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Teremos passaporte?

Sergio Augusto Carvalho

A Itália instituiu há algumas semanas um protocolo para regulamentar o funcionamento de bares, pizzarias e restaurantes em todo o país. Foi criado o Green Card que, sem ele, ninguém entra em lugar algum nem para tomar um cappuccino. 

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O rebu foi criado e, como se tornou normal, todo mundo briga com as autoridades, as autoridades brigam entre si, a população se divide em prós e contras e a marca registrada desta Pandemia está instalada no país da bota: todo mundo está certo e todo mundo está errado.

Até parece que esta situação sempre foi comum entre os humanos desde a época da pedra lascada. Interessante é que se alguém perguntar na rua o que significa “pandemia”, 7 em cada 10 pessoas não sabem responder ou respondem errado. Mas sabe que não pode tomar cloroquina, que a vacina não vale nada e andar pra todo lado sem proteção alguma não tem problema.

A discussão sobre o funcionamento de bares e restaurantes (na Itália há uma clara diferença entre restaurante e pizzaria: pizzaria não é restaurante!) em algum lugar já deve ter acabado em morte… Qualquer que seja a decisão sobre liberar ou não liberar o funcionamento das casas provoca uma avalanche de besteiras – de ambos os lados.

Digital Green Pass
Digital Green Pass

Como a vacinação na Itália andou bem, para liberar a abertura das casas, o Governo adotou o Green Card: quem já vacinou segundo as normas italianas ganha um passaporte que dá direito a entrar e ser servido nos bares, pizzarias e restaurantes. O que isso significa?

Significa uma briga imensa entre governo, população, empresários do ramo e até dos fornecedores da matéria prima. Os argumentos são diversos e ninguém se entende. Há casas que não obedecem a lei e clientes que se recusam a fazer o seu passaporte.

E se esse protocolo fosse adotado no Brasil?

Primeiro, teria de ser uma providência regional: cada estado ou município adotaria a sua regra.

Segundo, a gritaria seria geral.

Terceiro, a fiscalização seria um desastre.

Com certeza não ficaria só nisso. Quem roda pela cidade e observa os bares e restaurantes completamente lotados chega à conclusão de que a pandemia não passa mesmo de uma gripezinha que só ataca os incautos. Qualquer medida que for tomada para regulamentar esse movimento será recebida com muitos protestos contra e a favor, gerando uma continuação da crise política que está apenas de molho esperando alguém dar o primeiro grito.

De minha parte, escolhi dois ou três lugares onde ir e correr o risco menor possível. Risco zero acho improvável, mas não dá mesmo pra viver tanto tempo numa bolha como deveria ser sem sentir o gostinho da vida normal – pelo menos uma vez por semana.

Patuscada vem aí

O chefe Clóvis Vana fechou o Patuscada em 2017, abriu o Pateo 08, mas não resistiu à pandemia e fechou também. Sua disposição era não mexer mais no ramo. Cuidar da sua rocinha no Alto Jequitinhonha virou prioridade, mas também não encheu suas medidas.

Prestando consultoria para novas casas no Norte de Minas e em BH, Clóvis sucumbiu à sua paixão e está preparando sua volta ao mundo da boa comida em BH. Ainda bem, pois o mercado está crescendo novamente, porém sem a mesma qualidade de tempos atrás.

Depois dele, com certeza teremos o retorno de outro cozinheiro consagrado pelo bom gosto de comensais de todo o país: Ivo Faria. É difícil para alguém como Ivo e Clóvis ficar longe do sufoco de uma cozinha estrelada em contato com seus clientes no dia a dia. Tá na veia. Cozinhar é um vicio q se adquire muito cedo na vida e vai seguindo seu rumo de acordo com a tendência de cada um: bom gosto, sensibilidade, cultura e conhecimento básico.

É muito comum encontrar por aí pessoas que se perderam nesse meio do caminho e, mesmo se achando competentes, são na verdade especuladores.

Dinheiro jogado fora

Levado por um amigo, fui conhecer um restaurante que absorveu mais de 1 milhão de reais na sua montagem. Com um pedigree internacional assombroso, incluindo performances históricas diante de estrelas hollywoodianas, o chef e dono do lugar esmerou no lugar ao seu gosto, com ótimos banheiros, mesas caras e equipamentos de qualidade.

E o mais importante ficou a desejar. Pecado mortal! Serviço abaixo da crítica. Claramente não houve investimento para treinamento do pessoal. Uma pena, pois o ambiente podia ser melhor aproveitado. Além disso, a comida também podia ser melhor…

Sacrilégio

O prêmio de Pecador do Ano vai para o “chef” Luciano Avelar, que levou ao Festival de Gastronomia de Tiradentes, EM SETEMBRO, uma receita para representar Diamantina em um Workshop do Senac: Frango Ao Molho Pardo. Só que para fazer o Molho ele trocou o sangue por FEIJÃO.

Inacreditável!

E disse que essa receita Identifica Diamantina na Culinária Mineira!!! Conheço a cidade desde os anos 50, jamais vi ou ouvi tamanha besteira: Frango Ao Molho Pardo de Feijão. E a base do prato é barriga de porco…

A febre da gastronomia (especificamente culinária) leva a abusos como este. Quem quer aparecer na briga por um lugar ao sol faz coisas como Ambrosia com leite em pó, Farofa de macarrão, Picanha invertida… etc.

E tem quem aplaude!

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