Lúcio de Souza Assumpção: uma justa homenagem especial ao grande empresário mineiro

Lúcio de Souza Assumpção: uma justa homenagem especial ao grande empresário mineiro
Lúcio de Souza Assumpção: uma justa homenagem especial ao grande empresário mineiro

O presidente José Anchieta da Silva honrou-me com a incumbência de falar em nome da ACMinas nesta reunião em homenagem ao nosso ex-presidente Lucio Assunção.

Nosso querido Lucio está ora aqui representado pelos fortes esteios de sua família, D. Marisa, Eduardo, Roberto, Marina e Juliana.

A ACMinas, nos seus 122 anos de história, sempre foi protagonista da evolução e do desenvolvimento econômico e social do nosso Estado de Minas.

Por isso, entendo que o sentido deste gesto vai além da homenagem ao ex-presidente da ACMinas, para se constituir em uma grande reverência ao grande cidadão mineiro que foi o Lúcio, merecedor de figurar em qualquer galeria das personalidades importantes de nosso Estado.

Nascido em Belo Horizonte-MG em 1930, ano de grande ebulição política de nossa sociedade, Lúcio viveu sua infância e juventude em Belo Horizonte, período em que Minas detinha uma grande importância no contexto da Federação Brasileira.

Depois de frequentar os melhores colégios da cidade, ingressou na Escola de Engenharia e, ainda no período de estágio, já transpunha as fronteiras do Estado e do Brasil, ao estagiar nos Estados Unidos, em1953.

Já revelava, nesta época, um dos traços marcantes de sua personalidade, a inquietação daqueles que vocacionados a construir, ampliar o conhecimento e aplicá-lo objetivamente no contexto social.

Foi assim que o jovem engenheiro ofereceu suas habilidades e conhecimento à sociedade, seja na iniciativa privada, junto à Líder Aviação, na Belgo Mineira, seja em órgãos e empresas estatais, como na Cemig, na Usiminas, Fiat en a Secretaria da Fazenda.

A visão objetiva dos assuntos e grande habilidade na sua condução, o fez também presidente da ABDE – Associação dos Bancos de Desenvolvimento, que congregava todos os congêneres de outros estados.

Como testemunha, o nosso vice-presidente Carlos Alberto Teixeira de Oliveira, à época presidente do BDMG, o modelo por ele sugerido foi adotado na fusão dos quatro bancos que o Estado de Minas controlava: Minascaixa, Crédito Real, BEMGE e Agrimisa. Sua ideia básica foi aplicada nacionalmente.

O trabalho desenvolvido no setor público foi sempre reconhecido e elogiado.

Suas convicções éticas e morais não permitiam a confusão entre público e privado,

não havendo jamais a mais leve restrição à sua conduta. Uma história constituída completamente sem mácula!

O espírito empreendedor e a dedicação ao trabalho permitiu que, também, ele desenvolvesse empreendimentos privados de grande significado para nossa cidade.

Muitos de nós, ao passarmos pela Cidade Nova, Bairro Castelo, ou no Village Terrasse, talvez não saibamos que o loteamento destas áreas foi resultado do seu espírito empreendedor.

O Lúcio, que já exercia funções de destaque na ACMinas, passou a presidi-la em 25 de janeiro de 1988.

No seu discurso de posse já demonstrava as suas preocupações com o empresariado mineiro, sobretudo em relação aos micro e pequenos empresários, e já criticava o excesso de burocracia na gestão dos negócios. A interferência frequente do Estado inibia a liberdade de empreender.

Recomendava, enfaticamente, maior austeridade nos gastos públicos.

Ciente da importância de se reverenciar o passado, uma das primeiras ações na presidência da ACMinas foi instituir a medalha do Mérito JK, estabelecendo critérios seletivos na escolha dos homenageados.

A primeira medalha foi entregue a D. Sara Kubitscheck.

Marcou logo seus estilos peculiares nas reuniões semanais. Os assuntos mais relevantes eram discutidos de maneira aberta e democrática

As reuniões, como até hoje o são, eram conduzidas com absoluta formalidade e respeito.

Ao abordar assuntos que refletiam sua posição pessoal ou que mereciam atenção especial, abandonava sua cadeira de presidente da entidade e usava o púlpito para fazer suas colocações

Dava muita importância à liturgia do cargo, diferença gritante com o que vemos hoje nas reuniões de colegiados oficiais do País, onde são frequentes as atitudes de desrespeito às pessoas e instituições.

O Lúcio, de outro lado, sempre demonstrou preocupação com a institucionalidade e cidadania, lançando uma campanha pelo “voto cidadão”, recomendações oportunas naquele início de processo de redemocratização.

Logo no primeiro ano de sua gestão, os fatos políticos, sobretudo as discussões na Assembleia Constituinte, ensejaram a aplicação prática de suas qualidades de liderança e objetividade.

Estava em discussão, na Assembleia Nacional Constituinte, a criação de novos estados da Federação. Foi neste contexto que surgiram os Estados de Tocantins e Mato Grosso do Norte. 

Uma das emendas em análise, de autoria do deputado Chico Humberto, previa a criação do Estado do Triângulo, dividindo o território de Minas. 

O texto já tinha sido aprovado em comissões e o próximo e último passo era a decisão final do plenário da Constituinte.

O tempo era pouco e as reações precisavam ser rápidas e efetivas.

O governador do Estado era Newton Cardoso, que substituía Hélio Garcia.

Na ofensiva ao projeto de dividir Minas, o governo do Estado encomendou, então, uma campanha publicitária para reforçar as ações políticas.

A reação deveria ser da sociedade para evitar que as influencias partidárias enfraquecessem o propósito de manter a unidade de Minas.

A tradição e respeitabilidade da ACMinas e a credibilidade do Lúcio permitiram que a entidade assumisse a liderança da condução da campanha.

Merece destaque a atitude do governo de delegar a condução da campanha à sociedade civil, mesmo bancando todos os seus custos.

A articulação do Lúcio foi tornada pública em reunião semanal da diretoria pelo então diretor Lindolfo Paoliello.

Como era do estilo prático do Lúcio, sem formalidades ou burocracias, o Lindolfo passou a coordenar operacionalmente a campanha.

Lúcio Benquerer e eu, membros da executiva, passamos a atuar na condução operacional da campanha.

Para aderir ao conceito de MOVIMENTO CÍVICO PELA UNIDADE DE MINAS, Lindolfo buscou agregar, além dos empresários, diversas outras entidades e expoentes da sociedade mineira (AML, OAB e do meio cultural).

Enquanto isso, Lúcio articulava com o governo e entidades empresariais congêneres (FIEMG, CDL e várias outras).

Os intelectuais do Estado aderiram prontamente à campanha, sendo um deles o escritor Oswaldo França Júnior, que com seu estilo aguerrido e passional, tornou-se um guerreiro da causa.

A poucos dias da votação decisiva, Oswaldo França, que era conterrâneo e amigo do Zé Aparecido, então governador do Distrito Federal, viabilizou uma visita noturna ao Palácio de Águas Claras.

Ele, Lindolfo e eu ficamos até bem tarde da noite acompanhando o Zé Aparecido articular um almoço para congregar todos os políticos, ex-governadores e ministros mineiros.

O evento foi realizado e, por influência do Castelinho, tornou-se assunto de primeira página de um jornal de prestígio na época (JB).

O Segundo fato que vou mencionar, deixa muito claro o pragmatismo, bom senso e flexibilidade do Lúcio.

No dia da votação decisiva nos dividimos para visitar as lideranças dos partidos, àquela época um número reduzido.

Sugeri ao Lúcio visitar também a liderança do PT.

Encontramo-nos com o líder do PT, Plinio de Arruda Sampaio, que disse que iria entrar em contato com o Diretório Regional, que era dirigido pelo vereador Carlão. E que após isso, reuniria a bancada na hora do almoço.

Voltamos lá e obtivemos a resposta positiva: Ele encaminharia a votação favoravelmente.

Na parte da tarde ocorreu a votação. Os líderes Plínio de Arruda Sampaio, Afonso Arinos de Mello Franco e Roberto Brant fizeram belos discursos de encaminhamento.

O resultado da votação foi favorável, mas por apenas 30 votos de diferença. 161 a 131, com 21 abstenções.

A posição favorável do PT contribuiu significativamente para a nossa vitória.

Estes episódios confirmaram aspectos já conhecidos da personalidade do Lúcio: pragmatismo, prudência e humildade.

Não houve comemoração ostensiva do resultado alcançado.

Se batalhamos pela união, tínhamos que respeitar os nossos coestaduanos do Triângulo Mineiro.

Toda esta movimentação ocorreu no mesmo ano em ele encarou um desafio muito especial: cuidar do inventário do lendário Antônio Luciano Pereira, famoso aqui em Minas, não só pelos mais de dois mil imóveis no centro e bairros da capital, usinas de açúcar e um grande número de fazendas, mas também pelo grande número de possíveis filhos que buscavam o reconhecimento da sua paternidade.

Entre os reconhecidos e os que estavam em investigação, parece-me que foram cerca de 23.

Lúcio comentou um dia, que fazia reuniões conjuntas com 13 advogados, criando um ambiente de solução e acomodação de interesses.

Em poucos anos todo o processo foi decidido, demonstrando mais uma vez, sua habilidade negocial, tendo como lastro, a sua grande credibilidade pessoal.

Até se aposentar, Lúcio era convidado e convocado a atuar nas, hoje em voga, “mediações de conflito”.

Estes recortes das atividades do Lúcio não esgotam a justa avaliação do seu perfil. 

Há que se falar do Lúcio amigo, do Lúcio família, do desportista, do “cara de bem com a vida.”

O “bambu”, forma carinhosa pela qual era chamado pelos seus amigos próximos, casou-se com D. Marisa nos idos de1957.

Um amor forte e profundo sustentou essa linda relação, por 65 anos.

O carinho de seus filhos, todos aqui presentes são o melhor testemunho dos fortes laços de amor e respeito nas relações familiares.

Mesmo nas épocas de maior agitação, o petequeiro, o velejador o entusiasta do mergulho sabia conciliar as atividades.

As carteirinhas de mergulho, que todos os filhos possuem indicam a harmonia e integração familiar.

Nossa homenagem é feita a este cidadão completo e admirável, com quem tivemos o privilégio de conviver.

Que Deus, que seguramente já o acolheu, arranje logo uma outra encrenca pro Lúcio resolver.

É isso.

*Discurso proferido pelo empresário Paulo Sérgio Ribeiro da Silveira, durante plenária da ACMinas-Associação Comercial de Minas – ocorrida no dia 8 de agosto, em homenagem a seu ex-presidente Lúcio Assumpção.

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