inesperado ocorre, a classificação de crédito AA significa que existem recursos, com o apoio da Allianz, para fornecer indenizações para que as empresas clientes mantenham o seu negócio. Sediada em Paris, a Allianz Trade está presente em 52 países com 5.500 colaboradores. Em 2021, o volume de negócios consolidado foi de 2,9 bilhões de euros, e as transações de negócios globais seguradas representaram 931 bilhões de euros em termos de exposição. Para mais informações, por favor visite: allianz-trade.

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