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Antoninho Marmo Trevisan

Antoninho Marmo Trevisan é o presidente da Trevisan Escola de Negócios e membro do CDESConselho de Desenvolvimento Econômico e Social da Presidência da República.

Quando o economista, cientista social e pensador alemão Karl Marx escreveu “O Capital”, consolidando o conceito do
socialismo científico e da chamada ditadura do proletariado, com certeza lhe ocorreram as dificuldades práticas a serem
enfrentadas para a transformação radical da economia e do processo político. A história demonstrou que a preocupação
era pertinente.

Por outro lado, jamais deve ter passado, nem de longe, pela cabeça do ilustre germânico, que sua tese pudesse inspirar
algo tão distorcido em termos de modelo político-econômico quanto o atual regime da Coreia do Norte. Trata-se, a rigor,
de um híbrido de socialismo com um regime monárquico- -ditatorial. É uma sociedade bipolarizada, na qual se socializam
os ganhos da frágil economia entre a casta militar e se distribuem as carências entre o restante da população.

É algo que poderia ser denominado de “Monarquia do Proletariado”, já que a dinastia dos Kim Jong acaba de empossar
seu terceiro “monarca” consecutivamente. Kim Jong-un, filho de Kim Jong-il, herda um “reino” com 24 milhões de habitantes, dos quais 1,2 milhão de pessoas são militares. As Forças Armadas têm um papel central no país, que dispõe de bomba atômica. Ao mesmo tempo, há informações de que a fome alastra-se, assim como dificuldades de acesso à saúde.

A pergunta inevitável é: até quando esses países como a Coreia do Norte, considerando o exemplo da inusitada “Primavera Árabe”, conseguirão conter a explosão social de sua população mais necessitada? Esta é uma questão que se coloca até mesmo para a China, onde, a despeito dos avanços nos últimos anos, mais de um bilhão de pessoas ainda estão muito distantes da sociedade de consumo moderníssima que se observa nos noticiários da TV e no mundo corporativo.

Os exemplos práticos do mundo socialista foram mais do que didáticos para demonstrar a inviabilidade da sustentação
de economias baseadas numa pretensa sociedade igualitária e integralmente estatizadas. Como se observou na
União Soviética, os meios de produção chegaram a um ponto de estrangulamento irreversível. No entanto, Marx continua
com plena razão em um aspecto crucial: as desigualdades têm limites!

Não é possível manter indefinidamente, mesmo que pela força, populações inteiras sem direitos políticos plenos, sem
liberdade de expressão, reprimidas pelo medo e alijadas de um acesso mínimo a bens de consumo reservados a uma
elite política, militar ou burocrática. Por isso, os direitos têm de ser iguais, e o moderno capitalismo democrático deve
buscar, sim, a socialização das oportunidades, por meio de empregos e salários dignos, saúde, educação e inclusão
socioeconômica, como se tem observado paulatinamente no Brasil.

Neste século, no qual as mais rígidas e intransponíveis ditaduras têm sucumbido à consciência popular, como no mundo
árabe, será cada vez menos provável a sustentabilidade de regimes totalitários como a norte-coreana “Monarquia
do Proletariado”.


Esse artigo não reflete necessariamente a opinião de MercadoComum


 

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