Matheus Albergaria*

No ano de 2020, a Academia Real de Ciências da Suécia premiou os economistas Paul Milgrom e Robert Wilson por seus estudos na área de microeconomia, com destaque para pesquisas relacionadas a leilões. Apesar de extremamente relevantes para o desenvolvimento da teoria e prática econômicas da atualidade, as obras desses autores são relativamente pouco conhecidas do público, em geral. Por conta disso, vale a pena tratarmos brevemente de suas contribuições.

Afinal, o que são leilões, do ponto de vista econômico? De acordo com os economistas, leilões podem ser caracterizados como transações com um conjunto específico de regras que detalham a alocação de recursos escassos com base em lances dados por seus participantes. Ou seja, em um leilão, uma das partes envolvidas – conhecida como “licitante” – dá um lance capaz de arrematar o bem oferecido por outra parte, como o vendedor do bem. Na prática, leilões podem assumir distintos formatos, embora compartilhem a característica comum de serem usados para a compra e venda de bens. Situações nestes moldes correspondem a leilões de obras de arte e vinhos, por exemplo.

Um problema inicial relacionado aos leilões diz respeito ao fato deles corresponderem a problemas de informação incompleta, em termos econômicos. Ou seja, em um contexto nos moldes de um leilão, um dos lados do mercado (o licitante) pode ter mais informações sobre a transação em si do que outros participantes (como os demais licitantes ou o próprio vendedor do bem). Em particular, o licitante pode atribuir um alto valor ao bem leiloado, embora não queira demonstrar isso durante o leilão, com o objetivo de pagar um menor preço pelo bem. Isto acaba gerando um problema de incentivo do ponto de vista econômico, uma vez que um dos lados do mercado pode não ter motivação suficiente para revelar suas verdadeiras preferências em relação ao bem sendo leiloado. O trabalho dos autores agraciados com o Nobel de Economia de 2020 ajudou a iluminar questões desse tipo, tendo importantes implicações práticas para o desenho de mecanismos de mercado para bens e serviços que são difíceis de vender e comprar em mercados de verdade, como frequências de rádio ou equipamentos de saúde destinados a pacientes de COVID-19, por exemplo.

Uma segunda linha de contribuições acadêmicas de autores como Milgrom e Wilson diz respeito à compreensão do funcionamento interno das empresas. Ainda na década de 1990, Paul Milgrom publicou um livro – em coautoria com John Roberts – que viria a se tornar referência obrigatória em cursos de economia e administração. O livro, intitulado “Economics, Organization, and Management” fornece uma abrangente visão acerca do campo de estudo denominado “Economia das Organizações” que, como o nome sugere, busca entender a interação entre temas de pesquisa comuns às áreas de economia e administração. Por incrível que pareça, o diálogo entre essas áreas é relativamente escasso, mesmo hoje em dia.

A concessão do Prêmio Nobel de Economia geralmente é feita com base no impacto de longo prazo das pesquisas dos agraciados. Em mais de uma ocasião, utilizei conceitos elaborados por ambos os autores em pesquisas e cursos de graduação e pós-graduação. De fato, na semana em que o Nobel é anunciado, estou terminando de preparar o material de uma disciplina de Estratégia Econômica, na qual revisitarei alguns dos principais ensinamentos de Milgrom e Wilson na companhia dos alunos do Mestrado Profissional em Administração (MPA) da FECAP.

Em termos gerais, a obra desses dois autores não apenas nos ensinou a respeito do funcionamento de alguns tipos especiais de mercados, mas também trouxe importantes informações sobre a dinâmica interna das empresas, fazendo com que a firma deixasse de ser vista como uma espécie de “caixa preta” por economistas e administradores. Independentemente de concordarmos ou não com algumas das conclusões obtidas por Milgrom e Wilson ao longo dos anos, há de se reconhecer que ambos mudaram permanentemente a forma de pensar dos economistas.

A Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP) é referência nacional em educação na área de negócios desde 1902. A Instituição proporciona formação de alta qualidade em todos os seus cursos: Ensino Médio (técnico, pleno e bilíngue), Graduação, Pós-graduação, MBA, Mestrado, Extensão e cursos corporativos. Dentre os diversos indicadores de desempenho, comprova a qualidade superior de seus cursos com os resultados do ENADE (Exame Nacional de Desempenho de Estudantes) e do IGC (Índice Geral de Cursos), no qual conquistou o primeiro lugar entre os Centros Universitários do Estado de São Paulo. Em âmbito nacional, considerando todos os tipos de Instituição de Ensino Superior do País, está entre as 5,7% IES cadastradas no MEC com nota máxima.

*Professor Integral de Economia da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado – FECAP

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