O desafio do presidente eleito de recuperar a bandeira da esperança dos brasileiros
O desafio do presidente eleito de recuperar a bandeira da esperança dos brasileiros
O desafio do presidente eleito de recuperar a bandeira da esperança dos brasileiros
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Carlos Alberto Teixeira de Oliveira*

“A bandeira de nossas bandeiras é a Esperança. Um país como este nosso, que avança vergado ao peso de tantas dificuldades, de tantas contradições, necessita de um conteúdo de Esperança para sustentar-se, para ter ânimo de enfrentar um destino que parece duro demais à força de sua grandeza.

E aonde nós, homens que aprendemos na atuação longa e intensa tantas coisas amargas, aonde iremos nós renovar e saciar a nossa esperança, senão junto ao povo, junto àqueles que guardam intactas as reservas de amor, de idealismo, de crença de alegria, de tudo aquilo, enfim, que significa essa mesma esperança – elemento insubstituível e único que nos permite enfrentar a travessia terrestre?

Pois é a esses que em primeiro lugar falo, convocando-os a formar comigo a mesa cordial e resoluta do diálogo – o diálogo – o diálogo que assim iniciamos e que é aberto a todos, sem distinção política ou filosófica, de cor ou de classe, de religião ou de nacionalidade.

Este diálogo é um convite ao exame e ao debate da perspectiva brasileira, no particular e no geral, quando em que atuei, atuo na medida extrema da minha energia e nas dimensões maiores da consciência social que formei à luz da fé cristã, da doutrina democrática e no apego à legalidade. Quero deixar bem claro isto: desde o instante em que transferi a meu sucessor a faixa presidencial, determinei zelar pela clareza da doutrina que implantei em meu governo – a do Desenvolvimento; mais ainda, continuar cooperando, não só na solução dos problemas remanescentes, ou que surgissem, mas também daqueles, tanto e tão graves, que já existiam e, mesmo a poder de fé, técnica e recursos infinitos, não seria possível sequer enfrentar e muito menos resolver num quinquênio administrativo. 

A verdade, cristalina e inegável, é que lutei, sem medida, dias e noites, por dar outra dimensão, interna e externamente a nosso País.

Quis que, da minha administração, não se pudesse dizer, sem pecar contra a verdade, que o Brasil crescia nas horas noturnas, enquanto o Governo dormia. Não! O Governo não dormiu, em minhas mãos.

Os anseios que ora agitam a alma brasileira, a clamar por reformas e maior iniciativa, são efeitos naturais da nova mentalidade que avassala o mundo e na qual o País se enquadrou ao sentir vibrar em seu próprio corpo o espírito do Desenvolvimento, ideal que é o meu ideal e foi o ideal de meu Governo.”

(Texto extraído do livro intitulado “A Marcha do Amanhecer, de autoria do presidente Juscelino Kubitschek e publicado em 1962)

Há muito venho afirmando que o Brasil está acometido de uma doença que intitulo de “síndrome do raquitismo econômico” – devido ao declínio dos níveis da produtividade nacional e pela estagnação da atividade econômica, principalmente quando o PIB-Produto Interno Bruto nacional é comparado às médias positivas alcançadas pela economia global e dos países emergentes – categoria da qual fazemos parte.  A constatação é que desaprendemos a crescer, e a nossa máquina propulsora do crescimento econômico vigoroso e contínuo enferrujou-se ou está quebrada. País cuja economia não cresce está condenado ao ananismo, ao atraso e ao empobrecimento. Isso potencializa tensões e perspectivas sociais explosivas – podendo colocar em risco as instituições e a ainda incipiente democracia brasileira.

É indispensável ao País recuperar a sua capacidade de planejamento estratégico de longo prazo, que entendo, deve ter, como fundamento básico, a sua transformação em Nação Desenvolvida, Justa e Próspera. É preciso sintonizá-lo com as rápidas e importantes transformações por que passa a economia internacional, a sua estrutura produtiva e as novas dimensões trazidas por novos e potenciais mercados, como seria o caso bem ilustrativo da China e Índia, além de outros.

Para que isso venha ocorrer, é preciso formar uma “intelligentsia” nacional com o objetivo de se definir que, para essa transformação rumo ao desenvolvimento, será exigida, como a primeira de todas as metas, a do crescimento econômico vigoroso, consistente, contínuo e sustentável. Nesse sentido, ganha relevância e requer ênfase especial as prioritárias questões da produtividade, da inovação tecnológica, da qualidade e competitividade, da reforma tributária, da eficácia e melhoria da educação em todos os seus níveis, além do retorno dos investimentos em todos os níveis e, em especial, na infraestrutura do país.

O Brasil deverá chegar em 2023 com um PIB per capita 10% abaixo do que foi atingido em 2013, desemprego próximo de dois dígitos e uma inflação ainda elevada que piora expressivamente a vida dos seus cidadãos, principalmente os de menor renda. Trata-se de uma combinação explosiva e, à estagflação vigente, ainda não são verificadas propostas capazes de revertê-la de forma permanente. Aliás, no País pouco hoje se discute economia, quase sempre ficando o debate restrito às questões meramente de tesouraria, conjunturais – também politizadas e ideologizadas.

Segundo o IpeaData, a Agropecuária que já chegou a representar 25,81% do total da economia brasileira em 1952 alcançou, em 2021, uma participação de 8,09% na formação do PIB brasileiro. Desde que iniciou a série histórica em 1947, o menor nível ocorreu em 2010, quando atingiu 4,84%.

Relativamente à Indústria Total, que já chegou a ter uma participação de 47,97% (1985), o setor teve, em 2021, uma participação de 22,15% do PIB. Esta significativa perda tem a sua justificativa: a Indústria de Transformação, que já chegou a representar 34,66% do PIB (maior índice da série histórica iniciada em 1947) viu a sua participação no PIB reduzir-se para menos de 1/3, alcançado tão-somente 11,33% em 2021 – resultado este considerado o segundo pior desempenho da série histórica.

Já o Setor de Serviços contribuiu, em 2021, com 69,75% da formação do PIB brasileiro – inferior ao recorde obtido em 2017, de 73,54%.

Cabe salientar que, em 1995, de acordo com o documento intitulado World Economic Outlook, divulgado em 11 de outubro último pelo FMI – Fundo Monetário Internacional, a economia brasileira era 5,5% maior do que a chinesa e representava 2,46% do total mundial. Atualmente, a economia brasileira detém 1,83% do total mundial e a da China é 10,7 vezes maior do que a brasileira e representa 19,57% do PIB-Produto Interno Bruto global.

O desafio do presidente eleito de recuperar a bandeira da esperança dos brasileiros a

EVOLUÇÃO DO PIB – PRODUTO INTERNO BRUTO BRASIL X CHINA E RESPECTIVAS PARTICIPAÇÕES NA ECONOMIA MUNDIAL

Período de 1995 a 2022 – Em US$ bilhões correntes

Ano                 Brasil          Part. Mundial %                   China              Part. Mundial %

1995                770,86                       2,46                             731,00             2,34

2000                655,45                       1,92                          1.205,36             3,54

2005                891,63                       1,87                          2.290,02             4,79

2010               2.208,70                       3,32                          6.033,83             9,08

2015               1.800,05                       2,40                        11.113,51           14,83

2020               1.448,55                      1,70                       14.862,56           17,40

2021               1.608,08                      1,66                        17.744,64           17,74

2022*             1.894,71                      1,83                       20.256,41           19,57

*Previsões

Fonte: World Economic Outlook/FMI – Oct 2022

Elaboração: MinasPart Desenvolvimento

EVOLUÇÃO DO PIB – PRODUTO INTERNO BRUTO BRASIL X CHINA

Período de 1995 a 2022 – Em US$ bilhões correntes

Ano                    Brasil                       Índice                            China                Índice

1995                   770,86                      100,00                            731,00             100,00

2000                   655,45                      85,03                         1.205,36             164,89

2005                   891,63                      115,67                         2.290,02             313,27

2010               2.208,70                       286,53                         6.033,83             825,42

2015               1.800,05                       233,51                      11.113,51         1.520,32

2020               1.448,55                     187,91                       14.862,56         2.033,18

2021               1.608,08                     208,61                       17.744,64       24.274,47

2022*             1.894,71                      245,79                       20.256,41       27.710,55

*Previsões

Fonte: World Economic Outlook/FMI – Oct 2022

Elaboração: MinasPart Desenvolvimento

Entende-se que a contribuição mais efetiva e precípua dos setores agrícola e industrial ao progresso do Estado e do País e ao bem-estar da população é a produção, a custos decrescentes, de produtos de melhor qualidade. Nesta assertiva, produtividade e inovação tecnológica são palavras-chave.

Cabe destacar que o mercado interno, de um lado, beneficiando-se da exposição da economia ao exterior e da adoção da competitividade internacional como paradigma de referência, absorve a melhoria de qualidade, o desenvolvimento de novos produtos e a redução dos curtos de produção. Ressalte-se, neste ponto, que a busca de eficiência, da eficácia e do aumento de produtividade potencializam as possibilidades de renda do País.

De outro, a expansão do mercado interno criaria e manteria escalas viáveis de produção, aumentando a competitividade internacional, e ampliando a atratividade do País aos investimentos estrangeiros.

O fator de produção Trabalho, dadas as novas condições tecnológicas que tendem a se acentuar no futuro, assume o primeiro plano na composição dos recursos produtivos.

A satisfação das necessidades sociais básicas – educação, saúde, saneamento, entre outros – é condição indispensável à qualificação do trabalho exigida pelos novos ambientes tecnológicos. Mais do que nunca, os chamados investimentos sociais devem também ser considerados em sua perspectiva econômica.

O debate econômico não pode ficar restrito apenas às questões meramente conjunturais e urge despolitizar e desideologizar os seus principais temas diante da imperiosa necessidade de se retomar o crescimento econômico vigoroso, contínuo, consistente e sustentável.

A modernização efetiva do País requer, de forma urgentíssima, a imediata atenuação dos atuais níveis de concentração da renda.

A estrutura vigente nos dias atuais de repartição de renda é incompatível, em termos econômicos (à parte os aspectos de ordem ética, social e política) com qualquer proposta de modernidade que se queira apresentar ao País. De fato, tal estrutura cerceia a plena utilização do enorme mercado potencial, enquanto instrumento dinamizador da economia. Ademais, deprime as condições de vida e, por conseguinte, o potencial de trabalho da maior parte da população brasileira.

Os problemas da área social podem comprometer seriamente os resultados econômicos desejados, e vice-versa. Portanto, o social não pode ser tratado como um apêndice do econômico, mas como parte integrante de um processo mais amplo e equitativo de desenvolvimento socioeconômico.

Desenvolver ações de cunho compensatório e meramente assistencialista atenua, momentaneamente, as carências mais imediatas, mas não resolve de maneira definitiva os problemas sociais. Há que se conceber políticas de redistribuição efetiva da renda, acoplada ao crescimento vigoroso, contínuo, consistente, sustentável e harmônico da economia.

Não basta apenas crescer. É necessário que o crescimento da nossa economia supere a média mundial e possa compatibilizar-se com o nível de expansão das economias dos países emergentes.

Um equívoco que permeia a discussão econômica no país diz respeito à crença de que a estabilidade econômica é condição prévia à retomada do desenvolvimento do País. Primeiro a estabilidade, só depois o desenvolvimento. Sendo assim, as políticas de estabilização assumem um caráter de primazia absoluta, subordinando e sufocando todas as outras políticas. Apequena-se a política econômica, amesquinham-se os objetivos para a economia do País. E já lá se vão algumas décadas de busca inglória da miragem da estabilidade.

Evidentemente, ninguém, em sã consciência, há de negar a necessidade de as economias nacionais ostentarem bons e saudáveis fundamentos macroeconômicos. O caminho da estabilidade deve ser concebido e implementado, no bojo de uma política de desenvolvimento para o País. A estabilidade não precede o desenvolvimento; ao contrário, é a estratégia de desenvolvimento do País que deve, simultaneamente, orientar e contextualizar as opções da política macroeconômica. Até porque, ao contrário do que se costuma propagar, os caminhos possíveis para se alcançar a estabilidade econômica são vários.

Outro desses equívocos é imaginar que apenas o ajuste fiscal e algumas reformas – como a previdenciária – também devem ser considerados como condições prévias à retomada do desenvolvimento. Da mesma forma colocada em relação à estabilidade econômica, deve-se privilegiar – concomitantemente – a expansão econômica que produzirá ganhos generalizados e, em especial, aumentos da arrecadação tributária. Cabe destacar que, quando um denominador é baixo, todos os numeradores podem ser considerados altos – o que se aplica efetivamente no tocante à questão das receitas e despesas públicas. Quando há declínio da atividade econômica, como ocorreu nos anos mais recentes – a produção nacional não cresce – os lucros se transformam em prejuízos para empresas e, com isso, não há como gerar Imposto de Renda e outras receitas.

A privatização e a desestatização de empresas estatais são alternativas válidas dentro do contexto geral de redefinição do papel do setor público na economia nacional. Entretanto, esse mecanismo não deve ser encarado como panaceia e solução absoluta dos problemas do Estado Brasileiro.

Por outro lado, a transferência à responsabilidade do setor privado de ações futuras, normalmente da órbita estatal, é uma possibilidade ricas e interessante. Nesse sentido, podem-se destacar as parcerias público-privadas e os investimentos na infraestrutura econômica – em especial energia elétrica, água, saneamento e transportes -, com sinais evidentes de saturação.

É mister que não se caia no privatismo radical e absoluto. É certo que a superação da crise financeira do Estado brasileiro exigirá um reposicionamento e um redimensionamento do mesmo no contexto da economia nacional. No Entanto, sua presença aqui é essencial e insubstituível.

O Brasil não pode prescindir do crescimento econômico: o estoque de problemas sociais acumulados, eleva-se exponencialmente, apesar da desaceleração da taxa de crescimento da população. Entendo que só a expansão da economia preencherá as condições necessária para o enfretamento e atenuação dos mesmos.

É verdade que há uma grave crise financeira do setor público brasileiro, em todos os seus níveis e, em grande parte, ela é provocada pelos elevados gastos e uma exorbitante conta de despesas de juros sobre a dívida pública. Também colaboram para este quadro a estagnação e o pouco dinamismo da economia nacional. E isso acontece em um cenário de “des-carga” tributária asfixiante que, em 2021, atingiu o recorde histórico de 33,8% do PIB – Produto Interno Bruto.

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Ou seja, de tudo o que é produzido nos país, 1/3 destina-se cobrir as despesas de todos os níveis dos governos federal, estadual e municipal.

A política monetária brasileira adotada nos últimos trinta anos, com juros reais elevadíssimos e campeões do ranking mundial, é absolutamente incompatível com o crescimento econômico vigoroso e se constitui em uma autêntica conspiração contra o desenvolvimento do país.

Cabe também lembrar que as despesas de juros nominais da União, Estados e Municípios, de outro lado, consomem cerca de 28% de toda a arrecadação tributária nacional, algo em torno de 9% do PIB, somente neste ano. Isso significa que, apenas em 2022, o país gastará no pagamento de juros sobre a dívida pública cerca de R$ 886 bilhões – equivalente a US$ 172 bilhões. Em síntese, neste ano o país terá pago a título de juros um montante que poderá ser superior a todo o gasto previsto com a PEC da Transição nos quatro anos seguintes, isto é, se ela for aprovada.

Em épocas passadas, chegou-se a afirmar que “ou o Brasil combatia as saúvas ou elas acabariam com o Brasil”. Traduzindo para os tempos atuais é como afirmar que “ou o Brasil reduz as suas taxas de juros ou os juros liquidarão com o país”. Reduzir as taxas de juros aqui praticadas em níveis que possam ser considerados civilizados é uma imposição de ordem, de segurança nacional.

De acordo com levantamento recente da FECOMÉRCIO SÃO PAULO, as famílias brasileiras pagaram R$ 284,1 bilhões em juros, nos seis primeiros meses de 2022, montante que representa 12,7% da renda dos lares no período. As despesas com juros já são o terceiro item que mais compromete o orçamento familiar no Brasil, só perdendo para as despesas de habitação (1º lugar) e alimentação (2º). No meu entendimento isso é um verdadeiro escândalo!

E acrescento: “Pretender solucionar a crise brasileira com remédios prescritos para o único fim de estabilidade, como se fôssemos uma terra exausta e um povo cansado, necessitados de equilibrar as poucas forças que ainda nos restassem é semelhante, malgrado as deformações que acarretam todas as analogias, ao intento de se tratarem as crises da puberdade com medicamentos destinados a mitigar a senectude”. (Juscelino Kubitschek de Oliveira)

Assim, é absolutamente indispensável que se promova o resgate do crescimento da economia e se busque a resolução dos problemas financeiros que o impedem de exercer o seu imprescindível papel dinamizador.

Nesse sentido, o equacionamento e a solução da problemática financeira do setor público devem se efetivar no bojo de um projeto global de redefinição do seu papel na economia do País, e não a partir de medidas tópicas, superficiais e indiscriminadas, que só fazem agravar a questão.

JK era um entusiasta do Estado como indutor do desenvolvimento, principalmente em países com condições similares ao Brasil. Via o setor público como agente primeiro e responsável pelos investimentos estratégicos de longo prazo onde é baixa a taxa de retorno que não atraem o capital privado, bem como, de mobilizador de capitais públicos e privados nacionais e estrangeiros para a maximização e otimização dos investimentos. Considerava que o governo devia agir pela abertura de caminhos e oportunidades viáveis ao setor produtivo. Em síntese: propunha o desenvolvimento impulsionado pelo setor público, tendo papel relevante a industrialização com o apoio de políticas estimulantes e investimentos públicos dirigidos, principalmente, à infraestrutura.

Entendo que a premissa válida para o novo governo brasileiro, a ser empossado em 1º de janeiro de 2023, é a de estabelecer que a trilha do País no futuro próximo haverá de ser identificada e associada como rota de destino o progresso: do crescimento econômico vigoroso – consistente, contínuo e sustentável – sintonizado com as grandes e cada vez maiores transformações que se verificam na economia internacional, e voltado para a minimização dos problemas sociais; da democracia, plena e efetiva, onde a real participação de todos os segmentos da Sociedade, nas decisões políticas do País, não se traduza apenas na mera defesa de interesses corporativistas ou no populismo inconsequente, mas que possa sintetizar as suas aspirações maiores, transformando-as em ações factíveis, na direção firme ao Desenvolvimento, a ser considerado a Meta Prioritária.

Ao contrário dos ciclos anteriores de crescimento econômico, quando sua ação primou pela prodigalidade e pela concessão farta e indiscriminada de incentivos e subsídios de toda ordem – que ainda explicam em grande medida as suas dificuldades atuais –, o Estado Brasileiro deve pautar daqui para frente a sua ação pela seletividade nos seus gastos e pela menor participação direta na produção, mas incentivando-a e promovendo a reformas estruturais à dinamização e competitividade.

Sua ação de fomento à economia continua indispensável e insubstituível. Entretanto, tal ação deve dar-se num contexto em que o custo de oportunidade do gasto público é altíssimo. Logo, a gestão da coisa pública deve ser permeada pela eficiência e pela eficácia, os incentivos e subsídios devem ser a exceção extrema e a seletividade na alocação dos recursos públicos, absoluta.

Só o crescimento vigoroso torna plástica a economia, criando condições para que as ações conscientes e deliberadas do Governo e da Sociedade possam atuar no rumo da atenuação dos problemas sociais e da desconcentração da renda e um lado, e da modernização do aparelho produtivo, de outro. A estagnação da economia enrijece-a, afastando a possibilidade de modificações em sua estrutura e em seus conteúdos;

A sintonia com o movimento em curso no panorama internacional impõe a abertura da economia brasileira a um relacionamento mais intenso com a economia mundial. Impõe, em consequência, como palavra de ordem, a elevação da eficiência, da eficácia e da produtividade em todos os setores da economia nacional.

O conceito de soberania nacional carece ser repensado. A propriedade do capital não deve mais ser encarada como elemento definidor absoluto da mesma.

Destaco, a seguir, ouro trecho de pronunciamento do Presidente Juscelino Kubitschek*:

“Reputo mais importante do que qualquer outra medida de caráter prático esta, a de elucidar a opinião pública sobre a necessidade de dinamizarmos o país, de insuflarmos na alma brasileira a ambição da grandeza. 

Insisto em que não temos o direito de ceder ao ócio; que é uma verdadeira inconsciência perdermos um tempo precioso em lutas sem sentido, quando se encontram em situação de atraso e de miséria zonas extensas do nosso território.

Para que logremos continuar com êxito a batalha do desenvolvimento, torna-se imprescindível desejar a colaboração estrangeira e incrementar o intercâmbio com o exterior.

Nosso primeiro dever, no entanto, consiste em nos pormos, nós próprios, a lutar pelos nossos interesses, confiando a nós mesmos as tarefas que reputamos essenciais e redentoras de nossa economia. O destino do país depende — sem falarmos dos desígnios da Providência — da soma de dedicação e trabalho dos habitantes desta terra imensa e rica em possibilidades.

Se quisermos ver reduzida a distância, infelizmente excessiva, que nos separa dos países desenvolvidos, não só teremos de madrugar no trabalho, mas ainda de empregar, com justo e compensador rendimento, as energias, tanta vez dispersas e esbanjadas a esmo”.

*(Trecho extraído do discurso do presidente Juscelino Kubitschek sobre política de desenvolvimento proferido em São Paulo, no dia 14 de agosto de 1959, durante Conferência, no Rotary Clube da Cidade – Referência: Coletânea de 3 livros intitulados “JK – Profeta do Desenvolvimento”, de autoria de Carlos Alberto Teixeira de Oliveira – MercadoComum).

Faço um alerta: se não voltarmos a crescer, as nossas dificuldades só vão se agravar e as soluções, para os nossos principais problemas, estarão cada vez mais distantes. Mesmo já detendo, por exemplo, a mais elevada carga tributária de nossa história, ela continuará se expandindo, assim como a dívida pública, que poderá nos direcionar a uma situação explosiva. E os recursos para investimentos em geral ficarão, também, sempre mais escassos

O Brasil precisa se reconciliar com o crescimento econômico vigoroso, consistente, contínuo, sustentável e eleger o desenvolvimento como a nossa meta prioritária número 1!

O crescimento econômico vigoroso deve deixar de ser apenas uma casualidade, uma questão episódica, uma efemeridade ou um acontecimento meramente fortuito para se transformar, efetivamente, na grande meta econômica nacional, permeando a convolação do País em uma economia madura e desenvolvida. Nesta direção, já tivemos antes, vários exemplos de sucesso e que poderiam nos servir de inspiração, como foi o caso do Plano de Metas, implementado durante o Governo JK.

*Administrador, Economista e Bacharel em Ciências Contábeis, com vários cursos de pós graduação no Brasil e exterior. Ex-Executive Vice-Presidente e CEO do Safra National Bank of New York, em Nova Iorque, Estados Unidos. Ex-Presidente do BDMG-Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais e do Banco de Crédito Real de Minas Gerais; Foi Secretário de Planejamento e Coordenação Geral do Governo de Minas Gerais e Diretor-Geral (Reitor) da Faculdade Estácio de Sá de Belo Horizonte; Ex-Presidente do IBEF Nacional – Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças e da ABDE-Associação Brasileira de Desenvolvimento; Coordenador Geral do Fórum JK de Desenvolvimento Econômico; Presidente da ASSEMG-Associação dos Economistas de Minas Gerais.  Presidente da MinasPart Desenvolvimento Empresarial e Econômico, Ltda. Vice-Presidente da ACMinas – Associação Comercial e Empresarial de Minas. Presidente/Editor Geral de MercadoComum. Autor de vários livros, como a coletânea intitulada Juscelino Kubitschek: Profeta do Desenvolvimento.

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*Administrador, Economista e Bacharel em Ciências Contábeis, com vários cursos de pós graduação no Brasil e exterior. Ex-Executive Vice-Presidente e CEO do Safra National Bank of New York, em Nova Iorque, Estados Unidos. Ex-Presidente do BDMG-Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais e do Banco de Crédito Real de Minas Gerais; Foi Secretário de Planejamento e Coordenação Geral do Governo de Minas Gerais e Diretor-Geral (Reitor) da Faculdade Estácio de Sá de Belo Horizonte; Ex-Presidente do IBEF Nacional – Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças e da ABDE-Associação Brasileira de Desenvolvimento; Coordenador Geral do Fórum JK de Desenvolvimento Econômico; Presidente da ASSEMG-Associação dos Economistas de Minas Gerais. Presidente da MinasPart Desenvolvimento Empresarial e Econômico, Ltda. Vice-Presidente da ACMinas – Associação Comercial e Empresarial de Minas. Presidente/Editor Geral de MercadoComum. Autor de vários livros, como a coletânea intitulada Juscelino Kubitschek: Profeta do Desenvolvimento.

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