MENSAGEM DE NATAL DE JUSCELINO KUBITSCHEK DE OLIVEIRA
MENSAGEM DE NATAL DE JUSCELINO KUBITSCHEK DE OLIVEIRA
MENSAGEM DE NATAL DE JUSCELINO KUBITSCHEK DE OLIVEIRA – Governador de Minas Gerais – Em 24 de dezembro de 1952*
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“Meus conterrâneos:

Não poderia eu faltar, nesta noite de Natal, com a saudação amiga do Governador a todos vós, mineiros, pelo nascimento ou pela adoção, que viveis no torrão querido das Minas Gerais. Na doce noite do nascimento do Salvador, pela tradição e pelo sentimento, os montanheses se congregam mais do que nunca, irmanados nas puras alegrias de celebração tão bela. O Natal é um traço de união entre Deus e o homem e a sua comemoração, em Minas Gerais, adquire traços de emoção, pela ternura e limpidez que a revestem, pelo espírito de cordura e fraternidade que animam, pela efusão e cordialidade que a marcam.

De tal celebração não está ausente o Governador do Estado e quer ser ele, neste instante, dos primeiros a erguer aos céus os mais sinceros votos de paz e prosperidade para quantos se abrigam sob estes acolhedores céus mineiros. A sua memória, neste minuto, assomam todos os deliciosos quadros de Natal mineiro e deles participa, em espírito e de coração, juntando sua voz ao coro dos louvores com que saúdam o advento do Menino Deus.

Nas pequenas cidades do interior, o rumor das crianças enche de luz o cômodo do presépio e, de onde me acho, ouço a música dos cânticos e as graças que os maiores elevam, em adoração ao Menino Jesus. Mãos piedosas depositam a linda imagem na gruta sobre a qual brilha a estrela de Belém orientando os Reis Magos e repicam estrídulos, os finos sininhos sob o dossel azul. Daqui a pouco, estareis todos à mesa para a festiva consoada, enquanto os menores sonham com os presentes que encherão os seus sapatinhos, colocados aos pés da sua cama. E não tardará muito, estareis todos sob a magia da noite mineira, em alegre romaria que parte de todos os lados, rumo à igreja que resplende, como foco dentro da noite, aberta de par em par para a missa do galo.

Dos humildes campanários das aldeias distantes, das severas catedrais coloniais, das esguias torres dos templos modernos, os sinos graves ou alegres lançam para os céus cheios e estrelas a voz da Minas, em comovidos acenos cristãos e nimbada da clara fraternidade que o cristianismo inspira. Mineiro sou, do interior, e de meu coração jamais se apartou a lembrança dessas noites inesquecíveis em torno do presépio. Mas, volvo também a recordação para os lares das cidades de mais vastas proporções, onde a mesa para a ceia aguarda os amigos, em cuja sala se ergue a árvore de natal pontilhada de guirlandas e de presentes.

Em toda parte, vibra e palpita o memo eflúvio de geral contentamento, os rostos se iluminam dos mesmos sorrisos e de todos os corações brotam os mesmos desejos de felicidade. Neste concerto unânime de votos e bons augúrios quero eu entrar, formulando, como Governador, o desejo mais ardente de que Natal após Natal, seja cada vez menor o número das casas mineiras onde não haja a benção do presépio ou da árvore e em cuja mesa não haja a alegria de uma ceia, ainda que modesta.

Na data de hoje incumbe-me, isto sim, agradecer não só ao povo mineiro em geral a colaboração leal e decidida para a execução dessas iniciativas, mas a todos aqueles que, nas repartições públicas, como simples funcionários, nos altos postos como auxiliares diretos, nas bancadas do Parlamento Nacional, da Assembleia Legislativa ou nos cargos de direção partidária, vem pondo sua competência, sua dedicação e seus conselhos a serviço da obra em que nos empenhamos. O meu governo, sendo de coligação e entendimento, tem encontrado particularmente nos partidos que o apoiam a compreensão alta e a elevantada cooperação para todos os passos indispensáveis à marcha dos negócios públicos. Aos dirigentes, aos parlamentares e a todos os filiados do PSD, do PR, do PTB e ainda do PSP, do PRP e PTN, envio aqui as saudações do Governador, nesta mensagem em que venho desejar a todos os mineiros um feliz Natal e o mais próspero Ano Novo.

Esta é, sem dúvida, a noite de união de todos os mineiros. Numa só prece ao Altíssimo, fundem-se as nossas esperanças e confraternizam todos os corações. No burburinho das ruas centrais de nossa formosa Capital paira, esta noite, o mesmo espírito de compreensão e de solidariedade que envolve as outras cidades mineiras: e é na animação de suas casas comerciais e na serena alegria dos lares espalhados à sobra de verdes árvores, que Belo Horizonte reflete o pensamento generoso e largo que por toda parte domina o Estado; o de transformar Minas numa intensa colmeia de trabalho e de prosperidade.

Unidos hoje, governo e povo, viveremos esta noite ao influxo destes fecundos pensamentos, consubstanciando o espírito de Natal no desejo de que ano após ano, seja ele uma benção para todos e cada vez menor a legião daqueles que, ainda este ano, estejam sem teto, sem pão e sem conforto.

A todos vós os meus melhores votos de feliz Natal e de um mais feliz 1953”.

*Texto extraído de novo livro sobre JK, de autoria de Carlos Alberto Teixeira de Oliveira, ainda a ser lançado.

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A todos vós os meus melhores votos de feliz Natal e de um mais feliz 1953
A todos vós os meus melhores votos de feliz Natal e de um mais feliz 1953